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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Anno Zero - Noites brancas



Eu me senti  tantas vezes sozinho
Tantas vezes vil
Ao relento dos sentimentos
Buscando nas luzes da rua
Mortiças
Tantas vezes com frio
Seus olhos
Faiscando
Chamando
Meus olhos
Da miséria humana
Mortiços
Das noites mal dormidas
Das olheiras profundas
Dos vultos esquálidos
Dos seres que vagam
Sozinhos a noite
Que é sempre mais longa
E escura
Um túnel sem fim
Ilusório, sem sentido
Nem as lágrimas, nem a cicuta
Nem as dores, nem o vento frio da madrugada
Nem os amores vazios
Nessa decadência quase absoluta
Dos sentimentos
Dos desvarios
A dor pungente toma, sem pedir licença
Seu sono dormente
Te arrasta para o fundo
Do pesadelo insone
De estar vivo
Nesse
Mundo

Doente

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Versos de um cão


Quando procuro dentro de mim mesmo
Acho apenas indecisão, tristeza e talvez alguma comiseração.
Não sei se sou apenas eu ou o mundo ao redor
Que causa esse desatino , essa impotência , esse desamparo , de gente menor
Essa gente que é a minha laia, o meu pedigree, de cão sarnento de rua que pouco abala
Mas que gane, late e rosna, para todos, nesse beco miserável que se chama vida, ou o hiato antes da vala.
Não sei, apenas acho que o céu e o inferno, é apenas uma questão de ponto de vista
Que seja o defunto tardio, velho e cansado, com a poeira da vida, que não adere a morte por escolha , talvez por preguiça e seja essa a pista
Desse lamurio , desse descompasso, desse desassossego que sinto
E parto ao largo dessa coisa que chamamos de vida.
Nem alma , nem pós morte , os cães apenas latem de dor e da fome que os consome
Sobrevivem de birra no meio desse sonho insone
Buscando a próxima mordida, e a próxima lata, que derruba na sua calçada
Incomodando sua felicidade falsa, e sujando sua fachada ,
Nas minhas mordidas de cão sem alma, procuro tirar sua falsa comodidade
Com a espuma que deito de minha boca , demonstro a raiva que infecta e corrói sua vaidade

Cuidado com os cães sem dono,

Com os largados na rua, eles mordem as mãos dos desavisados
Essa hidrofóbica linha de sentimentos,
Que lacera o pescoço dos incautos
E mantêm o orgulho dos pulguentos.

por Cleiner Micceno

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Entrevista com Cleiner Micceno (Reverend Stalker)

Entrevista com Cleiner Micceno (Reverend Stalker)

Cleiner Micceno ou Reverend Stalker como é mais conhecido, é diretor de vídeo clipes, tem uma banda de Psychobilly chamada The Reservoir Dogs, documentarista e escritor, tem um blog chamado stalker shots (stalkershots.blogspot.com). Um outsider que tem no underground sua principal referência. Independentemente do estilo, acha que o rock´n´roll no Brasil não é valorizado da forma que deveria ser, mas que existem formas de conseguir espaço mesmo nas adversidades com as ferramentas de internet, e mostra que vídeo clipes podem ser feitos com qualidade e com custo reduzido, só ter criatividade e boas idéias. Com vocês Cleiner Micceno

Rock Now – Fale sobre a valorização das bandas e sobre o underground.


Cleiner Micceno - Eu acredito no valor das pessoas que fazem a cena underground em nosso país, cara, aqui é um lugar onde as bandas têm pouco ou nenhum espaço para tocar, os bares nem sempre vêem as bandas de som próprio com bons olhos, e geralmente os caras não pagam um cachê decente, nem bilheteria os caras querem dar para as bandas, o que é ridículo, o cara ganha todo lance do bar, a banda atrai público e nem isso os caras valorizam, ainda mais no interior, para eles a desculpa de sempre é “vocês estão mostrando o trabalho da banda”, pô mas até quando vamos ficar só mostrando o trabalho ahahahaha. Essa não é uma realidade de todas as bandas, mas garanto que de uma boa parcela delas é, infelizmente esse é o nosso país, que tem tradição de samba, pagode, sertanejo, funk e sei lá mais o quê, mas rock é um estilo que nunca foi totalmente assimilado por aqui, e principalmente nunca foi respeitado, já enjoei de ouvir pessoas falando: “-você toca em banda de rock? Ih cara você ta perdendo tempo, isso não dá grana!”. O que essas pessoas que dizem isso não sabem, é que você ta tocando rock porque isso é sua vida e isso que você gosta de fazer e ta pouco se lixando, porque para você isso não é perda de tempo e é o que te move a vida toda, rock´n´roll é um estilo de vida, quem tem banda sabe o que eu to dizendo.

E mesmo com todas essas adversidades dando murro em ponta de faca, as bandas tão ai, acreditando na força da própria música e da própria cena, e essa força é que move a galera, e que os faz não se conformarem e continuar a lutar pelo espaço que lhes é devido, afinal os músicos de rock só querem respeito o resto eles mesmos fazem, como sempre fizeram e com o lance de Internet, Myspace, YouTube, etc as coisas estão melhores hoje que a dez, quinze anos atrás, as Majors já não são mais necessárias, a indústria fonográfica formal está praticamente definhando e isso é irreversível; as bandas hoje podem se auto gerir e conseguir divulgar sua musica, só ter iniciativa e correr atrás, sem intermediários para encher o saco e lucrar com seu trabalho, o lance hoje é saber utilizar as ferramentas que tem a disposição e usar a criatividade. Felizmente o mundo perdeu as fronteiras e você ter uma banda em qualquer parte do país não impede de mostrar seu trabalho.

3 copy

R N – Como você trata cada clipe, considerando os diferentes estilos e referências de cada banda?

C M – Bem ai é um caso interessante, eu venho da cena Psychobilly, que é um estilo pouco conhecido, mas antes de tudo eu gosto de diversas vertentes do rock, gosto de Punk Rock, Metal (geralmente as linhas mais pesadas como thrash, death, grind, splatter, Power, crossover, etc), Hardcore(old school), Rockabilly, Garage Rock, Alternativo e por aí vai, sou bem eclético nos estilos, e como sempre ouvi muita coisa, já escrevi muito sobre música também, então conheço geralmente algumas referências das bandas, pelo menos um básico quando é um estilo muito diferente do que eu gosto, e também sentando e conversando com a banda vemos várias bandas e clipes que são usados como ponto de partida para fazermos o roteiro e eu observo principalmente a estética, que tem que ter a ver com a estética e proposta da banda, procuro sempre que cada vídeo clipe tenha a cara da banda, que ela complemente a música, pois eu acho que o clipe tem que passar verdade sobre a banda, não da para fazer um clipe que fique muito longe do que a banda é, não quero que a proposta pareça fake ou fabricada, gosto de mostrar a atitude das bandas nos vídeos e isso sempre tem dado certo.

clipe banda instinto

R N – Fale um pouco sobre a produção de um clipe?


C M – A produção de um clipe sempre passa por algumas fases, o primeiro passo é o desenvolvimento da idéia e concepção de roteiro básico. Eu sempre faço essa fase junto com a banda, muitos produtores excluem a banda nessa parte, já chegando com idéias próprias, com um roteiro fechado, ou quando falam com a banda eles pegam algumas coisasa apenas, mas procuram sempre que prevaleçam as sua própria concepção; já no meu caso eu gosto de direcionar as idéias que a banda já tem para o clipe, viabilizar o máximo dentro da proposta. Muitas bandas nunca participaram da produção de um vídeo e não tem muita idéia de como é o processo, mas eles já sabem mais ou menos o que querem como resultado, pelas referências de clipes das bandas que gostam, a minha função é chegar a um resultado que agrade a banda no final.

Aí entra a fase mais importante da viabilidade de idéias, ver aquilo que é possível executar dentro do orçamento, ver tudo aquilo que será necessário para a execução, escolher a locação para ser feito o clipe, se será necessário contratar atores para alguma cena, ou seja o clipe antes de tudo tem q ser resolvido uma boa parte no papel, para quando começar a gravar já estar tudo certinho e bem direcionado para não se perder tempo nem grana.

Após tudo certo, aí vem a gravação, cada local tem características que podem ajudar a gravação ou dificultá-la, e com isso a gravação pode se estender por mais dias levando mais tempo para execução, mas é raro na maioria das vezes um clipe básico consegue ser gravado em um ou dois dias, na maioria das vezes.
Acho importante ressaltar que para o primeiro clipe da banda acho sempre importante mostrar a banda e os integrantes, pode-se ter mais cenas, contar uma história e tals, mas é bem importante marcar bem os integrantes, afinal essa é sua apresentação para todos que não te conhecem.

gravação documentario eddy teddy

R N – Além de clipes, no que mais você trabalha relacionado com audiovisual?


C M – Eu sou documentarista, já lancei um documentário longo sobre o PSYCHO CARNIVAL em Curitiba, sobre a história do festival, e estou com material para lançar mais um ano que vem como um complemento. E atualmente estou fazendo um documentário em conjunto com dois amigos (Luiz Teddy E Vebis Jr) sobre a cena Rockabilly Brasileira e sobre o musico Eddy Teddy da banda Cokeluxe, vamos falar sobre o Eddy que foi um músico fantástico dos anos 80 que fomentou muita coisa legal na época, e disseminou o estilo Rockabilly pelo Brasil, é um documentário que já está em andamento com muitos entrevistados legais, como Kid Vinil, Clemente e Ronaldo dos Inocentes, Fábio da banda Olho Seco, os guitarristas André Christovan e Nuno Mindelis, o cartunista Angeli, o critico musical Ayrton Mugnaini Jr, Albert Pavão, Tony Campelo, os Incriveis, The Jordans, e o radialista que trouxe o rock´n´roll para o Brasil nos anos 50 Sossego, ou seja é um material legal que estamos ainda em fase de captação de imagens. Mas o lançamento fica previsto para o próximo ano.
E na área eu faço qualquer trabalho ligado a vídeo, como gravação de shows, produção de show para DVD de bandas. Registros e making of de gravações de CDs, e vídeo de apresentação para fechar shows, gravação de ensaios , o que for preciso.


R N – O fato de você também ser músico deve ajudar a entender as necessidades e dificuldades das bandas independentes ao buscar um material de qualidade, como você procura oferecer uma solução viável aos loucos como nós que ainda insistem nessa correria do Rock Undeground Independente?


C M – Esse acho que é um dos meus maiores diferenciais, porque eu sei das dificuldades que uma banda independente tem para conseguir fazer qualquer coisa, e por isso eu sempre procuro fazer clipes com qualidade com as possibilidade das bandas, sempre conseguimos chegar a um acordo legal, um preço que seja possível pagar, pois videoclipe é um investimento, quando você ouve uma banda que gosta a primeira coisa que faz é ir no YOUTUBE e ver se tem algum registro dela lá, ou seja, vídeo clipe passa uma seriedade e profissionalismo quando bem executado.
Eu sempre procuro adequar o orçamento para fazer o melhor trabalho possível, eu tenho um bom diálogo com a banda quanto a isso, e por também ser músico então acho que estamos todos no mesmo barco, e que só com um ajudando o outro que a cena cresce e prospera e todos saem ganhando, minha mentalidade sempre foi essa, eu prefiro fazer um lance legal, que a banda fique feliz e tenha próximos clipes, que simplesmente cobrar um absurdo e ai não ter nenhum, que é a mentalidade da maioria das produtoras, que para eles é indiferente se você é de uma banda independente ou uma banda contratada da Sony, eles não tem noção da realidade, e nessas condições as bandas independentes ficam sem muitas opções, a não ser caras que trabalham com vídeo amador que cobram muito barato, mas, o vídeo sai horrível e você joga dinheiro fora.

Ai eu entro nesse meio termo, porque o trabalho sai profissional, mas com um preço que é acessível,e eu ainda divido o pagamento em duas três vezes , coisas que facilitam muito a vida das bandas, que nem sempre tem a grana toda na mão, ou seja é um diálogo aberto que sempre mantenho com as bandas, que visa sempre que todos saiam ganhando e mais material legal seja colocado no ar.

R N – Qual é a maior dificuldade que as bandas enfrentam ao produzir o clipe?


C M – Bem para ser sincero é o primeiro passo, ver que é necessário ter um clipe, colocar o clipe nas prioridades da banda assim como gravar as músicas. M

uitas bandas ainda não sabem como isso é uma ferramenta importante na divulgação, no diferencial do trabalho, na valorização de sua imagem e o retorno que ele dá algumas pessoas o encaram como um gasto desnecessário, quando é exatamente o contrário é um investimento importante.

Para produzir o lance, é simples, tem que por a idéia a diante, se todos da banda estiverem empenhados, as dificuldades são pequenas, o que é necessário é criatividade, se todo mundo se comprometer e por mãos à obra nada impede de fazer um clipe semana que vem, por exemplo, basta ter o som gravado com qualidade que o clipe é um passo, só sentar e conversar, ver as possibilidades e começar a fazer. A maioria das bandas que eu produzi os clipes por exemplo colocam o clipe de bônus no cd que lançam, que é um valor agregado ao produto, e o retorno sempre é bem legal com certeza.

fuck off

R N – Qual é o estilo que você curte produzir?


C M – Cara se o gênero for rock´n´roll de verdade, eu me divirto fazendo, já dirigi clipe de bandas punk, metal, glam rock, psychobilly, guitar bands, e com todas sempre foi muito bacana, cada estilo acrescenta novas coisas para mim, novas referências, cada trabalho sempre me traz muita satisfação, eu respeito muito o esforço e o trabalho de cada banda, e poder fazer parte da história dos caras de alguma forma já me deixa muito feliz. Cada banda que trabalho, quando já não são meus amigos, ficam sendo depois do clipe e isso é o que importa na vida, fazer amizades, e cada pessoa tem seu estilo e é a diversidade que torna tudo mais interessante, preconceitos e divisões por que o cara curte isso ou aquilo é besteira.

R N – Deve rolar muitas histórias cômicas ao longo de todas essas produções, tem alguma que poderia citar?


C M –Vixe com certeza, cada clipe tem uma história, já gravei em uma locação que era um prédio de uma empresa que estava totalmente ferrado, que só tinha um ponto de luz que uma parte da iluminação foi feita com luzes de farol de um carro, e ainda fomos brindados com uma tempestade torrencial que literalmente desencadeou verdadeiras quedas d’água e poças em todo lugar, mas no final foi um resultado muito bom, mas no dia foi caótico.
Em outro clipe precisávamos de uma cena em um motel bem barato, depois de muito rodar, conseguimos a locação, mas não podia falar que iríamos gravar as cenas pois ai eles iriam cobrar o triplo do preço, foi uma empreitada levar todo equipamento sem ninguém ver, mas o motel era muito fuleiro mesmo, nem tomada para ligar as luzes tinha, tivemos q arrancar a proteção da TV que tem geralmente em hotel e puxamos de lá a luz, a cena era uma cena de assassinato para o final do clipe a mina tinha que esfaquear o cara, mas pra fazer a cena retiramos lençóis e eu fiz um ângulo que a garota esfaqueava próximo a lente, só que nessa ela perfurou todo colchão, o travesseiro e depois o sangue falso melecou o todo o quarto, ahahaha, aí recolocamos todos os lençóis e fronhas no lugar ara parecer que nada havia acontecido, fomos embora rápido antes que alguém descobrisse.
Em outro estávamos em um mosteiro abandonado (a galera adora fazer clipe em lugar fdp ahauahaua) e fomos invadindo o local quando já tínhamos montado tudo, aparece um cara do nada, com uma arma na cintura, era um policial civil que fazia um trabalho para um condomínio que ficava ao redor do mosteiro, o cara olha pra todo mundo e a primeira coisa que fala: “vocês ai, que gostam de rock, como é que tão as drogas ai?”, o batera da banda que tava arrumando uns lances da bateria no chão falou assim: “olha droga não tem não, mas se quiser uns lanches tem ali no canto vai fundo pega lá!” Ainda bem que ele não se invocou com a gente que estáva lá sem autorização de ninguém, no final levou na esportiva eu enrolei ele na conversa e o clipe saiu. Ahahaah
Fora esses casos ai, todo clipe tem pelo menos uma história engraçada, às vezes mais de uma, mas sempre é divertido.

capa barbershop

R N – E o lance da sua banda de Psychobilly conte-nos um pouco sobre ela


C M – Bem eu toco desde 1989, minha primeira banda foi uma das bandas punks pioneiras de Sorocaba chamava Estado de Putrefação, era bem agressiva, e tals mas eu já gostava de Psychobilly, vivia ouvindo Cramps, Demented are Go, Meteors, e do Brasil Kães Vadius, S.A.R , A Grande Trepada e os Kbillys, e isso me levou a formar o Joe Coyote que foi a primeira banda do estilo do interior junto com outra banda que é da mesma época o Mongolords que era de Sta Isabel, e o estilo psycho é algo que sempre esteve em minhas principais referências, ai em 2002, o Joe Coyote termina e eu fico quase dois anos sem tocar, mas não agüentava mais subia no palco em toda banda de amigos que ei só pra cantar uma ou duas músicas até que formei o The Reservoir Dogs(nome retirado do filme Cães de Aluguel do Tarantino) e dei continuação a saga psicótica.

, trdogs release.3

A banda tocou nos principais festivais brasileiros do estilo, gravamos dois CDs, o segundo “ Barbeshop” foi produzido pelo Vlad, da banda Catalépticos e Sick Sick Sinners, esse ano a banda deu uma parada por falta de baterista que goste do esquema, mas logo voltaremos a ativa de novo, ressuscitando dos mortos , como em um filme do George A Romero. O importante é nunca parar. Quem quiser conhecer o som da banda entra no my space: www.myspace.com/thereservoirdogspsycho

R N – Deixe suas considerações finais para os leitores do Rock Now!


C M – Bem o que posso dizer é, mantenham a garra, o pique e acreditem no potencial da cena independente e lembrem-se sempre, nós somos a cena é isso aí.

Contatos:

cleiner.mambo@gmail.com

www.stalkershots.blogspot.com


Myspace

www.myspace.com/thereservoirdogspyscho

canal do youtube


http://www.youtube.com/reverendstalker

vídeos

hunger

lipstick explicit


bad luck gamblers em conjunto com vebis jr

Making of gravaçâo cd The Reservoir Dogs

Instinto

Ateróides trio

Pugna

plot de chamada do psycho carnival 2010

terça-feira, 9 de junho de 2009

o cinema etílico de Petter Baiestorf - por cleiner micceno



petter baiestorf - cineasta underground

Petter Baiestorf é um ícone do underground brasileiro, é diretor , produtor, roteirista e ator. É a prova viva que é possível fazer cinema com pouco dinheiro, manter uma produção continua e fazer sua própria distribuição. Nesse sistema DO IT YOURSELF, Petter Baiestorf , que mora em uma cidade minúscula ( e improvável ) de Santa Catarina, chamada PALMITOS, tem uma produção invejável com mais 30 filmes, entre curtas, medias e longas. Desde que começou a fazer seus primeiros projetos, com câmeras simples de VHS no começo dos anos 90, foi desenvolvendo uma obra considerável e diversificada que transita por vários gêneros. Baiestorf tem um estilo agressivo e irônico, com influência de filmes de terror extremos, cinema experimental e surrealista, seus filmes são reflexos de seus gostos musicais e filosófico.
Anarquista, ateu, vegetariano e dono de um humor acido e etílico, incomoda os moralistas e é festejado por pessoas que entendem o que ele quer dizer com seus filmes baratos e divertidos.
O trabalho de Petter, ganha cada vez mais notoriedade e é citado por diversos autores nacionais. Hoje já é possível ver seus filmes em diversos festivais e mostras importantes por todo País.
Baiestorf vem Arrebanhando cada vez mais fãs, e o diretor esta longe de se acomodar e ainda continua em ritmo acelerado com suas novas produções, a cada filme ele testa ao extremo suas possibilidades.




equipe canibal - cesar souza, gurcius e petter

CM- Fale um pouco de sua trajetória Petter, o que levou você a fazer filmes em um local improvável como palmitos em s c?
PB- Não acho que seja improvável fazer filmes em Palmitos. Talvez tão improvável quanto fazer filmes fora do eixo Rio-São Paulo. Nos dias de hoje é bobeira você ficar restrito às grandes cidades. Um filme produzido em São Paulo muita vezes faz um público de 5000 pessoas que é mais ou menos o número de público que assiste minhas produções sem qualquer tipo de marketing que não seja o boca a boca. A maneira de se chegar ao público mudou e tento me manter atualizado, sempre buscando novas maneiras de fazer meus filmes serem vistos. Comecei a fazer filmes aqui em Palmitos em 1992 e, falando em filmes independentes radicais brasileiros, são produções que sempre encontraram seu público. Inclusive neste ano rolou uma retrospectiva de seis dias com uma seleção de meus filmes mais significativos na Mostra do Filme Livre do Rio de Janeiro com lotação de público todos os dias. O primeiro filme que fiz que rodou todo o Brasil foi o longa “O Monstro Legume do Espaço” (1995), foi exibido em várias mostras de cultura underground, vendeu mais de mil fitas VHS e deu o suporte que eu precisava para fazer filmes cada vez mais radicais. “Eles Comem Sua Carne” (1996), “Blerghhh!!!” (1996), “Zombio” (1999), “Raiva” (2001), “Cerveja Atômica” (2003), “A Curtição do Avacalho” (2006), “Arrombada” (2007) e o último, “Vadias do Sexo Sangrento” (2008), foram todas produções lucrativas e que tiveram uma distribuição independente direcionada ao mundo do underground musical onde minhas produções recebem uma acolhida digna de obras cults. Acho que por serem obras vindas de uma cidadezinha do interior de Santa Catarina, que é um estado sem tradição cinematográfica nenhuma, já os torna obras meio curiosas.

CM - Seus filmes sempre versam sobre sexo, escatologia, terror , de onde vem sua inspiração? em que estilo se encaixariam seus filmes?
PB- Acho que sou um dos únicos produtores de exploitation movies que restou no Brasil. Meus filmes exploram temas muitas vezes ligados a violência, só que como não gosto de violência pura e crua, encho meus roteiros de humor, demências e absurdos. Talvez desta mistura, pouco usada nos filmes brasileiros que venha o interesse do público pelas minhas produções. Acho que meus filmes se encaixam no, como definiu o cineasta Christian Caselli, estilo Baiestorfiano. Não fico preso à regras de gêneros, nem narrativos, nem estéticos. Acho que os filmes precisam ser repensados e é isso que tento fazer. Não tenho o menor interesse em fazer filmes bonitinhos, comportadinhos. Minha inspiração vem da vida, do dia a dia, dos noticiários da TV, das coisas que vejo. Pego este material e exagero ele. Só isso,algo tão simples que todos poderiam estar fazendo o mesmo em seus quintais.

CM - Você tem parcerias ai pra ajudar seus filmes , como vcs criaram essas parcerias?
PB- Cada produção é uma nova história. Estou sempre começando do Zero. Aliás, adoro começar sempre do zero, não gosto de ter a falsa impressão de ter aprendido algo com a idade. Desde 2005 fechei parceria de co-produção com a Bulhorgia Produções do Gurcius Gewdner. Agora, para os relançamentos de meus filmes antigos em DVD estou mantendo parceria com a Cauterized Productions que é um selo de música extrema do Rio Grande do Sul. Quando se é um nanico tu precisa de parceiros financeiros prá sua produção continuar.

CM- o que é KANIBARU SINEMA?
PB- Vou resumir de uma forma direta que nunca resumi antes: O Kanibaru Sinema é você parar de reclamar e fazer sua própria produção, independente de ser um filme, música ou qualquer outra expressão artística. É você arregaçar as mangas e criar qualquer coisa com o que você dispõe de mais barato: sua criatividade.

CM-Como você vê o cinema nacional hoje e quem são seus diretores nacionais q você respeita?
PB- Tenho achado que tem surgido muitos cineastas novos, independentes, bons. Tenho visto muito curtas-metragens excelentes e que não custaram quase nada para serem feitos. Diretores nacionais? Sou mais pelo pessoal estilo Tony Vieira, que fazia seus filmes com grana própria e distribuía esses mesmos filmes pelo interior do Brasil. Quero ser o novo Tony Vieira do Brasil.

CM-Qual seu filme de maior sucesso?
PB- Minha produção que mais deu grana foi “Zombio” (1999) seguido de perto de produções como “O Monstro Legume do Espaço” (1995) e“Arrombada – Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo!!!” (2007). O filme novo, “Vadias do Sexo Sangrento” (2008) já está dando lucro e vai render bem. “Zombio” é meu filme mais comercial,o fiz pra pegar um público mais adolescente que não pode assistir às sessões de meus filmes mais pesados. “Raiva” (2001) também é mais comercial e rendeu uma grana esperta, mas gastei mais na produção. Depois de 2001 fiquei produzindo quase que só filmes experimentais carregados de muito sexo. Estou pensando que talvez seja a hora de voltar a produzir alguns filmes com apelo mais popular porque me divirto bastante produzindo eles. De 2001 até 2006 fiz produções que não estavam preocupadas com o retorno comercial, queria experimentar novas formas narrativas. De 2007 em diante voltei a pensar em como produzir filmes de baixíssimo orçamento que poderiam ser lucrativos e estou ainda testando isso. Não fiquem surpresos se de uma hora pra outra eu surgir com algum filme de teor bem popular no estilo dos filmes de Mazzaropi ou Teixeirinha.

CM - E musica? sei que você tem uma relação estreita com as musicas que você usa nos seus filmes, quais seus gêneros musicais preferidos e em q eles influenciam em seus filmes?
PB- Eu sou um fanático pelo gore-grind, é o estilo musical que escuto em casa e sou amigo de quase todas as bandas brasileiras do gênero. Sou influenciado por este subgênero musical e as bandas do estilo são influenciadas pelos meus filmes. O grindcore político também me interessa muito. Crust é outro estilo que tenho prazer ouvindo. Mas nos meus filmes costumo colocar todo tipo de som, principalmente de bandas independentes, underground, pouco conhecidas.

CM - Fale sobre suas influências e quais seus filmes e diretores preferidos?
PB- Sou influenciado por caras como Koji Wakamatsu, Ted V. Mikels, Jesus Franco e outros produtores underground. Nem vou ficar listando aqui os nomes de vários diretores que admiro porque, a maioria do pessoal acaba não conhecendo a obra de caras como Dusan Makavejev, Jan Svankmajer, Vera Chytilóva, Fernando Arrabal, Goerge Kuchar e outros que são minha influência. Acho que dos mais conhecidos que me influenciam são Russ Meyer e John Waters (filmes antigos dele).



com cesar souza amizade e parceria de longa data

CM- Como é sobreviver fazendo filmes no Brasil, quais são suas maiores dificuldades? Você tem problemas com censura,como é a aceitação de seus filmes?
PB- A maior dificuldade no Brasil ainda é a distribuição. Censura não tem tanto, não me acho prejudicado por censura. Agora, distribuição é algo que precisa ser repensado, principalmente entre os independentes. Tenho tentado várias parcerias em todas as regiões do Brasil e geralmente esbarra na falta de visão dos envolvidos. Faço a distribuição de meus filmes pela minha produtora mesmo mas ainda não tenho suporte financeiro pra fazer tudo como deveria ser. Meus filmes são lucrativos, mas como uma distribuição feita direito, seriam muito lucrativos. O problema maior no Brasil é que cinema virou diversão de uma elite, os filmes são feitos pensando na classe-média alta brasileira, a distribuição também é feita direcionada à classe-média brasileira. Temos que voltar a ter cinema popular, ingressos à 3 reais, cinco reais e fazer os filmes lotarem cinemas de bairro ou interior novamente. Não vou entrar em detalhes sobre isso, mesmo porque quando eu re-editar meu livro “Manifesto Canibal” (Ed Achiamé, 2004, esgotado) vou dedicar todo um novo capítulo às questões da distribuição de filmes no Brasil.

CM - Quais são seus últimos trabalhos e quais projetos que esta trabalhando atualmente?
PB- Meus últimos trabalhos que tiveram uma distribuição boa foram “Arrombada” (2007) e o “Vadias do Sexo Sangrento” (2008). Mas tenho uma produção muito grande, simultâneo a esses dois filmes, fiz vários curtas experimentais como “Que Buceta do Caralho, Pobre Só se Fode!!!” (2007) “O Nobre Deputado Sanguessuga” (2007), “Manifesto Canibal – O Filme” (2007) e “Encarnación Del Tinhoso” (2009). Agora estou trabalhando na pré-produção do meu novo filme que se chamará “Ninguém Deve Morrer”, um Faroeste Musical Gore.

CM- o que vc diria pra quem quer enveredar pelo caminho do cinema ?
PB- Não roube dinheiro público na sua produção e não fique só reclamando. Se possível faça somente filmes independentes com sua própria grana.

perguntas rápidas

uma mulher: Anna Falchi.
um filme: “Yuke, Yuke, Nidome no Shojo”.
um diretor: George Kuchar.
qual filme vc gostaria de ter feito: “Fuk Fuk à Brasileira”.
fala uma coisa qualquer ai : Seja autêntico.


Entrevista feita com Petter Baiestorf 06 de junho de 2009 por cleiner micceno


encarnácion del tinhoso por petter baiestorf

quarta-feira, 3 de junho de 2009

stalker files - anno zero #4

SPLEEN

PARTE PRIMEIRA
O MONASTÉRIO

claustro de dor
latente como punhal
viés carniceiro , féretro carmim ,
desespero em tons purpúreos.
cruzes obliquas ,
passagens em longos e angulosos caminhos sem fim

ascendente comunhão de impropérios
lábaro solitário ,
descansa em um sono febril de maio
arde em chamas gélidas
prossegue à frente , inexorável
o outono chega leve

PARTE SEGUNDA
O ERRANTE

a névoa cintila na relva
viajante sem rumo
alma em transe

destro com sangue nas mãos
rosto petrificado, marmóreo
em passadas rápidas o esquecimento corroe

em cada estada uma dívida amarga
em cada boca uma palavra de dor
em cada dia uma macula na alma

envolto em seda branca
deserto de sentimentos
branco celeste e azul profundo

amargos passam os dias
lentos , arrastam-se como serpentes
areia goteja grão à grão

PARTE TERCEIRA
SOLITUDE

estrondo notável , frio cortante ,
horizonte longínquo, inatingível
segue , rumo persistente
alma clama descanso,
noite calma , lua brilha
folhas queimam na brisa
brisa essa que rasga o rosto
cada lagrima torna-se uma chaga...
(...tão longe , intocável ...)
recolhe o gládio e dorme,
olhos brilham, sono chega
sonhos ruins povoam a vida e quem sabe a morte
(monástico espúrio
murcha à sombra do estigma)
um cão uiva ao longe


PARTE QUARTA
FÓSFORO E CAL

o tambor toca , triste
a ladainha chega aos ouvidos
o homem desce ao fundo

lentamente a procissão se dissipa
cada palavra parece um rosnar
uma multidão cega e surda

o pão amanhecido parece bom o bastante
alimenta a alma crucificada
mas aumenta a sede,

um grito sobe aos céus
roga a vida além da morte
torna-se um sussurro diante do populacho

cada toque uma dor aguda
cada hora uma pontada de dor
cada minuto sufoca a voz

entornando o ultimo copo
o ultimo gole
a ultima palavra...
sofrida...
escapa.


stalker ...................................................................................................................................

stalker files - anno zero #3

Réquiem

Num dia comum de agosto
Sem pressa nem escrúpulo
De palavras vazias sem sentido
As horas rastejavam nesse momento
Numa supressão de tempo
Uma chama sem calor como vida doente
Desperta em meu peito

Desse lume sem fio
De morte e vida,
Arguto respiro ofegante
Que sobe de meu pulmão
Gosto de sangue em minha boca
O peito dolorido
Tez púrpura de resignação

Tento fugir de mim mesmo
Onde a consciência me cerca
A alma dolorida padece
Escorre no sulco do esgoto
Sacrificada em intenso anseio
Como muco pervertido
De crepitar lutuoso dos ossos de um morto


Um demônio imolado no gelo eterno
Angustiado, como incubo sulfúrico
De crenças sem resultado
De vida sem alegria
Resultado incerto do cotidiano
Que mata-se pouco a pouco
Na sua própria agonia

Sem descanso
Nem crenças
Sem nada para despertar
Do tédio intenso de tudo
Que conduz o dia a dia
Da aurora ao ocaso
Aumentando à beira da morte
O sentimento de pesar

segunda-feira, 1 de junho de 2009

stalker files- anno zero #1

Whistles

Parte primeira – a tomada da vida

Um sonho destilado, gotas de ilusão satisfatória
Na rua ingreme , os solados dos sapatos puídos, escorregam
E a realidade desperta, como um grito devastador que te persegue
Difícil fugir dos próprios pensamentos, mesmo anestesiados

Na soleira junto ao átrio quebrado, um vulto esquálido
Se confunde com a escuridão,
Faca em punho e asas perenes ensangüentadas,
“ali morreu sua inocência tola...”

um olhar fugidio e assustado brilha no espaço
a lua perpendicular em gancho, despenca do céu
pensamentos não significam quase nada ,
a tarde corroeu as lembranças

Ad Continuum, respira a voz que sufoca a garganta
Kafka moderno, Homero em chamas, Diderot sem saída
O vazio é preenchido por nomes de pronúncia duvidosa
Vida morna , corpo frio , marca o ponto sem retorno


Parte segunda - o delírio

uma garrafa a mais,
Mais um gole
A lágrima ferve nos olhos...

Corpo quebrado
Ilusão destruída
Semente impura...

Homens deformados
Imagens perdidas
Coração em pedaços...

Alma gélida
Corpo insone,
Em transe

Ad Perpetuum , vermes e espinhos
Lamaçal , pântano inolvidável
Fronte dolorida, cansaço
Vazio abismal, tropismo maldito

Parte terceira – o suplício de Jó

Fogo e sujeira
anjo em meio ao pó
sussurro ao vento

choro copioso
vida partida
soluços

asas sobre nossas cabeças
cidades gigantes
céu escuro

paráfrase da morte
estilhaços de vida
restos de alma

catalisador de infortúnios
expiação generalizada
prazeres raros

louvo a brutalidade
deifico os pólipos
demoniso a razão

parte quarta - o declínio

cânticos antigos quebram o silêncio
os ossos quebram uma vez mais
negação intensa
em colapso vivo,
na falência de uma alma sublime...
regurgito o sangue de meus ancestrais

parte quinta – a redenção

levanto-me ainda abominável
ferido, mas rebatizado,
com sal e enxofre
trago nas mãos o sangue
de minha ultima batalha
feroz, o som dos gritos persiste
em meus ouvidos,
mas como um cão raivoso
surdo ao clamor dos brados
deito-me no catre
ainda ferido e abatido
fecho os olhos
e a batalha cessa ...
mas a guerra segue em frente... sem mim

quinta-feira, 28 de maio de 2009

entrevista com ivan cardoso por cleiner micceno



IVAMPIRISMO BRASILEIRO
Ivan do Espírito Cardoso Filho nasceu no Rio de Janeiro em 1952 e começou se interessar por cinema logo cedo, assim que um colega de colégio la pelos idos dos anos 60 ganhou uma câmera super 8, começaram os primeiros experimentos na sétima arte, ainda de forma germinal.
Em 1970 ele lança seu primeiro curta metragem, chamado “nosferatu no Brasil” o filme apesar de ter vários problemas quanto a verba e recursos, foi feito com muita criatividade. Ivan confesso fã de José Mojica Marins, ao qual le rendeu o apelido de "Ivampirismo" pelo poeta Augusto de Campos, resolve fazer um filme de terror a brasileira, com o tropicalista TORQUATO NETO no papel do vampiro, mas como não tinham mais dinheiro pra investir no principal, a iluminação, resolveram o problema com uma frase no inicio da película, “ONDE SE VÊ DIA QUE SE FAÇA NOITE” pronto o filme foi todo gravado a luz do dia,
Depois de muitos anos com super 8 e curtas metragens o cineasta grava em 1982 seu primeiro longa metragem "O Segredo da Múmia", com Wilson Grey e Regina Casé.
E em 1986 filma “AS SETE VAMPIRAS” com Léo Jaime, e nessa época ele cunha o termo TERRIR, que é uma mistura de terror e comédia, que se tornou sua marca registrada.
Logo após grava seu filme em homenagem aos filmes noir americanos , “O ESCORPIÃO ESCARLATE”, um filme tecnicamente muito bem feito e extremamente bem humorado que ainda mantem as marcas do Terrir, o filme abusa de sátiras espertas com os gêneros de suspense e terror.
Seu ultimo filme “A MARCA DO TERRIR” brinca com o gênero criado por ele mesmo, uma cinebiografia de colagem poderia ser uma boa definição do resultado, onde o cineasta resgata cenas de seus primeiros filmes em super 8 do começo de carreira
IVAN CARDOSO , IVAMPIRISMO BRASILEIRO



Aqui vai a entrevista completa com Ivan Cardoso, cineasta que inventou o termo terrir , nessa entrevista ele fala sobre sua história e compartilha com nossos leitores sua visão critica da atual produção cinematográfica brasileira
Com vocês Ivampirismo Cardoso


C M - a quantos anos vc faz cinema e qual seu primeiro trabalho, o que levou você a se interessar por cinema?

I C - INFELIZMENTE, NÃO OUVI OS CONSELHOS SABIOS DA MINHA MÃE E TRABALHO HÁ, EXATAMENTE, 40 ANOS, NESTA INSOLITA ATIVIDADE...
EMBORA, NÃO SEJA ADEPTO DO "QUANTO PIOR, MELHOR"... GRAÇAS A MINHA FORMAÇÃO "UDIGRUDI" APREENDI DESDE CEDO A LUTAR CONTRA TODAS AS DIFICULDADES (OU, FACILIDADES) PARA CONQUISTAR POR MEIOS PROPRIOS, O MEU ESPAÇO DE PRODUÇÃO & DIVULGAÇÃO DO MEU TRABALHO QUE, FELIZMENTE, COM A INTERNET CONQUISTOU O MUNDO !
ALÉM DISSO TUDO, TAMBÉM, SOU UM ARTISTA MULTI MIDIA, ME DEDICANDO COM O MESMO ENTUSIASMO, PAIXÃO, RIGOR, TEMPO & SUCESSO, HÁ VARIAS ATIVIDADES, SEJAM ELAS, AS ARTES PLASTICAS, A FOTOGRAFIA, OU, ATÉ, O JORNALISMO. POR ONDE EU ENCONTRAR UM ESPAÇO PARA "DESAFINAR O CORO DOS CONTENTES", O MEU VENENO ESCORRE... ALIÁS, A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APREENDI COM O INSUPERAVEL HÉLIO OITICICA, QUANDO TINHA APENAS 16 ANOS, FOI: "IVAN, TUDO QUE TE DISSEREM QUE, NÃO PODE SER FEITO..., PODE" !

C M - quais as maiores dificuldades que ja passou pra produzir filmes no Brasil?

I C - TER NASCIDO NUM PAIS, ONDE O ARTISTA BOM É O ARTISTA MORTO ! SER CINEASTA NO BRASIL, É A MESMA COISA Q SER EXTRANGEIRO NUM PAÍS INIMIGO... VIDE A NOSSA PODEROSA TELEVISÃO: EMBORA O BRASIL SEJA O PAÍS DA TELEVISÃO, TODAS AS EMISSORAS DE TEVE BRASILEIRAS SÃO A CASA DO CINEMA AMERICANO E MARGINALIZAM OS FILMES NACIONAIS ! A TV GLOBO QUE, NA VERDADE É O NOSSO BIG BROTHER, AINDA TEM A CARA DE PAU DE ANUNCIAR ANUALMENTE A SUA JÁ TRADICIONAL: "SEMANA DO CINEMA BRASILEIRO"... E, AS OUTRAS 53 SEMANAS COMO É QUE FICAM ???

C M - você teve algum problema com o regime militar ?

I C - TODO MUNDO QUE ESTAVA VIVO NAQUELE PERIODO SOFREU DE ALGUMA FORMA COM O REGIME MILITAR, A COMEÇAR PELA FALTA DE LIBERDADE & POR TODAS AS ANOMALIAS QUE, UM REGIME DE EXCEÇÃO CRIA... SE ESTIVESSEMOS NUM ESTADO DE DIREITO, JAMAIS GORILAS COMO COSTA E SILVA OU GARASTAZU MEDICI TERIAM SIDO O PRESIDENTE DO BRASIL... EU, POR EXEMPLO, LARGUEI OS ESTUDOS APOS TER PASSADO NO VESTIBULAR PORQUE NÃO HAVIA AMBIENTE PARA VC SER ESTUDANTE, NO FINAL DOS ANOS¨60. MUITO EMBORA, ACREDITE QUE A MINHA GERAÇÃO TENHA TIDO MUITO MAIS PROBLEMAS COM A POLICIA POR CAUSA DAS NOSSAS "CABELEIRAS" DO QUE PROPRIAMENTE POR QUESTÕES POLITICAS... A POLICIA AGIA COM TODA A SUA TRUCULENCIA - COM O RESPALDO DOS MILITARES - PORQUE SABIA QUE A MAIORIA DOS CABELUDOS, NAQUELA EPOCA, FUMAVA MACONHA... A NOSSA SORTE É QUE A NOSSA POLICIA SEMPRE FOI MUITO...
AGORA, CURIOSAMENTE, O MAIOR PROBLEMA Q EU TIVE, FOI EM 1972, QUANDO, JUSTAMENTE,GRAÇAS A GENEROSIDADE DO ARTISTA PLASTICO CARLOS VERGARA - QUE TENDO CONSCIENCIA DAS DIFICULDADES QUE OS ARTISTAS MAIS JOVENS TINHAM PARA DIVULGAR OS SEUS TRABALHOS RESOLVEU TRANSFORMAR A SUA "EXPOSIÇÃO" NO MAM-RJ, NUMA MOSTRA COLETIVA ! ALÉM DISSO, NESTA EPOCA VERGARA COMO VARIOS OUTROS ARTISTAS PLASTICOS, TAMBÉM FAZIA FILMES SUPER 8 E, MONTOU DENTRO DA AREA DA SUA "EXPOSIÇÃO" UMA PEQUENA SALA PARA A EXIBIÇÃO DESTES FILMES. SENDO UM DOS CONVIDADOS E A PRINCIPAL ESTRELA DO MOVIMENTO SUPER 8 , OS MEUS FILMES ARRASTARAM UMA PEQUENA MULTIDÃO DE JOVENS PARA O MUSEU DE ARTE MODERNA AVIDOS PARA ASSISTIREM "AMOR & TARA", "NOSFERATO NO BRASIL", "SENTENÇA DE DEUS" & "A MUMIA VOLTA A ATACAR" ! OS MEUS SUPER 8 NÃO TINHAM UMA CONOTAÇÃO POLITICA EXPLICITA, MAS POR SEREM FILMES DIFERENTES, ABORDANDO TEMAS, ATÉ ENTÃO DESPREZADOS E IGNORADOS PELA NOSSA ESQUERDOFRENICA CINEMATOGRAFIA: VAMPIRISMO, DROGAS, LESBIANISMO, NECROFILIA ETC. NADA MAIS NATURAL QUE, CAUSASSEM UMA TREMENDA POLEMICA E MUITO SUCESSO... FOI AÍ QUE, CHEGOU AO TERCEIRO ANDAR DO MUSEU (ONDE FICA A SUA DIRETORIA), AS REPERCURSÕES DESTA INUSITADA PROGRAMAÇÃO E POR IRONIA DO DESTINO, O EMBAIXADOR WALTER MOREIRA SALLES - PAI DOS TALENTOSOS CINEASTAS 30 HORAS ...& ENTÃO, PRESIDENTE DO MAM - RESOLVEU PROIBIR A EXIBIÇÃO DOS MEUS FILMES... COMO, NAQUELE PERIODO ESTAVAMOS EM PLENA DITADURA MEDICE, NEM AO MENOS PUDEMOS PROTESTAR E DIVULGAR ESTA ATITUDE ARBITRARIA DO EMBAIXADOR QUE,NA VERDADE CENSUROU OS MEUS FILMES, TEMEROSOS QUE A REPERCURSÃO DESTES LAMENTAVEIS ACONTECIMENTOS, NA GRANDE IMPRENSA, CHAMASSE ATENÇÃO DOS AGENTES DO DOPS QUE, SEM DUVIDA NENHUMA TERIAM APREENDIDO & DESTRUIDO OS MEUS SUPER 8, ALÉM DE ME COLOCAR EM CANA...



C M - como vc vê a produção cinematográfica nacional hoje?

I C - UM LIXO... O CINEMA BRASILEIRO, APESAR DE TODOS OS SEUS PROBLEMAS, JÁ CHEGOU A PRODUZIR 100 FILMES POR ANO, nA DECADA DE 70/80, QUANDO CONTAVAMOS COM UMA DINAMICA DISTRIBUIDORA: A "MALDITA" A EMBRAFILME QUE, NA REALIDADE FOI A NOSSA MAIOR CONQUISTA ! NESTA EPOCA, A BOCA DO LIXO TAMBÉM ESTAVA BOMBANDO E, POR ISSO, CHEGAMOS A OCUPAR, 50% DO NOSSO MERCADO. VARIAS FITAS DE DIFERENTES GENEROS DISTRIBUIDAS PELA EMBRAFILME OU POR DISTRIBUIDORAS NACIONAIS LIGADAS DIRETAMENTE AOS EXIBIDORES QUE, COM RECURSOS PROPRIOS CO PRODUZIAM AS PORNOCHANCHADAS, ALCANÇAVAM SIMULTANEAMENTE, SEM GRANDES VERBAS DE LANÇAMENTO, 2,3 OU ATÉ 4 MILHÕES DE ESPECTADORES ! ISSO, SEM FALARMOS DOS "TRAPALHÕES" & DE OUTROS GRANDES CAMPEÕES DE BILHETERIAS: FILMES COMO "DONA FLOR & SEUS DOIS MARIDOS" QUE, ATÉ HOJE, FOI O NOSSO MAIOR SUCESSO POPULAR COM MAIS DE DOZE MILHÕES DE ESPECTADORES, OU "A DAMA DO LOTAÇÃO" & O "LUCIO FLAVIO" DO BABENCO QUE, TAMBÉM CHEGARAM A MAIS DE SEIS MILHÕES DE ESPECTADORES !!!
DE LÁ PRA CÁ, APOS O HOLOCAUSTO PROMOVIDO PELO FERNANDINHO DO PÓ, OU MELHOR, PELO ALOPRADO PRESIDENTE COLLOR QUE, ARRUINOU COMPLETAMENTE COM TODA A NOSSA ESTRUTURA DE PRODUÇÃO & EXIBIÇÃO, TUDO MUDOU... OS CONCEITOS E LEIS QUE, AMPARAVAM & AJUDAVAM O DESENVOLVIMENTO DA NOSSA ROLIUDI TUPINIQUIM TAMBÉM MUDARAM, AFINAL, COMO DIZIA O CAZUZA: "O TEMPO NÃO PARA"... E NECESSITARIAMOS DE UM ESPAÇO MUITO MAIOR PARA FAZERMOS UMA ANALISE MAIS PROFUNDA DE TODOS ESSES FATORES, DE TODO ESSE VERDADEIRO CIPOAL DE PROBLEMAS QUE, AMARRA O NOSSO CINEMA: AS LEIS DE OBRIGATORIEDADE DE EXIBIÇãO, SEM AS QUAIS, REALMENTE, O NOSSO CINEMA NÃO EXISTIRIA PORQUE, SEM ELAS, OS EXIBIDORES NÃO LANÇARIAM OS NOSSOS FILMES PORQUE NA VERDADE O NOSSO MERCADO EXISTE E FUNCIONA pARA DISTRIBUIR OS FILMES AMERICANOS, CADUCARAM POR QUE A RESERVA DE MERCADO
VIROU UM PALAVRÃO NA FILOSOFIA NEO LIBERAL... ALÉM DE OUTROS FATORES MAIS COMPLEXOS E DIFICEIS, ATÉ, DE EXPLICAR, COMO POR EXEMPLO, A FAMIGERADA CENSURA QUE, NA PRATICA, AJUDAVA MUITO MAIS QUE ATRAPALHAVA A NOSSA PRODUÇÃO, POR MAIS INCRIVEL QUE POSSA PARECER A MINHA AFIRMAÇÃO... UMA VEZ QUE, TODO MUNDO QUER VER UM FILME PROIBIDO !!!
DE FORMA QUE, PARA QUEM FAZ CINEMA HÁ 40 ANOS E VIVEU ESTE PERIODO AUREO NÃO PODE ACHAR GRAÇA, NA RAQUITICA PRODUÇÃO ATUAL QUE, ALÉM DE TER COLOCADO UMA DAS CINEMATOGRAFIAS MAIS INDEPENDENTES E CRIATIVAS DO MUNDO, NUMA CAMISA DE FORÇA A REBOQUE DA TELEVISÃO (O QUE, SEM DUVIDA NENHUMA É O SEU ATESTADO DE OBITO... ), MARGINALIZOU OS SEUS MELHORES DIRETORES, EM PROL DE UMA NOVA GERAÇÃO DE ALPINISTAS SOCIAIS SEM O MENOR CONHECIMENTO CINEMATOGRAFICO: ATORES & DIRETORES DE TEVE ("GLOBETES") FASCINADOS PELA MAGIA DA SETIMA ARTE; PUBLICITARIOS BEM SUCEDIDOS, PORÉM SEM NENHUM PRESTIGIO CULTURAL; FOTOGRAFOS BURROS, PORÉM AMBICIOSOS, PRODUTORES SEM TALENTO QUE PERCEBERAM QUE PARA FAZER ESTE TIPO DE FILMES, NÃO PRECISAVAM MAIS DOS DIRETORES E, ATÉ, DE CINEASTAS BANQUEIROS QUE FAZEM CINEMA, TODOS, SEM NENHUMA EXCEÇÃO POR CAUSA DOS DISPUTADOS INCENTIVOS A CULTURA QUE, PROPORCIONARAM UMA VERDADEIRA CORRIDA DO OURO PARA UMA ATIVIDADE "EM COMA" QUE, NUNCA TEVE MERCADO PARA TANTO CINEASTA...




C M - e sobre as modificações da lei de incentivo qual sua opinião?
I C - SENDO UM ARTISTA POSSO OPINAR SOBRE QUALQUER ASSUNTO RELACIONADO A ARTE - FOTOGRAFIA, ESTETICA, LINGUAGEM, ETC., AGORA, EM RELAÇÃO A QUE MODIFICAÇÕES DEVERIAM SER FEITAS NAS LEIS DE INCENTIVO A CULTURA, INFELIZNMENTE, NÃO POSSO OPINAR, NÃO TENHO CONHECIMENTOS TRIBUTARIOS PARA FAZER ALGUMA SUGESTÃO...ALIÁS, FICA DIFICIL VOCE OPINAR SOBRE UMA COISA QUE TE OPRIME & MARGINALIZA, NÂO É VERDADE ? A ATIVIDADE CINEMATOGRAFICA BRASILEIRA VIROU UM SIMPLES NEGOCIO DE TROCA MIRACULOSA DE PAPEIS, DE CERTIFICADOS, POR DINHEIRO...
ENTÃO, COMO FALEI NO INICIO TERIA SIDO MELHOR ESCUTAR O CONSELHO DOS MEUS PAIS & TER IDO THABALHAR DIRETO NA BOLSA DE VALORES QUE, INCLUSIVE, É UM MERCADO MUITO MAIOR, DEMOCRATICO & PROPRIO PARA GANHAR DINHEIRO DO QUE A NOSSA RETARDADA & AINDA, ESQUERDOFRENICA INDUSTRIA CULTURAL...


C M - quais seus novos projetos ? quais seus ultimos filmes.

I C -ENTRE 2005/7, EU CONSEGUI CONCLUIR TRES LONGA METRAGENS: "A MARCA DO TERRIR", Q É UM FILME SUMULA DA ANTOLOGICA SERIE "QUOTIDIANAS KODAKS", REUNINDO OS MELHORES TRECHOS & VERSÕES CONDENSADAS DOS POLEMICOS SUPER 8 QUE DIRIGI & PRODUZI, NO INICIO DOS ANOS 70; "O SARCOFAGO MACABRO" QUE, INICIALMENTE ERA UM TELEFILME, MAS, COMO A NOSSA TELEVISÃO NÃO TEM TRADIÇÂO DE EXIBIR PRODUÇÕES NACIONAIS, OS VALORES QUE, ALGUNS CANAIS CHEGARAM A ME OFERECER ERA UMA PIADA... ENTÃO, A UNICA SOLUÇÂO FOI TRANSFORMA-LO EM LONGA METRAGEM PORQUE POR MAIS INCRIVEL QUE PAREÇA, O FATO DE TER FEITO UM TELEFILME, NO PAIS DA TELEVISÃO..., ESTE FORMATO, ALÉM DE NÃO TER MERCADO, NO BRASIL, DESVALORIZA A SUA PRODUÇÃO... E, OLHA QUE "O SARCOFAGO MACABRO" É UMA ARREPIANTE CONTINUAÇÃO DE "O SEGREDO DA MÚMIA",,TRAZENDO DE VOLTA AS TELAS O LENDARIO & INSUBSTITUIVEL WILSON GREY !; E, "UM LOBISOMEM NA AMAZONIA"... DESDE QUE, CONHECI & ME TORNEI AMIGO DO FAMOSO HOMBRE LOBO ESPANHOL, PAUL NASCHY QUE, FIQUEI FASCINADO COM A IDEIA DE FAZER UMA FITA DE LOBISOMEM ! COMO O ROGER CORMAN, QUANDO ESTEVE AQUI, EM 1994, ME ACONSELHOU A FAZER UM FILME QUE, TIVESSE COMO PANO DE FUNDO A FLORESTA AMAZONICA (POR SER UM TEMA QUE, ATUALMENTE, DESPERTA A ATENÇÃO DO MUNDO INTEIRO), RESOLVI JUNTAR AS DUAS COISAS QUE, APARENTEMENTE SERIA IMPOSSIVEL, MAS, QUE GRAÇAS A MAGIA DO CINEMA, SE TORNOU REAL !
O PAUL QUE, É UM GRANDE ATOR, UM HOMEM DE CINEMA, VEIO A OCUPAR UM LUGAR NO MEU CORAÇÃO QUE ESTAVA VAZIO, DESDE A MORTE DO WILSON GREY ! ALÉM DISSO, O FILME É ESTRELADO PELAS APETITOSAS DANIELE WINITTS & KARINA BACCHI... OU SEJA, DUAS SUPER STARS QUE TODO MUNDO QUER VER NAS TELAS !!!


C M -Manda um recado ai

I C –
TAMBÉM ME ESQUECI DE FALAR Q, NO PROXIMO DIA 26 de AGOSTO, VOLTO A EXPOR NO MUSEU DE ARTE MODERNA DO RIO, A EXPOSIÇÃO FOTOGRAFICA "O PRISIONEIRO DO ROCK", HOMENAGEANDO OS 20 ANOS DA MORTE DO MALUCO BELEZA RAUL SEIXAS ! - QUE NÃO PRECISO NEM DIZER FOI O MEU CANTOR & COMPOSITOR BRASILEIRO PREFERIDO.
ALÉM DISSO TUDO, RAUL FOI DISPARADO O MELHOR MODELO FOTOGRAFICO QUE CONHECI, FAZENDO TODAS AS POSES E CLICHES DE ROQUEIRO QUE GARANTEM UMA BOA FOTO ! PERMITINDO ATÉ Q O FOTOGRAFASSE DE CUECAS DA "PLAYBOY" & SAPATO PRETO & BRANCO !

ivampirismo brasileiro continuação


respostas rapidas

Cleiner Micceno - uma mulher?

Ivan Cardoso - Carla Bruni! Mas também não poderia esquecer da primeira dama da França, ou então, já que estamos falando de celebridades a Luciana Gimenez !!! O Brasil é um país condenado a antropofagia... É o único lugar do mundo onde o filho do Mick Jagger é neto do Jece Valadão, Também gosto muito da polemica Luana Piovani, da Sandy & da Ana Paula Arósio!

C M -O pior filme de todos os tempos é...

I C - É o que estamos assistindo, atualmente... Não sou idiota, nem ingênuo ou fascista de dizer que, sinto saudades da ditadura... Mas, com esses políticos que estão aí... Francamente, o nosso sistema republicano ou democrático torna-se muito caro... Eles roubam tudo & nós não podemos roubar nada ?

c m - qual seu gênero de filme preferido?

Terror e Comédia ! Por isso mesmo que inventei o “Terrir”!

Mas, em matéria de fitas ou de cinema, como preferirem, eu sou meio "vassoura", gostando de todos os outros gêneros (menos o gênero fascista "CINEMA BRASILEIRO"... que, para mim, tornou-se um sinônimo de filme ruim, no pior sentido desta palavra: come dorme, chato, chapa branca, esquerdofrênico, publicitário ou global): guerra, faroeste, aventura, suspense, policial, ficção cientifica, Musical, capa & espada, sessão da tarde, etc, enfim, EU GOSTO MESMO É DE FILME "RUIM", inclusive dos filmes nacionais considerados ruins e de filmes do tipo pastelão com ABOTT & COSTELLO, o FILME DE MÚMIA que eu mais gosto é o "ABOTT & COSTELLO ENCONTRAM A MÚMIA" e adoro o HERCULES com o fabuloso STEVE REEVES Por exemplo,

C M - qual o maior diretor de todos os tempos?

I C - Conforme respondeu ORSON WELLES quando lhe pediram para escalar os três melhores diretores JOHN FORD, JOHN FORD & JOHN FORD !

HITCHCOCK é o meu diretor favorito... Embora admire e reconheça a superioridade de FORD, WELLES & CHAPLIN também são cachorros grandes que estariam na disputa e

JEAN LUC GODARD, juntamente com DYLAN, são os dois maiores artistas contemporâneos, ainda vivos e o Godard tendo sido ainda o único cineasta do mundo que em uma década, mudou a historia do cinema.

DOS BRASILEIROS:

ROGERIO SGANZERLA, ROGERIO SGANZERLA & ROGERIO SGANZERLA.

C M - e os melhores atores e atrizes

HUMPREY BORGART como ator , e como atriz Rita Hayworth - nunca houve uma mulher como GILDA !

BRASILEIRO: OSCARITO – disparado.

Atriz estou pensando...

poderia ser a ZEZÉ MACEDO ou a VIOLETA FERRAZ...

ou até, qualquer uma dirigida pelo WALTER HUGO KHOURY !

quem sabe a ODETE LARA , HELENA IGNES, ou, então eu ficaria com a grande HELENA RAMOS !



Encarnação do Demônio


Pasolini? Buñuel? Jodorowsky? Não José Mojica Marins!

Estava eu aguardando o lançamento desse filme desde que começou a circular na Internet o trailer da mais nova obra do sr Mojica, onde ele retorna a seu personagem que o consagrou, Zé do Caixão.

Essa é a terceira parte de uma saga que começou nos anos 60 que devido a problemas com censura. Nos anos de chumbo o filme nunca conseguiu apoio na época e mesmo se tivesse conseguido teria sido mutilado, afinal a tesoura da censura tinha fome de José Mojica Marins, que foi um dos cineastas que mais sofreram com a repressão política e cultural que assolava o Brasil e os mentecaptos que eram colocados na cadeira de controle das Diversões Públicas, sempre viam em Mojica um degenerado, uma pessoa que era perigosa com seus filmes recheados de sangue.. Com essas atitudes quase jogaram Mojica no ostracismo, mas ele insolente a todas as adversidades que se interpunham entre ele e seu trabalho, nunca parou, se sujeitou quase a fome e a miséria por sua arte.

Sempre teve a seu lado cineastas que viam nele um gênio, um cineasta visceral, maldito, as vezes grosseiro mas dono de uma estética impressionantemente forte, de deixar os cabelos arrepiados dos que achavam que faziam um cinema engajado, seminal e agressivo as imagens fortes impressionaram cineastas como Rogério Sganzerla, Carlos Reichenbach, e Luis Sérgio Person assim como Glauber Rocha que conseguiram entender que Mojica era uma força que não se via nem nas mais aterradoras obras de Luis Buñuel . Sua visceralidade fluía naturalmente , mesmo sem a instrução formal de cinema , mojica nos grandes filmes "à meia noite levarei sua alma " e " esta noite encarnarei em teu cadáver" conseguiu levar as telas seus piores pesadelos, cenas impressionantes perturbadoras e nunca antes tentadas por ninguém .

Mas mesmo com essas qualidades e com sua criatividade de conseguir fazer filmes impressionantes com baixíssimos orçamentos, Mojica só conseguiu mesmo perseguição ao seu trabalho, e depois de muitos anos trabalhando em obras alheias, fazendo esporadicamente seus filmes com orçamentos cada vez mais apertados e com a censura cada vez mais recrudescida quando se tratava de seu nome, seu sonho de fazer o seu filme mais desejado ficava cada vez mais distante.

Muito tempo depois quase 40 anos se passam, quando Mojica consegue finalmente fazer aquele que é seu filme mais caro e mais bem produzido, mesmo assim mantendo sua marca calcada na visceralidade, seu empenho em ir alem de onde qualquer outro já foi, ousar sem pudores, ir onde os anêmicos diretores de cinema de terror atuais nunca sonharam, acabando com a pasmaceira, com imagens aterradoras de pessoas crucificadas sendo comidas vivas, bocas sendo costuradas, suspensões por ganchos (sempre reais), uma ode ao mau gosto mas poético como um filme de jodorowsky, com uma menina saindo e dentro de um porco ou outra sendo mergulhada em um tonel de vísceras, escatologia a moda de Pasolini? Não de José mojica Marins que faz os olhos desviarem de cenas fortes, mas seduzem pela riqueza de cores de texturas, um poeta das vísceras, uma fotografia primorosa, como nunca, a força das imagens brotam em cada plano atravessam a tela, Mojica consegue atingir, consegue incomodar, não deixa ninguém passivo e isso sim é um feito. A saga de Zé do caixão a procura de seu filho perfeito e sua mulher superior faz o filme ser difícil de classificar não é só um filme de terror, é um filme niilista, cáustico, surrealista, feito nas entranhas de são Paulo, por um cineasta que mostra que como seu personagem, esta vivo e voltou triunfante.

O vigor com que Mojica capta suas imagens são de dar inveja aos cineastas que se dizem modernos, uma orgia aos olhos e digo mais, Mojica mereceu esse filme que esta a sua altura é o mínimo que o Brasil deve a esse grande cineasta marginalizado que agora mostra uma obra forte, digna dos grandes mestres e a história esta se redimindo com esse homem, que por ser incompreendido quase foi relegado ao esquecimento, mas agora ele volta com força e pronto pra incomodar os olhos os estômagos e os moralismos dos incautos.

No final o filme é dedicado a Rogério Sganzerla, morto em 2004, que foi um grande apoiador de mojica desde o começo, que também teve problemas pra lançar seu ultimo filme "o signo do caos".

Mojica se Sganzerla estivesse vivo estaria aplaudindo na primeira fila e gritando quem tiver de sapato não sobra.

Cleiner micceno AKA reverend stalker.

PS: Jairo Ferreira fez um documentario chamado "Horror Palace Hotel" que é sobre o Mojica e também é homenageado no final do filme.