“Dirijo minha luta não contra as crenças religiosas dos homens, mas contra os que exploram a crença. Detestemos essas criaturas que devoram o coração de sua mãe e honremos aqueles que lutam contra elas. Acredito na existência de Deus. Em verdade, se Deus não existisse, fora preciso inventá-lo. Meu Deus não é um Rei exclusivo de uma simples ordem eclesiástica. É a suprema inteligência do mundo, obreiro infinitamente capaz e infinitamente imparcial. Não tem povo predileto, nem país predileto, nem igreja predileta. Pois para o verdadeiro crente há, apenas, uma única fé, justiça igual e igual tolerância para toda a humanidade.”
Voltaire”:
“O mundo só estará salvo no dia em que o ultimo Rei for enforcado com as tripas do último padre.”
diderot
“Eu sou a favor de um diálogo entre a ciência e a religião, mas não um produtivo. Estou incomodado com o fato … que muitas pessoas estão tendo a (falsa) impressão de uma feliz reconciliação entre a ciência e a religião … Religião … é um insulto à dignidade humana. Com ou sem elas teríamos pessoas boas fazendo o bem e pessoas más fazendo o mal. Mas para pessoas boas fazerem coisas más é necessária a religião.”
Steven Weinberg, Físico ganhador do Prêmio Nobel, refutando o “design inteligente” e o suporte científico da teologia, na conferência “Programa de Diálogo Entre Cientistas e Religião”, Associação Americana para o Avanço da Ciência, Washinton DC, Abril de 1999. Artigo de Steven Kloehn, Tribuna de Chicago, 18/4/99 em Corpus Christi Caller-Times
“Eu sou ateu, sou sim. Levei um longo tempo para dizer isso. Eu tenho sido um ateu por anos e anos, mas de algum modo eu senti que era intelectualmente inaceitável dizer que alguém é um ateu, porque isso assumia um conhecimento que ninguém tem. De algum modo era melhor dizer que alguém era um humanista ou agnóstico. Eu não tenho a evidência para provar que Deus não existe, mas eu suspeito tanto que ele não existe que eu não quero perder meu tempo.”
Isaac Asimov
“A religião é o ópio do povo”.
Karl Marx.
“A religião é vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelos inteligentes como falsa, e pelos governantes como útil”.
Seneca, o Mais Jovem
“Religião é ilusão.”
Thomas Edson.
“Eu sou contra a religião porque ela nos ensina a nos satisfazermos ao não entender o mundo.”
Richard Dawkins
“Religião é uma coisa excelente para manter as pessoas comuns quietas”.
Napoleão Bonaparte
“O cristão comum é uma figura deplorável, um ser que não sabe contar até três, e que, justamente por sua incapacidade mental, não mereceria ser punido tão duramente quanto promete o cristianismo”.
Nietzsche.
“Quanto mais aprendemos, de menos deuses precisamos. A crença em Deus é somente a resposta de um mistério por outro mistério, dessa forma não respondendo nada”.
Dan Barker.
“Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, sem dúvida que viria falar comigo e entraria pela minha porta adentro dizendo-me: ‘Aqui estou!’”.
Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa, 1888-1935), em “O guardador de rebanhos, 1911/ 1912″.
“Deus é uma hipótese, e, como tal, depende de prova: o ônus da prova cabe ao teísta”.
Percy Bysshe Shelley (1792-1822).
“Eu não temo morrer e ir pro Inferno ou (o que seria consideravelmente pior) ir para a versão popularizada do Paraíso. Eu espero que a morte seja um nada e, por me remover todos os medos possíveis da morte, eu sou muito agradecido ao ateísmo.”
Isaac Asimov, como citado na Corvallis Secular Society, 1997
“A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo Domingo, cantando, ‘Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amém.’”
Dan Barker, ex-evangélico e autor
“Eu sou ateu porque não há evidência para a existência de Deus. Isso deve ser tudo o que se precisa dizer sobre isso: sem evidência, sem crença.”
Dan Barker, Perdendo a Fé na Fé: De Padre A Ateu
“A fé é a crença ilógica na existência do improvável.”
Fernando Krynski Bianchi
“Se a bíblia está errada ao nos dizer de onde viemos, como podemos confiar nela ao dizer pra onde iremos?”
Justin Brown
“Cada vez que ouço cristãos falarem de moral, sinto revoltar-me o estômago”.
Karlheinz Deschner.
“Não posso provar que deus não existe, mas também não posso provar que cogumelos não poderiam estar em espaçonaves intergalácticas nos espionando”.
Daniel Dennett.
“Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existem muito mais crentes do que pensadores.”
Bruce Calvert
“A inspiração da Bíblia depende da ignorância da pessoa que a lê”.
Robert G. Ingersoll, político e professor Americano.
“Por simples senso comum não acredito em Deus, em nenhum.”
Charlie Chaplin, no “Manual do Ateísta Perfeito” por Rius
“Deuses são coisas frágeis; eles podem ser mortos com uma baforada de ciência ou uma dose de senso comum.”
Chapman Cohen
“Seres humanos nunca pensam por si mesmos, acham muito desconfortável. Na maior parte, os membros de nossa espécie simplesmente repetem o que lhes é dito – e ficam aborrecidos quando expostos à qualquer ponto de vista diferente. O traço característico humano não é o conhecimento mas a conformidade, e a característica resultante é a guerra religiosa. Outros animais lutam por território ou comida; mas, singularmente no reino animal, os seres humanos lutam por suas ‘crenças.’ A razão é que as crenças guiam o comportamento, que tem uma importância evolucionária entre os humanos. Mas numa época onde o nosso comportamento pode nos levar à extinção, não vejo razão para assumir que temos qualquer conhecimento. Somos conformistas teimosos e auto-destrutivos. Qualquer outro ponto de vista da nossa espécie é apenas uma ilusão auto-congratulatória.”
Michael Crichton em “O Mundo Perdido”
“Eu era ortodoxo na época em que estive a bordo do Beagle. Lembro-me de provocar gargalhadas em vários oficiais por citar a Bíblia como uma autoridade incontestável (…). Nesse período, entretanto, percebi pouco a pouco que o Velho Testamento (…) não merecia mais confiança do que os livros sagrados dos hindus ou as crenças de qualquer bárbaro. (…) Eu não estava disposto a desistir de minha crença com facilidade, lembro-me das inúmeras vezes em que inventei devaneios com a descoberta de antigas cartas entre romanos ilustres e de antigos manuscritos em Pompéia, ou em algum outro lugar, que confirmassem de maneira admirável tudo o que estava escrito nos Evangelhos. Mas eu tinha uma dificuldade cada vez maior, soltando as rédeas de minha imaginação, de inventar provas suficientes para me convencer. Fui tomado lentamente pela descrença, que acabou sendo completa. A lentidão foi tamanha que não senti nenhuma aflição, e desde então nunca duvidei de que minha conclusão foi correta. Aliás, mal comigo entender como alguém possa desejar que o cristianismo seja verdadeiro.”
Charles Darwin, Autobiografia 1809 – 1882
“A ignorância suplica confiança mais freqüentemente do que o conhecimento: são aqueles que sabem pouco, e não os que sabem muito, que afirmam tão positivamente que esse ou aquele problema nunca serão resolvidos pela ciência.”
Charles Darwin, Introdução, The Ascent of Man, 1871
“Se render à ignorância e chamá-la de Deus sempre foi prematuro, e continua prematuro até hoje.”
Umberto Eco
“Se deus queria que as pessoas acreditassem nele, por que então ele inventou a lógica?”
David Feherty, jogador de golfe da PGA Tour
“Quando o primeiro espertalhão encontrou o primeiro imbecil, nasceu o primeiro deus.”
Millor Fernandes
“[É] possível atrever-se a considerar a neurose obsessiva como o correlato patológico da formação de uma religião, descrevendo a neurose como uma forma de religiosidade individual, e a religião como uma neurose obsessiva cultural.”
Sigmund Freud, Atos obsessivos e práticas religiosas-1907
“Já uma vez antes, como crianças de tenra idade, nos encontramos em semelhante estado de desamparo, em relação a nossos pais. Tínhamos razões para temê-los, contudo estávamos certos de sua proteção. Com relação à distribuição dos destinos, persiste a desagradável suspeita de que a perplexidade e o desamparo da raça humana não podem ser remediados. Isto justifica o anseio do homem pelo pai e pelos deuses, que mantém sua tríplice missão: exorcizar os terrores da natureza, reconciliar os homens com a crueldade do destino, particularmente a demonstrada pela morte, e compensá-los pelos sofrimentos e privações que a vida lhe impôs. Assim se criou a religião, da necessidade que tem o homem de tolerar o desamparo, e construída com o material das lembranças do desamparo de sua própria infancia, na continuação de um protótipo infantil universal.”
Sigmund Freud, O Futuro de uma Ilusão
“Desde que o universo tenha um começo, podemos supor que ele teve um criador. Mas se o universo é completamente auto-contido, não tendo fronteiras ou bordas, ele não seria nem criado nem destruído… Ele simplesmente seria. Que lugar há, então, para um criador?”
Stephen W. Hawking, cientista Inglês
“Você nunca vê animais fazendo as absurdas, e às vezes horríveis, enganações da mágica e da religião. Apenas o homem se comporta com tal enganação gratuita. Esse é o preço que ele tem que pagar por ser inteligente mas não, porém, inteligente o suficiente.”
Aldous Huxley, autor
“A fé é freqüentemente a vaidade do homem que é muito preguiçoso para investigar.”
F. M. Knowles
“Algum homem primitivo um dia inventou a faca, para cortar peles e alimentos. Eis o cientista. Outro roubou seu invento e então o usou para matar. Eis o empresário. Outro regularizou aquele roubo e os assassinatos. Eis o político. Outro justificou a matança dizendo que era o desígnio de algum deus. Eis o religioso”.
Francisco Saiz.
“As instituições religiosas são a cegueira do pensamento crítico”.
Victor Mendonça.
“‘Superstição’… que palavra estranha esta! Se a gente acredita no bom Deus, isto se chama ‘ter fé’, mas se a gente acredita em astrologia ou na sexta-feira 13, o nome muda para ‘superstição!’”.
Sofia Amundsen em “O Mundo de Sofia” de Jostein Gaarder.
“Através dos anos percebi que o deus pra quem eu rezava era o deus que eu inventei. Quando eu falava com ele, falava comigo mesmo. Ele não tinha conhecimento ou qualidades que eu não tenho. Quando percebi que deus era uma extensão da minha imaginação, parei de rezar pra ele”.
Howard Kreisner, âncora do programa “The American Atheist Hour”.
“O cético não tem ilusões sobre a vida, nem uma crença inútil na promessa de imortalidade. Já que a vida aqui e agora é tudo o que podemos conhecer, nossa opção mais sensata é vivê-la ao máximo.”
Paul Kurtz, “A Tentação Transcendental” (1986)
“Eu não acredito em Bíblia. Eu não acredito em tarô. Eu não acredito em Jesus. Eu não acredito em Buda. Eu só acredito em mim.”
John Lennon, músico inglês, na música “God”
“A ciência tem provas sem certeza. Os criacionistas tem certeza sem qualquer prova.”
Ashley Montagu
“A mente humana é um sistema muito complicado. Desequilibre esse sistema com falta de oxigênio, drogas ou religião e você terá resultados perigosos.”
Landis D. Ragon
“Para ter certeza que minha blasfêmia está minuciosamente clara, por meio desta declaro minha opinião que a noção de um deus é uma superstição básica, que não há evidência para a existência de nenhum deus(es), que diabos, demônios, anjos e santos são mitos, que não há vida após a morte, paraíso nem inferno, que o Papa é um dinossauro medieval perigoso e intolerante, e que o Espírito Santo é um personagem de história em quadrinhos digno de risadas e escárnio. Acuso o deus Cristão de assassinato ao permitir o Holocausto – sem mencionar a “limpeza étnica” presentemente sendo feita pelos Cristãos no mundo -, condeno e vilipendio essa divindade mítica por encorajar o preconceito racial e comandar a degradação da mulher.”
James Randi, desafiando as leis de blasfêmia em vários estados dos EUA
“Eu condeno os falsos profetas, eu condeno o esforço para afastar o poder da decisão racional, drenar das pessoas sua liberdade de escolha – e um montão de dinheiro na barganha. As religiões variam no seu grau de idiotice, mas eu rejeito-as todas. Para a maioria das pessoas, a religião é nada mais do que um substituto para o mal funcionamento do cérebro.”
Gene Roddenberry, Criador da série Jornada nas Estrelas
“Eles dizem que Deus estava no alto e ele controlava o mundo e portanto devemos rezar contra o Satã. Bem, se Deus controla o mundo, ele controla o Satã. Para mim, a religião estava tão cheia de afirmações erradas e coisas sem lógica que eu simplesmente não podia concordar com ela.”
Gene Roddenberry, Criador da série Jornada nas Estrelas
“Deus, Satã, Paraíso e Inferno, todos desapareceram um dia nos meus quinze anos, quando abruptamente perdi minha fé [...] e além disso, para provar meu ateísmo recém-descoberto, comprei um sanduíche de presunto, e então partilhei pela primeira vez a proibida carde do suíno. Nenhum raio caiu em mim. [...] Desde esse dia até hoje eu me considero uma pessoa completamente secular.”
Salman Rushdie, “Em Deus Nós Confiamos”, 1985
“A Maioria das pessoas preferiria morrer à pensar; de fato, muitas o fazem.”
Bertrand Russell
“Deus existiu sempre? Que é sempre? Deus criou-se a si próprio para depois começar a criar o universo? Onde é que estava deus quando criou-se a si próprio? E como é que alguém se cria a si próprio? Do nada, passando do nada ao ser? Se o nada existiu, tudo que veio depois estava contido no nada. Mas se estava contido no nada, então o nada não existia.”
José Saramago, Playboy de Out/98
“Se deus existe e criou o homem há não sei quantos milhões de anos, o que é que ele fez desde então?”
José Saramago, Playboy de Out/98
“Não existe deus senão o homem.”
Raul Seixas
“Se existisse um Deus bondoso e todo-poderoso, teria feito exclusivamente o bem”.
Mark Twain.
“O fato que um crente é mais feliz do que um cético não é mais pertinente do que o fato que um homem bêbado é mais feliz do que um sóbrio. A felicidade da credulidade é uma qualidade barata e perigosa.”
George Bernard Shaw
“O argumento da primeira-causa e do primeiro-movimentador, brilhantemente proferido por São Tomás de Aquinás no século quatorze (e brilhantemente refutado por David Hume no século dezoito), é facilmente posto de lado com apenas mais uma pergunta: Quem ou o que causou e moveu Deus?”
Michael Shermer
“No reino da ciência, todas as tentativas de encontrar qualquer evidência de seres sobrenaturais, de concepções metafísicas, como Deus, imortalidade, infinito, etc., falharam, e se nós somos honestos, devemos confessar que na ciência não existem Deus, imortalidade, alma ou mente fora do corpo.”
Charles P. Steinmetz, inventor e engenheiro Americano, American Freeman, Julho de 1941
“Estou enjoado de todas as religiões. A religião dividiu as pessoas. Não creio que exista qualquer diferença entre o papa vestir um chapelão e andar pra lá e pra cá com uma bolsa fumacenta e um Africano pintar sua cara de branco e rezar pra uma pedra.”
Howard Stern
“Invocar o não-conhecível para explicar o “Desconhecido” é um beco sem saída intelectual.”
Neal M. Stevens
“A ciência está aberta à crítica, que é o oposto da religião. A ciência implora para que você prove que ela está errada – que é todo o conceito – onde a religião o condena se você tentar provar que ela está errada. Ela te diz aceite com fé e cale a boca.”
Jason Stock
“Ser um ateu requer força mental e bondade de coração encontradas em um entre milhares.”
Samuel Taylor Coleridge, poeta, crítico, jornalista e filósofo Inglês
“Mitologia é aquilo no que os adultos acreditam, folclore é aquilo que eles contam para seus filhos, e religião é ambos.”
Cedric Whitman, carta para Edward Tripp, 1969
“A fé pode ser definida brevemente como uma crença ilógica na ocorrência do improvável”.
Henry Louis Mencken.
“Se 5 bilhões de pessoas acreditam em uma coisa estúpida, essa coisa continua sendo uma coisa estúpida”.
Anatole France.
“Como todas as religiões, a Sagrada Religião da Unicórnio Rosa Invisível é baseada sobre Lógica e Fé. Nós temos Fé que Ela é Rosa; nós Logicamente sabemos que Ela é Invisível, porque nós não podemos vê-la”.
Anônimo, paródia criada por ateus.
“Eles vieram com uma Bíblia e sua religião – roubaram nossa terra, esmagaram nosso espírito… e agora nos dizem que devemos ser agradecidos ao ‘Senhor’ por sermos salvos”.
Chefe Pontiac, Chefe Indígena Americano
“As mulheres ainda sentirão orgulho por não terem jamais contribuído uma linha sequer na redação da Bíblia”.
George W. Foote.
“Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível”.
Albert Einstein.
“Eu rezei por vinte anos mas não recebi nenhuma resposta até que rezei com as minhas pernas.”
Frederick Douglass, escravo fugitivo
“‘Não houve conversão no leito de morte,’ disse Druyan. ‘Nenhum apelo a Deus, nenhuma esperança sobre uma vida pós morte, nenhuma pretensão que ele e eu, que fomos inseparáveis por vinte anos, não estávamos dizendo adeus para sempre.’
‘Ele não queria acreditar?’ ela perguntou.
‘Carl nunca quis acreditar,’ ela respondeu ferozmente. ‘Ele quis SABER.’”
Ann Druyan, esposa de Carl Sagan, na revista Newsweek
“= PRECE HONESTA =
Querido Senhor, me ame hoje e para sempre, abençoe minhas alma e consciência todos os dias, concorde com todas as minhas decisões, puna meus inimigos até que eu esteja satisfeito, me dê grandes quantidades de dinheiro, prometa sempre me ajudar a vencer, olhe pro lado quando eu trapacear, justifique minhas desculpas e acredite em todas as minhas mentiras, obedeça meus desejos, e reserve a parte mais luxuosa do paraíso só pra mim. Vou ser agradecido contanto que você faça o que digo. Amen.”
Wally Kaspers, do LUMPEN vol. 5, Nos. 8/9
Agora uma frase cristã famosa , com um ser que tinha muito Deus no coração, não é Seu Datena?
“Acredito hoje que estou agindo de acordo com o Criador Todo-Poderoso. Ao repelir os Judeus estou lutando pelo trabalho do Senhor.”
Adolph Hitler, Discurso, Reichstag, 1936
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
skizoyds - motorpsycho clipe, dirigido por cleiner micceno
clipe da banda skizoyds de sta isabel dirigido por mim confiram
http://www.youtube.com/watch?v=h__8EY6AxpE
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
somersault blues
Ela bateu à porta, quis entrar a base de facadas.
Corroeu os sentimentos, desfez a delicadeza, empunhou a arma e atirou nos pés.
Se julgou usada, mas tinha usado seu pior sorriso
Os dentes amarelados de uma caveira velha escondiam as obturações dos seus sentimentos.
Queria flores e dava estocadas em troca. Queria rosas para enfeitar seu próprio caixão que ela mesmo velava.
Gritou, ficou rouca e emudeceu, suas palavras estavam em um tom alto demais, desagradável demais, os ouvidos ensurdeceram nos primeiros berros, sangraram no decorrer dos dias.
A menina era pura, intocada, inerte e imatura, sua imaturidade venceu a pureza e a pureza se perdeu na lama.
Uma nota em sustenido rosnou na cabeça, um blues dissonante, de um choro que se prendeu tempo demais na garganta errada.
Quando se cultiva ervas daninhas, mesmo que delas nasçam flores elas serão uma praga.
Obsessiva em possessão do momento, perdeu a hora, perdeu o dia, perdeu o que tinha e não ganhou nada a não ser sua própria porta sendo fechada em sua cara.
Se entregou ao primeiro que soube utilizar seu sofrimento contra ela mesma.
Caiu na lábia falsa, se entregou por ódio, raiva e motivos errados.
Sua aparente felicidade, guarda no seu mais profundo ser, a tristeza de uma centena de vidas.
Emula sentimentos que não são seus, por pessoas que não são elas.
Destroços, frases ríspidas, gênio ruim e medíocre, simplicidade falsa, orgulho escondido mas latente.
Nega, mas adora sofrer, se excita com a foice a chibata, se estimula com a possibilidade da humilhação. Retorce-se de prazer com o sofrimento, solta suspiros que mesclam choro e deleite.
Sua língua beija a boca do anjo, pensando no demônio.
Suas vestes brancas já estão pardacentas, da lama que ela mesma se impôs.
Os sinos bateram, a morte chegou perto, de sobressalto em sobressalto, de tristeza em tristeza sua mentira fere o próprio coração que cai em pedaços e em cada pedaço nasce uma chaga púrpura, que brilha diretamente em seus olhos, cegando-a e destruindo o que restou de seus sentimentos .
Está sendo punida por seus próprios méritos.
E o blues é a única coisa q toca-lhe a alma
por cleiner micceno
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terça-feira, 5 de abril de 2011
Balada sangrenta. BEAT de uma nota só
Os canos de descarga dos carros lançavam tufos de fumaça na noite lamacenta, homens moribundos cambaleavam nas esquinas depois da maratona de botequins sujos e boates pouco recomendáveis, o neon desbotava a calçada cheia de manchas, putas , cafetões e traficantes baratos. O dinheiro escorria pelo esgoto, pelas veias dos viciados e pela gonorreia social. Nas buzinas a sinfonia noturna seguia seu caminho desesperado. Viam-se ao longe apenas espectros que outrora foram humanos, um solo de sax vazava de uma casa noturna, as notas caiam nas ruas como uma chuva fina de inverno, era só seguir a névoa feita pela fumaça dos cigarros e dos charutos baratos, comprados por dez pratas a dúzia. Um tiro era ouvido aumentando a sinfonia da urbe, era apenas mais sangue que escorria pelos becos, inundando os gatos mortos e os restos de mendigos esquecidos pela vida. Uma puta gritava ao longe. Sirenes cortavam a noite como uma faca afiada, os neons eram substituídos pelo giroflex bem menos glamoroso, mas tão decadente quanto. O letreiro de um sex shop piscava de forma irregular, espantando as mariposas que queriam se esconder. Nem a mortalha, as luzes ou a deterioração faziam o giro constante dos motores cessarem, como se o mundo fosse continuar em um moto perpétuo de degradação e loucura sempre no fio da navalha até as ultimas consequências. O barulho das garrafas que rolavam pelo chão batendo nos sapatos dos velhos carcomidos são apenas restos de vida, em ambos os lados. Os metrôs e os trens recomeçavam sua marcha frenética, os supostos homens de bem se desentocavam para mais uma manhã radiante, partindo de forma maquinal para sua marcha de morte. Os seres noturnos se recolhiam, se entocavam e entravam na sua hibernação foto fóbica á espera da próxima lua que ficava escondida pela fumaça e pelo alcatrão. Mais uma esperança de um gole que sobrava sempre no fundo do poço, e mais e mais brindes se levantavam em honra de coisa nenhuma. E uma chuva fina de notas musicais caía sobre a cidade assim que o dia terminava, e os canos de descarga dos carros lançavam tufos de fumaça na noite lamacenta...
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sexta-feira, 25 de março de 2011
pratos quebrados e corações partidos

Saia da minha casa! Julia disse gritando, um grito agudo como uma doninha encurralada guinchando.
- Ainda é cedo. Afirmei de modo lacônico como a ocasião pedia, mas nem tudo que falamos chega ao interlocutor da mesma forma que imaginamos. Então ela agilmente arremessa um prato em minha direção com a agilidade de um ninja daqueles filmes ruins de sessão da tarde, mas, por sorte ela não tem a mira deles e o prato passou zunindo pela minha cabeça e se chocou na parede da sala.
- Porra! Esse prato é a mais pura louça da china! Sei lá, acho que um dia isso queria dizer alguma coisa, mas não atualmente pelo que notei.
- Tem muitos mais de onde veio esse se você quer saber, minha mãe pegou uma promoção na loja de 2 reais!
- 1 e 99! Bradei como um pastor da igreja universal.
E a ninja do apartamento 22 recomeçou o ataque, ela arremessava cada vez com mais rapidez e para minha alegria, com pior pontaria.
- Mas meu docinho... Pulei para trás do sofá enquanto argumentava.
- Meu docinho a puta que o pariu! E ela arremessou com mais raiva ainda.
Com os pratos ribombando próximos de mim eu só imaginava quanto a mãe dela tinha de grana no dia que comprou os pratos, não é possível, não acabavam mais.
- Meu amor, vamos conversar como duas pessoas civilizadas! Gritei de minha trincheira atrás do sofá.
-Meu amor o cacete, vai falar isso para aquela vagabunda...
Ai eu me irritei. – Vagabunda não, ela é muito religiosa! Gritei isso e corri para meu abrigo anti-pratos.
- Ah claro santinha do pau oco, do pau e do oco pelo jeito! Achei isso uma coisa espirituosa. Vou usar algum dia.
- Mas você está tirando conclusões precipitadas... Disse no melhor tom que consegui encontrar. Os pratos pararam por alguns segundos, ela havia dado uma pausa, ou porque estava refletindo sobre o que eu disse, ou havia acabado finalmente a munição comprada pela sogra. Resolvi olhar de forma bem cuidadosa por cima de meu bunker. Coloquei os olhos por cima do sofá e vi uma caneca voar quase do meu lado. Droga agora começou a munição reserva.
Ela estava gritando alguma coisa impronunciável e entre um guincho e um arremesso e outro ela falava:
- Sa...fa...do , conclusão... precipitada ... filho da... puuuuuuttaaaaaaaa...
Entre esse lindo dialogo ouço alguém bater na porta de forma bem pouco educada e berrar.
- Polícia abra essa porta... Ou vamos arrombar...
Eu levantei com cautela. Ela estava na cozinha, provavelmente procurando mais presentes da mãe, para me jogar. E numa demonstração de agilidade Shaolin... Sim eu sei, tenho de parar de ver filmes ruins... Me adiantei e abri a porta arrumando os cabelos e tentando fazer a melhor cara possível.
- Boa tarde Seu guarda, o que podemos ajudá-lo?
Ele não foi muito gentil, abriu a porta num safanão e entrou com mais dois gorilas fardados.
- Ouviram gritos e muito barulho aqui no seu apartamento e nos chamaram para atender a ocorrência. O que esta acontecendo aqui?
Enquanto o policial falava ele analisava a situação da sala de guerra, era difícil dar uma desculpa decente.
- Estávamos treinando para o casamento judeu de um amigo nosso... Vocês sabem né sempre se quebram pratos em casamento judeu...

- É casamento grego que se quebra prato. Falou um dos gorilas.
- Como você sabe disso cabo? Perguntou o policial que me interrogou antes, ele devia ser o chefe da matilha.
- É que eu já fiz bico de segurança em um casamento grego. Falou meio sem jeito de forma meio envergonhada.
- E o judeu você quebra um copo, alguém pisa em um. Retorquiu o outro gorila que estava com arma em punho.
- E você como sabe disso? De novo o chefe.
- Ah trabalho de garçom em bufê nos dias de folga, sabe como é né, o soldo não é grande coisa né sargento.
- Que maravilha e nunca me convidam para essas coisas, vocês sabem que eu gosto de comidas exóticas...
Nisso a ninja do apartamento 22 sai aos prantos da cozinha e entra na sala correndo e chorando. Os policiais apontam as armas para ela, que para de supetão. Ela parara de chorar e com muita calma, já com as mãos erguidas no susto, começa argumentar polidamente com os policiais com a voz mais doce do mundo. Uma pequena pausa aqui, como uma mulher consegue acelerar de 0 a 300 em segundos e depois para 0 de novo como se fosse a coisa mais simples do mundo. Acho impressionante isso. Bem voltemos ao que interessa.
- Por favor policiais, desculpem terem perdido seu tempo, nós só estávamos tendo uma discussãozinha aqui...
- Por causa do casamento grego? Perguntou o cabo.
Ai ela caiu em prantos de novo.
- Que casamento grego que nada, esse filho da... mãe aí... peguei ele acariciando a filha da faxineira quando cheguei em casa...ela estava toda assanhada... se contorcendo enquanto ele estava com as mãos nas costas dela...
- Isso procede cidadão? Perguntou o sargento para mim com cara de desaprovação. Pô justo agora que já achava que tínhamos ficado amigos ele me chama de cidadão.
- Não foi bem assim capitão. Sempre bom aumentar divisas nessas horas. – Sabe como é, ela nem deixou explicar... A menina coitada saiu daqui correndo debaixo de tapa e nem tivemos tempo de nos explicar...
- Bom agora é uma boa hora... Disse o sargento ele deve ter gostado do capitão.
- Bem a pobrezinha tinha se enroscado nos enfeites pendurados, enquanto limpava a estante... E eu fui apenas ajudá-la, sabe como é né... Sou um cavalheiro.
- Você é um mentiroso! Gritou a ninja.
Pelo menos os ninjas da sessão da tarde são silenciosos.
- Claro que não meu doce de coco, é que você viu de um ângulo que não fazia jus a realidade e você se precipitou.
Ela estava emburrada e com cara bem pouco amigável. E a cumplicidade masculina, que é um dom divino, uma coisa como as leis da natureza, tão inerente a sobrevivência da espécie desde seus tempos imemoriais, veio em meu socorro.
- Bem então vamos fazer a reconstituição do suposto crime e tirar a prova disso já ...
- Como assim? Ela perguntou estupefata.
- Simples vamos reconstituir a cena e daremos o veredito, se ele está falando a verdade ou não. O sargento disse isso e olhou magnânimo com o rei Salomão.
- Soldado Tavares vá lá, você vai ser a filha da empregada...
- Pô justo eu sargento? E foi resmungando perto da estante.
- Vá lá você... Apontando para mim. – Fique onde você estava e coloque o soldado Tavares no lugar que a menina se enroscou... E a senhora ai vai lá para a porta, vamos organizar isso.
E lá fomos todos nós para os lugares, sendo dirigidos pelo Spielberg da Vila Mariana.
- Todos à postos?
-Sim. Gritamos em uníssono.
- Então... Ação! Ele tava levando isso bem a sério, me senti até o Tom Cruise.
O soldado Tavares tinha se enroscado em alguma coisa da estante para dar veracidade ao personagem e eu fui lá desenrosca-lo. Mas não acho que fiz bem o papel, faltava estímulo, sei lá, a filha da empregada era mais inspiradora. Bem me empenhei o melhor possível com o enredo e com o elenco presente, mas, acho que não ganharia um Oscar, acho que nem um Kikito. Pelo menos fui convincente, o diretor também não era muito exigente. A Julia, ou melhor, a ninja, viu de novo a cena e notou que a montagem era bem parecida com a original que ela presenciara meia hora antes e teve que capitular, e confessar que ela poderia estar enganada.
- É policial, acho que me precipitei mesmo... Confesso que realmente acho que exagerei...
- Sim senhora, mas é nossa função também tentar resolver as coisas da melhor forma possível, nem só de prender pessoas a gente vive.
- Tudo bem, agradeço ao senhor, eu ofereceria um café para compensar tudo que fez pela gente, mas acho que não tenho mais xícaras...
- Ah não temos luxo não pode ser em copo mesmo... Disse o soldado Tavares ainda se desvencilhando da estante, derrubando uns badulaques que foram presentes da mãe de Julia. Pensando nisso agora, será que essa velha só compra essas promoções?
Bem depois de uns dez minutos e um cafezinho em copos de plástico e uma caneca do Mickey que havia sobrado. Fui acompanhar os valorosos policiais até a porta, só ouvi o sargento falando no caminho para o elevador:
- Porra Tavares você tem que me avisar quando tiver mais desses casamentos gregos, pode me chamar para uns troianos também, não ligo não...
Fechei a porta e fui ajudar Julia a recolher os cacos no chão, ela estava bastante triste. Ela olhou para mim e veio pedir desculpas, me deu um abraço forte e eu falei:
- Calma docinho, está tudo bem, você não precisa ser tão impulsiva, tem que se controlar mais só isso.
- Eu sei, eu sei, você desculpa esse meu gênio terrível?
- Claro que sim, agora está tudo bem. Enquanto dizia isso eu estava imaginando onde seria a loja que a mãe de Julia achou a promoção de pratos, to meio sem grana e os pratos são resistentes... E também preciso ligar para a filha da empregada e marcar de ver a tatuagem que vai das costas até o meio das coxas, que ela ia me mostrar bem naquela hora que Julia chegou, afinal fiquei curioso.
Escrito por Cleiner Micceno
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quinta-feira, 17 de março de 2011
Irritação, aspirinas e escadarias
Sei que isso parece errado, ainda mais com toda essa baboseira de politicamente correto por ai , mas foda-se, meu único momento de triunfo essa semana é saber que consegui ser melhor que um velho de sessenta e sete anos e ninguém tira isso de mim. Já estava quase morrendo na escada quando cheguei a porta que dá acesso ao meu andar, ai passa o velho Zico, atrás de mim com todo vigor e ainda me cumprimenta alegre:
- Olá vizinho, um pouco de exercício sempre é bom né? E sobe cantarolando uma música dessas que são horrendas mas que grudam na cabeça. Eu fiquei lá, pasmo , esgotado e ouvindo o filho de uma boa puta subindo cantando algo como “o movimento é sexy, o movimento é sexy...”
- Desgraçado, você pelo menos podia ter um bom gosto musical! Lógico que não gritei, mas resmunguei isso enquanto abria a porra da porta. Abri meu apartamento ainda remoendo a situação. Meu apartamento parece que foi acometido por um furacão, e esse era para ser meu pódio depois de minha subida do Everest de quatro andares, mas o Zico tirou esse gosto de vitória de minha boca.
Fui para o banheiro tomar um merecido banho. Abri a torneira e fui bombardeado por agua gelada. - Maldito seja! Esqueci dessa merda sem força! Tomei um banho frio a contragosto, e cantarolando “o movimento é sexy, o movimento é sexy...” que porra essa merda gruda na cabeça vontade de jogar o Zico e suas cantorias pela janela do décimo quarto.
Terminei o banho e a maldita cantoria. Uns cinco minutos depois a luz voltou. Eu me peguei xingando a luminária. Ela não ligou.
Preparei tudo, vinho no gelo, velas, parece romântico, mas as velas comprei por causa das constantes faltas de luz elétrica. Fiz um ensopado à moda espanhola que é minha especialidade, comprada na esquina, logicamente feita por alguém que sabe cozinhar que não é meu caso. Preparei tudo arrumei a casa do jeito que deu, tava tudo mais ou menos certo. Clara chegou, deslumbrante em um vestido hippie de butique, parecia até um lindo abajur que vi na rua outro dia.
Ela estava meio inquieta, pedi para ela se sentar na mesa à luz de velas e com as taças prontas para serem enchidas. Ela disse que queria falar algo importante, eu retruquei que devíamos comer antes e falaríamos durante o jantar. A verdade era uma só, pra falar a verdade duas, uma que eu tava morrendo de fome e a outra que eu queria que ela bebesse logo para “fazermos amor”. Clara entre uma garfada do ensopado e um gole do vinho me disse que tava tudo terminado: - Po, tá bom esse ensopado hein, ah acho que não rola de ficarmos mais juntos, era isso que queria te dizer, sei lá perdi a vontade.
Quase perguntei se ela queria mais vinho com ou sem arsênico. Eu fiz cara de paisagem, tentando fazer a pose mais blasée possível, queria mostrar que também era um cara moderno, adulto, que lida bem com essas coisas. Mas no fundo tava era puto da cara, imaginando: - Fazer amor o caralho, fina só se for lá na cadeia, porque ela sozinha devorou quase todo ensopado. Eu perdi a fome para ser sincero.
Eu tinha ficado semimudo enquanto ela tagarelava horrores. Ela olhou para o relógio viu a hora e falou:
- bem vou nessa nos vemos por ai, valeu pelo rango depois precisa me passar a receita! Se levantou da mesa tacou um palito de dente na boca e saiu. Eu fiquei lá parado olhando a cena, devia ter falado pelo menos que a receita é do cara do barzinho da esquina, eu devia ter falado tudo que achava daquela situação, mas fiquei quieto e lavei os pratos.
Depois de lavar os pratos fui tomar um gole do vinho afinal eu tinha desistido de beber antes. A campainha toca, eu imaginei: - Será que ela resolveu voltar e “fazer amor”? Ledo engano era só o Constantin que tava de passagem.
Filho da puta, veio filar um rango! mas só imaginei
- Tudo bem Constantin, a Clara acabou de me dar um fora, ia mesmo beber...
- Porra cara que merda hein, o que você tem ai para comer?
Quanta preocupação com minha pessoa né seu filho da puta – imaginei mais uma vez.
- Tem um pouco de ensopado do bar do seu zé ali, ou pelo menos o que restou dele depois da passagem da clara pelas panelas.
- Porra, só tem uma Merreca, posso pegar uns biscoitos e um pão ali para dar uma aumentada no rango?
Porque você não leva também meu dinheiro? Imaginei de novo.
- Pode e para de me encher quero tomar um porre.
- Po legal, posso acompanha-lo ? Também to a fim de tomar um porre.
Claro, sou eu que to pagando né desgraçado! – imaginei pela quarta vez.
- Tudo bem, to ali na sala quando terminar ok? Enchi um copo de vinho com o que sobrou da garrafa, entornei com tudo, mas não tinha sobrado muita coisa, a Clara parecia um enxame de gafanhotos. Fui até ao armário e peguei a única coisa bebível que tinha lá, uma garrafa de uísque Green Valley, era terrível. Já tomei uns analgésicos junto para me prevenir da dor de cabeça. Ou seja meu dia ainda estava uma merda.
- Porra que merda hein? Veneno puro! Falou isso e se serviu de mais uma dose.
Reclamei da vida com Constantin, que pelo menos serve para isso, ele não fala quase nada que preste, mas pelo menos presta atenção. Ai ele foi embora lá pelas três da manhã, de porre. Pelo menos o Green Valley propicia isso.
Fui dormir. Nem o porre e nem os analgésicos tinham ajudado, pois a dor de cabeça começou a se avizinhar e eu não conseguia dormir. Enquanto estava deitado rolando na cama comecei : - “O movimento é sexy, o movimento é sexy...”
- Cacete! Zico filho da puta.
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domingo, 27 de fevereiro de 2011
E assim caminha a humanidade - um conto metafísico
Não podia mais entender todo aquele lance metafisico que estava lendo, os porquês da alma, da vida, da situação mundial e a alta do aluguel. A situação era desesperadora. Porque ninguém fala tudo de forma simples, como o quitandeiro que coloca lá: Uma dúzia de laranjas por 3 reais.
Assim realmente não é possível. Kierkegaard, falava e falava em relações da vida, como viver pode ser um eterno confronto e todas essas coisas e ele não sabia cozinhar uma receita de lentilhas decente.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Decadência e restos humanos - Uma comédia do cotidiano

Estávamos eu e Constantin, ele havia chegado há pouco de viagem e insistiu depois de algumas horas para que saíssemos para uma festa no apartamento de Camile, uma putinha da alta que adorava chamar uns basbaques da sua roda e uma fauna de artistas boêmios que viviam bêbados e reclamando da vida; um mais genial que o outro. Eu odiava esse tipo de gente tanto um quanto o outro grupo, mas Constantin estava eufórico, pois tinha transado com Camile no banheiro de uma boate suja uns tempos atrás e sempre achava que conseguiria de novo. Acho que essa era sua forma de vingança com esse tipo de gente idiota.
Bem fomos lá os dois, Constantin era do tipo magro, parecia um palito com braços, nariz adunco e olhos eternamente esbugalhados como se tivesse sempre levando sustos; usava um chapéu de aba curta, e um terno azul royal. Se estivéssemos em Jersey provavelmente ele seria confundido com um dos cafetões que rondam as esquinas com seu cartel de putas baratas.
Eu estava sem saco para essas coisas . Coloquei a primeira coisa vi, um surrado blusão de couro que comprei na loja de penhores, que o dono jurava que pertenceu à um combatente da segunda guerra, mas acho que a etiqueta, feito no México , descartava qualquer hipótese, mas isso não vem ao caso. Peguei a porra da jaqueta, uma camiseta surrada e minha faca de estimação, uma butterfly que sempre andava comigo, afinal nunca se sabe até onde a idiotice alheia pode afetar seu tédio.
Subimos dois pares de escadas, uma merda, odeio subir escadas, devia ter ficado em casa, se quisesse fazer exercícios correria da policia.
Entramos na sala já acendi um cigarro, queria achar alguma coisa para beber antes de algum daqueles idiotas virem falar algo. Constantin foi para o canto da sala onde estava Camile, com uma roupa estranha daquelas todas rasgadas, mas que você consegue ver a etiqueta, era falso demais, aquilo tudo era como um grande balão de ar prestes a explodir.
- George há quanto tempo não te vejo?
- Olá Mickey, acho que não tanto quanto eu gostaria.
-George sempre brincalhão, gostaria de te apresentar uma pessoa ... Betty venha cá quero te apresentar um grande amigo, ele é escritor...
Odeio essas apresentações, esses contatos sociais, cada vez mais prefiro a companhia de garrafas que de pessoas.
- Georgie essa é Betty – Disse Mickey com um sorriso quase patético em sua cara de cera. – Nós vamos nos casar em breve e faço questão que você seja padrinho ...
- Claro Mickey, desde que você pare de me chamar de Georgie – Era o que me faltava, além de tudo ainda ser padrinho da burrice alheia. – Olá Betty como você aguenta esse cara? Á ponto de pensar em casar com ele... (Era sério isso, ela até que era bonita)
- Não te disse Betty que ele é um grande brincalhão, adoro esse cara. – Pena a reciproca não ser verdadeira, mas eu ainda estava muito sóbrio para falar isso então só pensei.
- O prazer é meu, Betty.
- Mik me disse que você é escritor.
- Nada apenas rabisco algumas coisas, você sabe como o MIK é exagerado.
- Eu li algumas coisas suas e são bem mais que rabiscos. Eu também gosto de escrever, mas ainda não acho que sejam bons para mostrar para alguém... Mickey a interrompe no meio da frase e diz:
-Georgie você precisa ver os trabalhos de minha doce Betty, são maravilhosos, ela fica encabulada quando falo, mas te garanto cara é material de primeira, você bem que poderia dar uma conferida e mandar para seu editor ...
- Seria um prazer ver seu trabalho Betty – Os olhos dela não desgrudavam dos meus apesar de estar envergonhada com o falastrão do Mickey. E eu só pensava naquele corpo andando por meu quarto de forma bem pouco literária.
Bem cheguei até a garrafa de whisky, parecia que estava me esperando, me acomodei ali perto do balcão, enchi um copo, e bebi em um gole, estava com sede, já enchi outro bem servido e entornei metade, completei de novo pois não gosto de ver o copo meio vazio, dá azar assim como pessimismo.
Queria me tornar invisível e sair de lá ileso sem maiores aporrinhações. Vi Constantin passar com Camile depressa em direção ao banheiro, acho que os dois têm algum fetiche com vaso sanitário. Eu entornei o copo e enchi mais uma vez, pois vi que a noite seria longa, pelo menos o whisky era bom. Gente da alta pelo menos tem grana para comprar algo melhor que a gasolina que costumo beber.
- Hey George, vi seu conto na Black Pole, meu... Achei... Simplesmente... Demais cara. - Ele falava pausadamente, como se cada palavra valesse ouro e tivesse que ser dosada. Isso enquanto alisava aquela barba sebenta, como se nela repousasse uma grande sabedoria.
- Que bom, a policia não achou o mesmo...
- Você... É... Assim... Um cara demais. – Nossa como ele é um sujeito articulado eu imaginei.
Ai a matraca da ninfeta criada com leite maltado começou a falar, fazendo gestos exagerados com as mãos e seu vestido de tecido vaporoso florido subia mostrando as pernas.
- Nossa eu acho que artistas têm um dom divino, manja, conseguem essa iluminação de falar as coisas, acho isso tão incrível, o artista é um ser iluminado, tem uma alma sublime, blá, blá, blá... – Confesso que só consegui ouvir até ai, enquanto a deslumbrada falava, ela era até bonita, tinha umas coxas brancas à mostra, resolvi me concentrar mais nelas do que em suas palavras.
- Você também não acha isso, que os artistas são almas elevadas? Que conseguem transpor as barreiras com seu dom divino...
- Eu não sei, acho que uma garrafa traz inspiração, minha musa é uma garrafa cheia. Essa coisa de artista divino é besteira, não passam todos de farsantes, essa coisa de sair polinizando o mundo com sua sensibilidade é uma idiotice. Um bando de fadinhas de um faz de conta, quero mais que se fodam com toda essa frescura. Levar-se a sério é uma grande bobagem. Desculpem se vocês dois polinizam o mundo, mas eu vou pisar em todas essas flores coloridas que vocês fazem brotar de suas respectivas bundas... Levantei em direção ao banheiro entre os olhares de gatos assustados dos dois. Ainda estava muito irritado, esse tipo de gente azeda um pouco mais meu humor. Então disparei uma frase de efeito, enquanto completava meu copo, que não sei por que já estava vazio de novo.
- O mundo é uma grande bola de merda.
Cheguei e a porta estava fechada, abri de uma vez, lá estava a bunda branca de Constantin subindo e descendo com a Camile por baixo. Passei pelos dois eles nem notaram minha presença. Fui até o vaso mijei com raiva daquela merda de festa, passei de volta e gritei para Constantin :
- Seu filho da puta egoísta, enquanto você fode essa vaca eu tenho que aguentar esse bando de idiotas, eu vou embora! Depois nos falamos...
Sai com raiva batendo a porta o desgraçado nem parou o vai e vem.
Fui abrindo caminho no meio da multidão, agora começavam aparecer os cachorros de rua, aquele tipos ensebados que farejam uma festa, que não conhecem ninguém, mas se infiltram. Tinha algumas putas, uns viciados, só gente de fino trato. Eu peguei o que restou da garrafa de whisky , coloquei debaixo do blusão de couro da segunda guerra do México e trilhei minha própria trincheira para fora daquela merda. Cada dia odiava mais as pessoas e o convívio delas, eu acho que estou ficando maluco, antissocial, sei lá o que mais. Só sei que ali não queria mais ficar, era uma chateação que eu podia ter me poupado. Devia ter pegado a chave da lata velha do Constantin, mas provavelmente eu morreria sufocado com a fumaça.
Já estava descendo as escadas, pronto para uma caminhada de vários quilômetros até minha casa, quando ouço uma voz de mulher me chamando:
- George ... George...
Era Betty, estava sozinha descendo rápido atrás de mim. A noite como mágica se tornou mais interessante de novo.
- Olá pequena, desculpe sair sem me despedir, é que já não aguentava mais essa festa...
-Tudo bem eu também não... Quer ir em casa ver meus textos ?- Ela disse com um olhar muito doce.
- Hhumm não é má ideia, mas sendo sincero não aguento mais a cara do Mickey... – Respondi de forma meio sacana.
- Nem eu, saí da festa e nem dei satisfação. Ele está dormindo em um sofá, depois de ter tomado duas doses, ele é fraco demais para bebida e se torna um imbecil... Realmente não quero carregar aquele peso morto embora... E então vamos?
- Se uma dama me pede com tanta delicadeza seria grosseiro de minha parte não ir,
não acha?
- Com certeza eu veria isso como falta de cavalheirismo.
- Então eu vou, mas estou sem carro, sabe como é, vim de carona...
- Sem problemas vamos no carro do Mickey , eu estou com as chaves , ele não vai se importar mesmo.
-Ok as damas primeiro.
Até que enfim o Mickey serviu para alguma coisa na vida dele. Talvez depois dessa noite eu aceitasse ser seu padrinho...
por Cleiner Micceno
sábado, 6 de novembro de 2010
Réquiem - um curta de Cleiner Micceno
Curta metragem desenvolvido com o grupo de cinema e vídeo de Laranjal Paulista, em uma oficina de Cleiner Micceno, pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, através da Oficina Cultural Grande Otelo de Sorocaba.
O curta é uma jornada pela alma conturbada de um escritor em crise, onde referências a varios filmes assim como simbolos são empregados em um turbilhão, onde unem-se sons e imagens com a declamação do poema “Réquiem” de Cleiner Micceno, cada som e é parte intrínseca de um processo de deterioração da personagem vivido por Chico Cardoso, que tem uma visita do Tempo-Morte- Deterioração personificada por Filipe Sanches, em um rápido flash de lucidez.
Papéis em branco, palavras soltas e o passar do tempo e da vida são a principal ordem expressa no conjunto de toda obra.
O elenco conta com os atores
Chico Cardoso – escritor
Filipe Sanches – tempo morte e deterioração.
Filipe Sanches – tempo morte e deterioração.
Cleiner Micceno - Narração
Dirigido, escrito e editado por:
Cleiner Micceno
Cleiner Micceno
Equipe de Produção:
Jessica Aparecida de Oliveira Campos
Marcelo de Oliveira Campos
Felipe R. Lopes
Ednalva de Oliveira Campos
Aparecido de Oliveira Campos
Lucas Aidan Monteiro
Jeferson José de Moraes Camargo
Mariana Lacerda
Pamela Tais
Gabriela Sousa da Silva
Paulo H. dos Santos
Débora
Emanoel
Marcelo de Oliveira Campos
Felipe R. Lopes
Ednalva de Oliveira Campos
Aparecido de Oliveira Campos
Lucas Aidan Monteiro
Jeferson José de Moraes Camargo
Mariana Lacerda
Pamela Tais
Gabriela Sousa da Silva
Paulo H. dos Santos
Débora
Emanoel
contando com apoio de:
Rafael Barbosa Jatobá
Marcelo Luis Luvisotto
Marcelo Luis Luvisotto
durante o processo
Agradecimentos especiais:
Secretaria de cultura de Laranjal Paulista, em nome de Maria Silvana Pires
E também a Emanoel Móveis e Antiguidades da cidade de Laranjal Paulista , por ter cedido materiais de cena, o tempo e simpatia para com todos, assim como a máquina de escrever que foi imolada na pira da arte. Sem eles esse vídeo não teria sido concretizado.
mambo produções outubro 2010
cleiner.mambo@gmail.com
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