quarta-feira, 7 de junho de 2017
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Urros de um cão
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Anno Zero - Stalker Files #7 - innocent when you dream.
innocent when you dream.
um silvo profundo
a tempestade bate à janela
uma profusão de imagens
cada uma, é tão real
enquanto não se dissipa
com um estalo,
ao longe ,
trovões perturbam o silêncio grave
profundo
relógio toca
cada passo é uma vida que se esvai
______________ * _____________
febre, queima, desvanece com o chegar da madrugada
soluços não são reais o bastante,
estilhaços de realidade, maltratados
vultos flamejantes passam pelo átrio
se atiram, rebatem em minha retina,
dilatada,
noite passa devagar, como nenhuma outra
luvas com garras negras deslizam pelas paredes
disformes
e os estrondos continuam ,
uma valsa desesperada toca
onde a musa vestida em âmbar
desce ao encontro de seu par,
escarlate , desfigurado pela névoa
________________* __________________
entre as folhas, lavadas , a chuva cai em sinfonia
entrecortada pelos raios que pintam o céu
as poças prateadas brilham e a noite torna-se leve
em suspensão ...
...
(os campos eram agradáveis e verdes,
e ainda o são)
antes,
sentado , perto do portão
junto ao cipreste, dormitava sorrindo
um revoar, único, ascendente,
asas em chamas,
sonho se dissipa
cristalino
como a tempestade...
por Cleiner Micceno
quarta-feira, 3 de junho de 2009
stalker files - anno zero #4
PARTE PRIMEIRA
O MONASTÉRIO
claustro de dor
latente como punhal
viés carniceiro , féretro carmim ,
desespero em tons purpúreos.
cruzes obliquas ,
passagens em longos e angulosos caminhos sem fim
ascendente comunhão de impropérios
lábaro solitário ,
descansa em um sono febril de maio
arde em chamas gélidas
prossegue à frente , inexorável
o outono chega leve
PARTE SEGUNDA
O ERRANTE
a névoa cintila na relva
viajante sem rumo
alma em transe
destro com sangue nas mãos
rosto petrificado, marmóreo
em passadas rápidas o esquecimento corroe
em cada estada uma dívida amarga
em cada boca uma palavra de dor
em cada dia uma macula na alma
envolto em seda branca
deserto de sentimentos
branco celeste e azul profundo
amargos passam os dias
lentos , arrastam-se como serpentes
areia goteja grão à grão
PARTE TERCEIRA
SOLITUDE
estrondo notável , frio cortante ,
horizonte longínquo, inatingível
segue , rumo persistente
alma clama descanso,
noite calma , lua brilha
folhas queimam na brisa
brisa essa que rasga o rosto
cada lagrima torna-se uma chaga...
(...tão longe , intocável ...)
recolhe o gládio e dorme,
olhos brilham, sono chega
sonhos ruins povoam a vida e quem sabe a morte
(monástico espúrio
murcha à sombra do estigma)
um cão uiva ao longe
PARTE QUARTA
FÓSFORO E CAL
o tambor toca , triste
a ladainha chega aos ouvidos
o homem desce ao fundo
lentamente a procissão se dissipa
cada palavra parece um rosnar
uma multidão cega e surda
o pão amanhecido parece bom o bastante
alimenta a alma crucificada
mas aumenta a sede,
um grito sobe aos céus
roga a vida além da morte
torna-se um sussurro diante do populacho
cada toque uma dor aguda
cada hora uma pontada de dor
cada minuto sufoca a voz
entornando o ultimo copo
o ultimo gole
a ultima palavra...
sofrida...
escapa.
stalker ...................................................................................................................................
stalker files - anno zero #3
Num dia comum de agosto
Sem pressa nem escrúpulo
De palavras vazias sem sentido
As horas rastejavam nesse momento
Numa supressão de tempo
Uma chama sem calor como vida doente
Desperta em meu peito
Desse lume sem fio
De morte e vida,
Arguto respiro ofegante
Que sobe de meu pulmão
Gosto de sangue em minha boca
O peito dolorido
Tez púrpura de resignação
Tento fugir de mim mesmo
Onde a consciência me cerca
A alma dolorida padece
Escorre no sulco do esgoto
Sacrificada em intenso anseio
Como muco pervertido
De crepitar lutuoso dos ossos de um morto
Um demônio imolado no gelo eterno
Angustiado, como incubo sulfúrico
De crenças sem resultado
De vida sem alegria
Resultado incerto do cotidiano
Que mata-se pouco a pouco
Na sua própria agonia
Sem descanso
Nem crenças
Sem nada para despertar
Do tédio intenso de tudo
Que conduz o dia a dia
Da aurora ao ocaso
Aumentando à beira da morte
O sentimento de pesar
segunda-feira, 1 de junho de 2009
stalker files - verborragia esquizofrenica- anno zero #2
Horas a fio, em camadas de espaço híbrido.
O céu em colapso cai em cacos, estilhaços...
Descendentes de um caos telúrico
Com dentes afiados de latão e piche
Reclamam seu pedaço de carne
Fumaça, fumo e enxofre sob o firmamento
Como almas penadas sem descanso
O sol alaranjado de maio se põe à oeste
Triste como um réquiem profundo
A noite cai em seu traje de luto
Decrepitude... na fome nada é belo
Olhos rasos dágua, fogo fátuo na escuridão abissal
Esqualidez , lampejo de sabedoria tardia
Crânio liso quase sem cabelos
E uma flor selvagem brota em uma cruz através da estrada
Grama dourada, terra incandescente
A lua se quebra em três
O bailar do morto corrompido é grave como a lua
Não se encontra porto, não se encontra ascensão
Ao inferno se desce sem paradas ou estadias
Ao céu inatingível roga-se um ultimo pesar
“Sem rumo a prosa continua, cadeira balança em seu rosnar constante
Das mãos cálidas sente-se uma brandura incomum
A janela apenas mostra um quadro tedioso e continuo
A delicadeza do ressonar não é abalada
O respirar leve não é nunca desfeito
E o mundo desliza em seu fado ...”