terça-feira, 2 de março de 2010

Mostra Órfãos da Embrafilme - 02 a 14 de março

ÓRFÃOS DA EMBRAFILME
CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
02 A 14 DE MARÇO DE 2010

Mostra realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil apresenta os filmes produzidos entre o fim da Embrafilme e a chamada “retomada do cinema brasileiro”

*Apresentação de 18 títulos, quase todos em película, produzidos entre 1990 e 1994

*Exibição do raríssimo O Vigilante, último filme de Ozualdo Candeias

*Debate reunindo cineastas, crítico de cinema e o curador Cléber Eduardo

DEBATE - 02 DE MARÇO (terça), 20h30


Cléber Eduardo - Crítico, professor, diretor e curador. Atuou como jornalista e crítico no jornal Diario Popular e na revista Epoca, foi redator da Contracampo e fundador da Revista Cinética. Curador há quatro anos da Mostra de Tiradentes. Diretor, roteirista e montador dos curtas Almas Passantes (2008) e Rosa e Benjamin (2009), ambos realizados em parceria com Ilana Feldman.

Pedro Butcher - Crítico de cinema desde 1994, tendo passado por O Dia, Jornal Do Brasil, Veja Rio e O Globo. Escreveu os livros Abril Despedaçado - História De Um Filme e Cinema: Desenvolvimento E Mercado. É editor do boletim Filme B.

Elisa Tolomelli - Desde os anos 80 vem trabalhado com roteiro, direção, produção e distribuição. Dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1991, Manobra Radical. Na metade dos anos 90, concentrou-se na distribuição trabalhando na Riofilme. Trabalhou na produção de Central do Brasil, Cidade de Deus, Benjamim, Mulheres do Brasil e Sonhos Roubados, entre outros.

Neville d'Almeida - Cineasta cuja carreira abrange desde filmes experimentais, como Jardim de Guerra, até campeões de público, como A dama do lotação, a segunda maior bilheteria do cinema nacional de todos os tempos. Seus filmes foram vendidos para mais de 80 países e são recordistas de exibição na TV brasileira.

Lhe aguardamos na Mostra!
O convite vale também aos amigos - repassem e nos vemos lá!

Ana Arruda
Produção local da Mostra
(61) 9967-0579
ana@brazucah.com.br

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SOBRE A MOSTRA

Até o ano de 1990, a Embrafilme foi o principal sustentáculo da produção e distribuição de filmes brasileiros. Numa medida polêmica, o então presidente Fernando Collor de Mello extinguiu a empresa, dentre outras ações que visavam encolher a presença do Estado. Este ato levou ao que ficou conhecido como os “anos negros” do cinema brasileiro, um período em que a produção caiu a níveis assustadores, o público sumiu e a distribuição praticamente cessou. Tudo isso começou a mudar em 1995, com o que se batizou de “retomada do cinema nacional”, com o sucesso dos filmes Carlota Joaquina, de Carla Camurati, e O Quatrilho, de Fábio Barreto. No entanto, entre 1990 e 1994, vários filmes foram produzidos, embora tenham ficado quase invisíveis para a maior parte do público. É sobre esses títulos que se debruça a mostra ÓRFÃOS DA EMBRAFILME, que o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta de 02 a 14 de março, com sessões às 15h30, 18h30 e 20h30. A abertura será com Manobra Radical, filme de estreia da diretora Elisa Tolomelli. Ingressos a R$ 4,00 e R$ 2,00.

Com curadoria do crítico de cinema Cléber Eduardo, foram reunidos títulos que, por estarem na fronteira entre dois momentos históricos e entre dois sistemas de produção, ainda carregavam traços dos anos 80, ao mesmo tempo em que tentavam impor diferenças com relação ao período Embrafilme, dando início a uma nova fase do cinema brasileiro. Estão na programação desde títulos premiados em festivais até filmes de raríssima circulação, como é o caso de O Vigilante, do Ozualdo Candeias, último filme do diretor (totalmente sintomático desse período sombrio do cinema brasileiro) e que terá projeção única durante a mostra, na terça-feira, dia 9 de março, na sessão das 20h30.

CINEMA ÓRFÃO

Os 18 filmes da mostra foram realizados no período que muitos chamam de limbo da produção cinematográfica nacional. Não havia apoio para produzir nem para distribuir. Foi uma época que terminou por criar o espírito de renovação da segunda metade dos anos 90 quando, graças a editais e a um novo modo de captação de recursos, o cinema brasileiro começou a viver um boom de novos diretores e profissionais. Foram anos de procura de relevância, com filmes políticos e históricos, e de busca da popularidade, tendo como fonte autores cujas adaptações das obras foram legitimadas por público ou crítica nos anos 70.

De um universo de mais de 50 filmes do período, a curadoria escolheu os mais “representativos”, alguns recebidos por críticos como a possibilidade de redenção desses anos de orfandade (como Alma Corsária, de Carlos Reichenbach, e Perfume de Gardênia, de Guilherme de Almeida Prado), outros premiados em festivais (como Stelinha, de Miguel Faria Jr) e ainda os casos de filmes vinculados a um cinema popular, como Vai Trabalhar Vagabundo II – A Volta, de Hugo Carvana, que procura retornar à comédia carioca de malandro.

A produção destes cinco anos ainda herdava as adaptações de autores em alta no cinema brasileiro dos anos 70, como Plínio Marcos (Barrela, de Marco Antônio Cury) e Nelson Rodrigues (Boca de Ouro, de Walter Avancini), além de uma tentativa de levar às telas João Guimarães Rosa (A Terceira Margem do Rio, de Nelson Pereira dos Santos). Também apresentava investimento, em doses mais discretas em relação ao momento histórico anterior, na nudez de atrizes conhecidas – um dos itens mais populares dos filmes brasileiros dos anos 70 e 80. Há variações do gênero policial (A Maldição do Sanpaku, de José Joffily, e Escorpião Escarlate, de Ivan Cardoso), histórias ambientadas no mundo dos surfistas (Manobra Radical), personagens decadentes ou sem perspectivas (Stelinha, de Miguel Faria Jr), documentários (Radio Auriverde, de Sylvio Back), enfoques com algum nível de política (Alma Corsária) e um humor preocupado com os códigos da representação (Capitalismo Selvagem, de André Klotzel).

Confira as Sinopses dos filmes

Novas Entrevistas para o Doc Eddy Teddy - Nuno Mindelis, Eric e Deni

logo mais postarei um entrevista completa com nuno mindelis, feita em video, especialmente para o Stalker Shots, em breve estará disponivel.


Nuno Mindelis

Nesse final de semana demos continuidade as gravações para o documentário sobre o Eddy Teddy e um dos entrevistados foi o Nuno Mindelis, um dos guitarristas de Blues mais conceituados no Brasil e reconhecido internacionalmente.

Nuno (gaita) e Eddy Teddy

Eddy Teddy conheceu o Nuno em meados dos anos 80 numa gravação de um comercial para a televisão e depois de conversarem muito sobre música, principalmente blues, Eddy o convidou para participar de uma jam no último show do Coke Luxe.

A partir deste dia Eddy Teddy sentiu que teria que agitar um próximo trabalho musical misturando rockabilly com blues e esse trabalho que resultou o nome de Rockterapia teria que ser com o Nuno Mindelis.

Eddy e Nuno (Rose Bom Bom)

Durante a entrevista, que foi realizada no estúdio que fica na casa do Nuno Mindelis, pudemos relembrar muitas histórias dessa época, como por exemplo os ensaios que rolavam no quartinho do fundo da casa do Ló (baixista da banda), que era um quartinho forrado de mulheres peladas, comentou sobre os shows do Rockterapia que eram incendiários e memoráveis e também da falta do Eddy Teddy.

Com sua coleção de guitarras fez questão de tocar algumas coisas durante a entrevista que marcaram sua trajetória musical ao lado do Eddy Teddy e do Rockterapia.

Também contou para nós um pouco da sua trajetória musical que teve início aos cinco anos de idade e aos nove, já estava tocando instrumentos construídos por ele próprio.

Falou sobre suas principais inflûencias como por exemplo Otis Redding e sua grande banda, Booker T & the MG’s.

Depois contou sobre sua ida ao Canadá em 1975 após perderem tudo na guerra em Angola e das dificuldades para comprar sua primeira guitarra, que possui até hoje e esta imortalizada por um autógrafo do BB King.

eu e nuno

Após sua saída do Rockterapia, Nuno dedicou-se a carreira solo e ao Blues, resultando trabalhos formidáveis e um reconhecimento não só no Brasil mas no mundo.

Pudemos também apreciar um pouco do seu novo trabalho que sairá em breve em cd que se chama Free Blues, que é uma releitura do Blues para os tempos atuais e que eu realmente achei formidável, são arranjos muito bem elaborados e muito criativos para músicas conhecidas, como por exemplo “While my guitar, Dust my broom, Rock me baby, Feeling alright, entre outras.

Nuno Mindelis, Luiz Teddy e Cleiner


Na última sexta feira fizemos uma entrevista

fantástica com o Deni e o Eric,

filhos do Ló que foi um dos principais

parceiros do Eddy Teddy em

bandas passadas, desde a

primeira Helkers,

passando pelo Satisfaction e

depois o Rockterapia e

depois tendo sua vida

interrompida por um acidente trágico.

Deni, Luixo, Eric e Cleiner

Eddy teddy e Ló

A entrevista rolou na sede da Bad Bug um espaço dedicado a Kustom Kulture, Oficina, bar, loja de roupas e acessórios, do qual o Eric e sua esposa Sabrina são donos.

Bitch Boys

mais sobre o doc do eddy teddy no blog especifico do luixo: http://eddyteddy.wordpress.com/

Rockers - por Luiz Teddy

Rockers

por luizteddy

Já que estou comentando sobre subculturas dentro do universo rock & roll, uma turma que eu não posso deixar de falar são os Rockers que tiveram inicio no Reino Unido nos anos 60 entre os adolescentes motociclistas.

Antes dessa época os motociclistas não faziam parte de nenhuma turma estruturada como se vê hoje em dia, principalmente carregando emblemas nas jaquetas.

Sempre foram diferentes dos Greasers (moçada que curtia carros), dos Rockabillies, dos Teddy Boys e dos Punks. Entretanto nos anos 60 eram muito confundidos com os Greasers ou Grease e freqüentemente estavam envolvidos em brigas com os Mods (modernistas), cujo resultado sempre era negativo para ambas as partes, resultando muitas vezes alguns adolescentes presos e outras vezes algumas mortes.

As brigas ocorriam aonde as duas subculturas “dividiam” território ou quando as facções rivais se encontravam ou “planejavam” coincidentemente as mesmas coisas, que na maioria das vezes era pelo controle da parte beira-mar Londrina durante o verão.

Os rockers eram mais parecidos aos “bikers”, eram o oposto frontal daquilo que era cultuado pelos modernos da época; adoravam jaquetas de couro preto adornadas com broches e correntes, ostentavam seus topetes, se devotavam ao rock “50´s” Rock and Roll de artistas americanos, em sua maioria brancos, como Elvis, Eddie Cochran e Gene Vincente (considerado ultrapassado pelos MODS) e seguiam o espírito de liberdade do motoqueiro norte-americano, desprezando as benesses do trabalho duro.

Suas motos eram revestidas de couro pesado e decoradas com parafusos de metal, remendos, emblemas “às vezes um emblema do homem do gás de ESSO”, geralmente usavam um capacete clássico, óculos de proteção de aviador, e um lenço de seda branco (para se proteger).

Outros artigos comuns incluíram: os tampões de couro chamados de Kagneys, calças de brim da Levi’s, calças de couro, botas de cano altos (feitos na maioria das vezes de couro), creepers e camisetas do estilo Daddy-O.

Ainda era muito popular um patch na jaqueta que declarava uma sociedade ao clube 59 de Inglaterra, uma organização juvenil que mais tarde originou um clube genuíno de fanáticos por motocicletas tendo membros do mundo inteiro.

O penteado dos rockers eram feitos com pomadas de Brylcreem “brilhantina”, como era popular pelos músicos dos anos 50.

Essa subcultura nasceu devido aos fatores econômicos e sociais da Segunda Guerra no Reino Unido resultando uma ascensão da classe trabalhadora e a influência da música popular americana e dos filmes, na construção das estradas e novas vias expressas em torno das cidades britânicas, e no desenvolvimento dos Cafés que eram ponto de encontro dessa turma.

Estes fatores coincidiram com um pico na engenharia britânica da motocicleta, embora não tivessem o estilo rocker existente nos anos 50 foi nos anos 60 que se tornaram conhecidos a essa paixão pela moto e conseqüentemente pela paixão da música rockabilly e pelo rock & roll.

Os Rockers geralmente compravam motocicletas de fabricação padrão e modificavam-nas para aparecer com bicicletas. Criavam competições em estradas públicas e se encontravam em Chelsea Bridge tea stall, Ace of Spades, Busy Bee and Johnsons. Na maioria das vezes não eram bem-vindos em nenhum destes lugares, por isso os encontros eram restritos em pubs e pequenos salões de danças espalhado pela cidade.

Esta atitude permaneceu predominante no Reino Unido até o começo dos anos 90, quando ouve uma mudança notável na demografia dos motoqueiros no país.

Os rockers tornaram-se definidos como as antíteses de seus contemporâneos da “scooter-riding”, os mods. Tiveram um grande conflito no dia 18 de maio de 1964 por causa do seguimento dos meios sensacionalistas, que publicavam diariamente os conflitos entre as turmas. O conflito ocorreu num feriado inglês do sul de Clacton, de Margate e de Brighton quando centenas de Mods e Rockers se enfrentaram com selvageria pelas suas ruas e praias. Este evento foi muito bem retratado no filme Quadrophenia de Franc Roddam.

Os mods não gostavam dos rockers porque achavam que eram truculentos, machistas e antigos. Os rockers não gostavam dos mods porque eram garotos de art school e com roupas efeminadas.

A cultura rocker era definitivamente masculina e agressiva, isto é, estava definitivamente fora de moda. A década era mod. “Get off of my cloud” dos Rolling Stones, e “My Generation” do Who, são exemplos claros disso. Mods e rockers eram facções que a princípio eram divididas por questões como roupas e estilo de vida e a separação cultural entre eles era motivo para batalhas campais, violentas e sangrentas.

Com o advento hippie (mesmo bandas como The Who, não se mostravam mais como mod), essas facções perderam força e entraram em declínio. Voltariam, porém, com novos modelitos e até mais violentos, a partir do início dos 70.

Atualmente é comum , não mais como em 1964, Rockers e mods fazerem seus eventos e encontros juntos, não brigando e se degladiando como antigamente, mas lembrando nostalgicamente dos “bons tempos”.

Pelo mundo, ocorrem várias festas “Mods vs Rockers”, relembrando essa época de ouro, porém apenas com dois objetivos.: ouvir música e andar de moto, seja ela uma scooter ou a famosa Cafe Racer.



Assista:



Lançamento do livro “Olhar Crítico – 50 Anos de cinema brasileiro”

Com alguma modéstia, Ely Azeredo apresenta-se ao leitor que não o conhece como o crítico de cinema que atuou em diários de circulação nacional pelo mais longo período de tempo no Brasil. Foram 50 anos de reflexão, divididos especialmente com os leitores de “Tribuna da Imprensa”, “Jornal do Brasil” e “O Globo”.
Ao lançar, nesta terça-feira, 2 de março, “Olhar Crítico” (Instituto Moreira Salles, 416 págs., R$ 54), Azeredo oferece uma súmula de sua produção – 98 textos que deixam claro que o tamanho de sua contribuição não se mede apenas pelo tempo de prática, mas pelo que ensina sobre o ofício ao qual dedicou sua carreira.

Azeredo teve atuação notável num dos períodos mais ricos da produção e discussão cinematográfica no Brasil, o da eclosão do Cinema Novo, no final da década de 50. Como se deu na França, com a Nouvelle Vague, o Cinema Novo promoveu a entrada em cena não apenas de uma nova geração de cineastas, mas também de críticos, que apoiaram o movimento com entusiasmo.

De uma geração anterior, em atividade desde o final da década de 40, Azeredo viu com simpatia a onda de renovação provocada pela geração de Glauber Rocha, a ponto de, em 1961, batizar o movimento com o rótulo (Cinema Novo) que ficou para a história, mas logo entrou em atrito com os cineastas e críticos “alinhados”.

  • Divulgação

    Dina Sfat e Grande Otelo em cena do filme "Macunaíma", do diretor Joaquim Pedro de Andrade

  • Divulgação

    Lázaro Ramos recebeu elogios do crítico por sua atuação em ''Madame Satã''

Os textos de Azeredo sobre filmes do Cinema Novo incluídos na coletânea expõem a luta de um crítico independente, analisando obras no calor da hora e sob pressão dos próprios cineastas e de seus aliados.

Azeredo elogia “Barravento” e aprecia “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber, embora sublinhe: “Sem ser o maior filme até hoje produzido neste planeta, como querem alguns exagerados”. Gosta de “Garrincha, Alegria do Povo” e extasia-se com “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, mas não poupa críticas a “Terra em Transe”, de Glauber, e a “Porto das Caixas”, de Paulo Cesar Saraceni, entre outros.

Na introdução do livro, Azeredo lembra uma observação do cineasta Cacá Diegues, para quem o Cinema Novo foi, entre outras coisas, “um partido”. Questionado pelo UOL sobre o assunto, o crítico observa que o núcleo central do Cinema Novo, formado por Glauber, Cacá, Joaquim Pedro, Leon Hirszman e Gustavo Dahl, “desejava uma crítica ‘alinhada’ com as diretrizes do movimento”. Conta Azeredo:

“Restrições a qualquer filme cinemanovista eram consideradas ‘alienação’, submissão ao colonialismo cultural etc. Quando me desliguei da ‘militância’ no Cinema Novo e critiquei alguns filmes frustrados, Glauber me pediu pessoalmente que parasse de ‘atacar o Cinema Novo’. Meus artigos na ‘Tribuna da Imprensa’, segundo ele, estariam criando dificuldades para a liberação de empréstimo no Banco Nacional para a produção de "Deus e o Diabo na Terra do Sol". Ora, como um crítico pode se pautar pelas expectativas bancárias de produtores?”

Azeredo lembra de outros três problemas que afetaram o trabalho dos críticos de cinema durante o período. Em primeiro lugar, a militância cinemanovista via com restrições a produção de cineastas não alinhados ao movimento, independente da qualidade dela.

“Nunca aceitei tentativas de terrorismo contra os cineastas ‘não cinemanovistas’. Aqui, como ocorreu na França com o grupo (da revista) ‘Cahiers du Cinéma’ da Nouvelle Vague ao negar aptidão profissional a (Henri-Georges) Clouzot, (Claude) Autant-Lara e outros, houve tentativas de enxovalhar a reputação profissional dos não alinhados”, diz o crítico.

Em segundo lugar, lembra Azeredo, a defesa intransigente do Cinema Novo levou a militância a defender filmes de pouca qualidade. “Alguns ‘novos’ eram louvados pelos cinemanovistas, apesar de sua mediocridade. David Neves era considerado uma espécie de mestre de cerimônias do clã, e era louvado pelos CN, embora jamais tenha realizado um filme de valor”, afirma o crítico. “Só para mencionar um desastre: Neves jogou fora todos os valores de ‘Lucia McCartney’, de Rubem Fonseca, o que causou revolta na atriz protagonista, Adriana Prieto, que se solidarizou com minha crítica.”

Por fim, Azeredo fala do seu espanto com a adesão de críticos já experientes, na época, à defesa do movimento. “Estranhei que críticos de valor, como Alex Viany e Maurício Gomes Leite, tenham ingressado no ‘partido’ CN, perdendo a visão de conjunto da produção nacional. Um intelectual como Paulo Emílio Sales Gomes se tornou um ‘papa’ do novo culto, chegando a roteirizar uma das frustrações da vertente, ‘Capitu’, dirigido por Saraceni”.

“Olhar Crítico” não se detém no período do Cinema Novo. Estende-se até os primeiros anos do século 21, passando em revista a produção das décadas de 70, 80 e 90, até chegar aos principais títulos da chamada “retomada” do cinema brasileiro.

Fiel a seu mote desde os anos 60 – “promover um novo cinema brasileiro paralelamente a posições críticas independentes” – Azeredo avalia cada filme em função das qualidades e problemas que enxerga na obra em si, e também no contexto de sua época, dos diálogos do autor com os seus predecessores e com seus contemporâneos e do lugar do filme dentro da trajetória do cineasta. Um exercício duro, sujeito a erros e acertos, cumprido com coragem e honestidade pelo crítico.

Lançamento do livro “Olhar Crítico – 50 Anos de cinema brasileiro”
Quando: 2 de março, às 19h
Onde: na Livraria Travessa, Av. Afrânio de Melo Franco, 290, 2º piso, Rio de Janeiro

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Stray Cats no Brasil - partes do doc sobre Eddy Teddy


por Luiz Teddy

Stray Cats

Após mais de 20 anos consegui ver 2 fotos que me fizeram voltar no tempo, fotos da época da vinda do Stray Cats ao Brasil.

Com certeza, este foi um dos maiores acontecimentos dentro da cena rocker que rolaram no Brasil.

Os shows rolaram entre os dias 9, 10 e 11 de março / 90 no Projeto SP, uma extinta casa localizada na Barra Funda.

Acredito que não só para mim, mas para muitos que estiveram lá esse acontecimento se tornou único e talvez tenha mudado toda cena rock nacional.

Lembro como se fosse hoje quando foi anunciado a vinda dos caras, logo após um retorno fantastico da banda que resultou a gravação do disco Blast Off.

Nesta época a cena rockabilly estava em ascensão, haviam muitas bandas, o publico era crescente e as festas rolavam com muita freqüência.

Eu estava tocando na minha primeira banda rockabilly, Sleep Walker´s e respirava rockabilly e psycho.

Podemos dizer que o Guana Batz abriu as portas com a vinda um ano antes, mas o show do Stray Cats foi sem dúvida um show único e muito aguardado não só pela moçada rockabilly/psycho, mas por todos os amantes de rock & roll.

O primeiro massacre foi ter acompanhado a coletiva que rolou no Hotel Hilton, lembro que uma moçada esteve lá e eu tive que controlar minha ansiedade, afinal meu pai subiu e só depois eu pude entrar com a sua credencial para assistir a coletiva e ver os caras de perto.

Quando cheguei na sala, eu comecei a disparar uma porrada de fotos e a maior merda foi que na hora que peguei os autógrafos não tinha mais nenhuma foto para bater.

Na entrevista só não estava o Lee Rocker e o bate papo foi transmitido posteriormente pela TV Cultura.

O show foi sensacional, já começando com a música Rumble in Brighton que botou a casa para baixo.

O mais incrível foi após o show que rolou uma festa no Club C e o Brian Setzer apareceu com sua mina e até dançou na pista.

Sempre corri atrás destas fotos e depois de muito tempo encontro estas duas em um álbum de um amigo “Savage” que no dia acabou registrando….

Apesar da qualidade ruim e de estar recortada estas fotos já valeram o ano pra mim.

Eu, Brian Setzer e Eddy Teddy

Brian Setzer e Eddy Teddy

The General´s Boys – Primeira Turma Rockabilly No Brasil


Eddy Teddy e Billy Gato

Apesar de ser uma matéria de jornal ridícula escrita por um jornalista que não entendem nada sobre o assunto, esta matéria do Jornal da Tarde (86) fala sobre a primeira turma de rockabilly fundada no Brasil no estado de São Paulo pelo Raimundo “Billy Gato” General´s Boys.

Tenho até hoje o emblema que foi dado ao meu pai e guardo com o maior carinho, é um papagaio de topete que se não me engano foi criado pelo Drago.

Aproveitando o tópico sobre Gangs dentro do universo rockabilly, resolvi explorar um pouco este assunto, afinal os filmes que retratam o universo dos anos 50 sempre são cercados de turmas de “delinqüentes juvenis” ou de turmas de bairros.

Minha infância foi marcada destes filmes e apesar de hoje em dia não fazer parte de nenhuma, respeito as turmas que existem e ao mesmo tempo acredito que acaba separando e dividindo o pessoal que curte o mesmo estilo.

Primeiro filme de gangs que assisti foi o “Selvage” de Marlon Brando, um filme fantástico sobre uma turma de motoqueiros, posteriormente assisti o que mais marcou minha infância e talvez minha vida, que foi o The Wanderers, onde posteriormente montei minha primeira turma ainda com 13 anos de idade.

Nessa época andava com o blusão e no visual 24 horas por dia, e o mais gozado é que a turma era formado por uma mulecada do meu bairro onde tocávamos o terror pela vizinhança.

Depois reformulei a turma e através do Wanderers, comecei a conhecer uma moçada que também curtia rockabilly e dessa forma agitávamos várias festas e noites de rock & roll.

Com 20 e poucos anos entrei e ajudei a construir o pet dos Lobos da Brilhantina e por final me reuni com os piores elementos para montar uma turma sem fronteira que eram os Putanheiros.

Putanheiros "Brito, Luiz Teddy e Therencio"

Posteriormente cansei desse lance de turma e resolvi tocar minha vida sozinho fazendo parte de uma turma de vários amigos que vou encontrando por esse Brasil a fora.

Outros filmes que marcaram época foram: The Hollywood Nigts, Porks, Lords Of Flatbush (com o Stalone), The Warriors (apesar de não ser uma turma de rockers é um filme que retrata todas as gangs americanas), Ruas de Fogo (nesse aparece uma apresentação memorável dos Blasters), Rot Rod Gang ( com a participação do Gene Vincent),entre muitos outros que valem a pena serem vistos.

Entre todas as turmas de rockabillies que conheço existentes até os dias de hoje gostaria de destacar apenas 3 para não acabar esquecendo de nenhuma, The Ratz, The Dogs e Ases do Rock & Roll que na minha opinião são mais que uma turma ou uma gang, são famílias de amigos que estão pelo menos a duas decadas por ai.

teddy boys - by luiz teddy

Teddy Boys

Teddy Boys

Venho observando que um dos assuntos relacionado as origens do rock bastante procurado no Blog é em relação ao estilo Teddy Boy, pouco divulgado no Brasil e particularmente um dos que eu mais gosto e atualmente venho divulgado através da minha banda Run Devil Run.

Em função disso resolvi preparar um texto para comentar um pouco sobre este lado mais obscuro e underground do rock & roll, responsável por cultuar e manter vivo o rockabilly num período onde o rock & roll estava praticamente morto.

TEDS

Para os adolescentes de hoje é quase impossível imaginar viver na Grâ Bretanha após-guerra onde a única coisa que crescia era o desemprego.

Um festival enorme e bem sucedido denominado de Festival Of Britain em 1951, promovido como um tônico para os Britânicos deu uma espécie de alavancada no país, mas em compensação fizeram muito pouco para a juventude.

Infelizmente os adolescentes britânicos não tiveram nenhum modelo como Elvis ou James Dean, poucas aspirações ou identidade real.

Era a brigada de Edwardian, marcado pelos Teddy Boys no final de 1953, onde a maioria era essencialmente sem instrução profissional ou jovem das classes trabalhadoras, excluídos das abundâncias desfrutadas pelos jovens das classes mais altas.

Para os jovens ingleses ser ou não um Teddy Boy era o dilema durante a década de 50. Inclusive, John Lennon chamava atenção pelas ruas de Liverpool por ser um dos adeptos do estilo.

John Lennon

Apesar do aspecto vicioso associado com estas juventudes perigosas, ninguém podia discordar que o nível de sofisticação estranha refletida principalmente no vestuário extremamente chamativo, comparado a outros estilos conhecidos, os aficionados ao estilo de Edwardian mostraram claramente seu amor-próprio ao suportar os arredores da Grâ Bretanha.

Acredita-se que o estilo começou realmente em Londres como um renascimento de após-guerra bem discreto, baseado na aristocracia de Edwardian, que era cultuado pelos garotos trabalhadores da classe operária.

O estilo incluía penteados elaborados (o estilo “duck arse”), paletós drapeados engomados e compridos ornamentados com golas de veludo e bolsos com abas engomados pseudo-eduardianos (dai a origem do nome), calças jeans de cintura alta bem justas no modelo “drainpipe (cano de esgoto) e meias coloridas, sapatos de sola grossa de crepper (“”brothel creepers), uma gravata bem fina amarrada com cadarço dava o arremate final ao look e os cabelos compridos com costeletas, muita brilhantina para segurar o penteado que era puxado até o meio da testa.

Ás preferências musicais dos teds incluíam no início o rock n roll e o rockabilly. Nos anos de 1950, na Autrália e na Nova Zelândia, as versões locais dos teds foram chamadas de “bodgies”.

As atividades dos teddy boys concentravam-se em torno do rock n roll, dos coffee-bar, dos cafés com vitrolas automáticas e dos pubs. Envolveram- se em brigas em cinemas e salões de baile durante o advento do rock n roll, bem como nos conflitos raciais de 1958 no Reino Unido: “”os teds eram fundamentalmente proletários e xenófobos“” (Hebdige 1979).

Nos anos de 1970 e 1980, houve um renascimento “teddy boy”, apesar de o vestuário e o comportamento dos teds modernos terem conotações diferentes, mais reacionárias e mais próximas do machismo da classe trabalhadora sua cultura de origem.

Durante os anos 70, a musica rockabilly passou por um período conturbado, mantida nos guetos de Londres pelos Teds e com isso cada vez mais aumentando sua popularidade entre estas gangs, com isso o visual acabou sendo plagiado por Vivienne Westwood e Malcolm McLaren através de sua loja na London’s Kings Road.

A nova geração ds adotou alguns aspectos dos Teds dos anos 50 , mas com uma grande quantidade de influência do rock glam, incluindo umas cores mais vivas para o seu revestimentos, creepers estilizados e meias coloridas e para incrementar o visual foi adicionado um pouco de laquê e brilhantina para moldar o cabelo.

No final dos anos 70 a nova geração de Teds se tornaram arque inimigo dos punks, movimento que tinha a própria inspiração do visual na loja de McLaren.

O começo dos 90 ouve um renascimento do estilo original dos Teddy Boys por um grupo de homens conhecidos como The Edwardian Drape Society (T.E.D.S), baseado na área de Tottenham do norte de Londres, foram estados relacionados com a recuperação do estilo original que sentiram que tinha se tornado banalizado pelo pop e pelo glam tais como Showaddywaddy e Mud nos anos 70.

Foram os assuntos de um curta criados pelos Teds e por Bruce Weber, que premiou no festival de Cambridge Film Festival em julho 2006.\

Algumas vertentes seguiam para lados mais perigosos, formando gangues violentas e racistas. Mas mais do que procurar brigas, o que os Teddy Boys buscavam era a construção de sua identidade através das roupas. Seguindo a frutífera corrente do período pós-guerra na Inglaterra, em que podiam bancar financeiramente suas próprias vestimentas, foram responsáveis por inserir a moda na vida dos adolescentes, que antes disso só se vestiam como os pais.

Hoje, a imagem de Edwardian e o estilo de vida estão mais do que vivos. O visual foi praticamente inalterado, os cortes de cabelo, e a música é ainda são as mesmas.

Os clubes de Rock & Roll permanecem tocando bopping e jiving, musicas prediletas pelos Teds e sua danças autenticas continuam da mesma forma selvagem de pular no chão. A única diferença é que a agressividade das lutas nas ruas e as armas são coisas do passados.

Mas uma coisa é certa, os Teddy Boys vieram para ficar.

Crazy Cavan

Assista: