sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Anno Zero - Eu

Em minha vida naveguei
Nas velas, ao mar bravio
Pareceu
Que
Nem até ao fundo cheguei
Nem do mar

Nem 
Do
Eu

Cleiner Micceno

Anno Zero - Erros

Por tantos erros
Que cometi
Pensei nos acertos
Somei, multipliquei, dividi
Cheguei ao total
De erros tantos
Que suplantaram
Até mesmo

A mim



Cleiner Micceno - Madrugada de 11 de outubro

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Rogério Sganzerla - O abismo da marginália cinematográfica

No final dos anos 40 e durante os anos 50 bem no período pós-guerra a Itália se reconstruía social e culturalmente com o neorrealismo de Rossellini e Vittorio de Sica, com filmes que usavam como cenário a própria realidade, assim como atores amadores e pessoas do povo. E com inspiração nessa estética e nesses preceitos alguns cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Rui Guerra, Carlos Diegues, entre outros, na década de 60, começam a tomar essas ideias e colocá-las em pratica com o velho bordão do Glauber Rocha “Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” começa ai saga do Cinema Novo no Brasil, com obras como “Os Fuzis”, marco inicial de Rui Guerra, e "Deus e o Diabo na Terra do Sol" de Glauber Rocha. Um cinema de esquerda, contestatório e adaptado a realidade brasileira, mas mesmo assim ainda cheio de ranços e de cineastas que com o passar dos anos virariam a casaca, os ideais e suas raízes.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Café e cigarros

Café e cigarros



Ela saiu de casa cedo
Na mesa apenas um papel qualquer jogado
Em letras rápidas e trêmulas, poucas palavras:
“Vou indo, adeus... nos  vemos um dia desses”
Foi buscar novos caminhos, e eu apenas era a velha estrada...
Já trafegada e conhecida.
Ela precisava de novos ares e eu de oxigênio
Abri o jornal matutino, nada de novo
Um cigarro pendendo das mãos... é o que restava
Sobraram para mim apenas as lembranças.
A mesma cadeira, o mesmo espaço antes ocupado pela silhueta dela
A torneira que teimava em pingar mesmo com tudo isso
Na pia um copo; desses baratos, com restos de café...
Que ela tomou antes de partir para sua viagem.
Seus últimos restos mortais.
Visto um par de chinelos amarelados, rastejo até o sofá,
A janela ainda estava cerrada, provavelmente iria ficar durante o resto do dia.
Ligo a TV, nada além de besteiras, tomo um trago de qualquer coisa...
Acendo mais um cigarro, volto para cama
Entre uma tragada e outra, murmuro:

“Que tudo mais vá a merda...”

por Cleiner Micceno

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Versos de um cão


Quando procuro dentro de mim mesmo
Acho apenas indecisão, tristeza e talvez alguma comiseração.
Não sei se sou apenas eu ou o mundo ao redor
Que causa esse desatino , essa impotência , esse desamparo , de gente menor
Essa gente que é a minha laia, o meu pedigree, de cão sarnento de rua que pouco abala
Mas que gane, late e rosna, para todos, nesse beco miserável que se chama vida, ou o hiato antes da vala.
Não sei, apenas acho que o céu e o inferno, é apenas uma questão de ponto de vista
Que seja o defunto tardio, velho e cansado, com a poeira da vida, que não adere a morte por escolha , talvez por preguiça e seja essa a pista
Desse lamurio , desse descompasso, desse desassossego que sinto
E parto ao largo dessa coisa que chamamos de vida.
Nem alma , nem pós morte , os cães apenas latem de dor e da fome que os consome
Sobrevivem de birra no meio desse sonho insone
Buscando a próxima mordida, e a próxima lata, que derruba na sua calçada
Incomodando sua felicidade falsa, e sujando sua fachada ,
Nas minhas mordidas de cão sem alma, procuro tirar sua falsa comodidade
Com a espuma que deito de minha boca , demonstro a raiva que infecta e corrói sua vaidade

Cuidado com os cães sem dono,

Com os largados na rua, eles mordem as mãos dos desavisados
Essa hidrofóbica linha de sentimentos,
Que lacera o pescoço dos incautos
E mantêm o orgulho dos pulguentos.

por Cleiner Micceno

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

ESTREANDO MEU MAIS NOVO TRABALHO, "SEDE", curta metragem feito de forma independente, sobre vingança no tempo de escravidão. 

http://youtu.be/A0r58pwasPI

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Golfinhos dão azar



Sexta feira treze costumava ser um dia de boa sorte pra mim, até aquela em que Constantin tinha passado para uma visita com uma vadia nova, daquelas loiras oxigenadas e esguias como um golfinho. Parecia mais uma noite igual a tantas outras, e ela igual a tantos outros golfinhos do Constantin.
- Como vai George? Quero que você conheça minha amiga Alva, ela é uma mulher incrível!  Constantin dizia isso de todas as amigas que me apresentava na primeira vez, o problema que a “mulher incrível” se tornava sempre ”maluca desequilibrada” em pouquíssimo tempo. Ele era um bastião de estabilidade; lógico.
- Como vai Constant? Ao que devo a honra dessa visita tão ilustre; em plena madrugada?  
- Porra cara,  preciso de uma ajuda sua e você não pode me dizer não! 

domingo, 21 de outubro de 2012


Curta metragem  - O Caixão - de Cleiner Micceno





Dirigido por Cleiner Micceno


Elenco

MARIA AP. MARTINS Muié
EZEQUIEL OLIVEIRA Tonho

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Entrevista feita com Nuno Elias Jr, para o documentário a historia do rock em sorocaba.‎8‎ de ‎outubro‎ de ‎2010 - Nuno aqui fala de sua antiga banda Zoltar, do rock'n'roll, de sua vida e sobre seus amigos, . foi-se jovem, mas ficará na memória de todos que o conheceram. rock lives 15 /11/1977 - 11/06/2012

http://www.youtube.com/watch?v=MO6Ra6ksya8&feature=share

Morre o cineasta Carlos Reichenbach


Diretor de filmes como 'Império do Desejo' e 'Garotas do ABC' havia completado 67 anos nesta quinta (14)







































O cineasta Carlos Reichenbach morreu no final da tarde desta quinta (14), em São Paulo, data em que completava 67 anos. 
Diretor de 22 filmes, entre eles “O Império do Desejo” (1981), “Filme Demência” (1985), “Alma Corsária” (1993) e “Garotas do ABC” (2003), Reichenbach integrou diversos movimentos de vanguarda, como o Cinema Marginal e as experiências mais autorais da Boca do Lixo.
Entre os prêmios recebidos em sua carreira destacam-se o Kikito de melhor diretor no Festival de Gramado por "Filme Demência", em 1986, e o Candango de melhor filme no Festival de Brasília por "Alma Corsária", em 1993.
Reichenbach foi tema de uma mostra com seus filmes no Festival de Roterdã, na Holanda, nos anos 1980. Em sua última edição, realizada no início deste ano, o evento holandês exibiu uma cópia restaurada de “Liliam M – Relatório Confidencial”, de 1975, considerado um de seus principais filmes.

Sócio da produtora Dezenove Som e Imagens ao lado de Sara Silveira e Maria Ionescu, o cineasta apresentava desde 2004 a Sessão do Comodoro no CineSesc, que exibia mensalmente filmes raros e inéditos no circuito brasileiro.
Reichenbach sofreu uma parada cardíaca quando estava em sua casa. Ele deixa a mulher, Lygia Reichenbach, três filhos e uma neta.

Veja a filmografia de Carlos Reichenbach
"Esta Rua Tão Augusta" (curta-metragem) (1967)
"As Libertinas" (episódio: Alice) (1968)
"Audácia" (episódio: A Badaladíssima dos Trópicos X os Picaretas do Sexo) (1970)
"Corrida em Busca do Amor" (1972)
"O Guru e os Guris" (produtor e diretor de fotografia) (1973)
"Lilian M: Relatório Confidencial" (1975)
"Sede de Amar" (1977)
"A Ilha dos Prazeres Proibidos" (1978)
"Amor, Palavra Prostituta" (1980)
"Sangue Corsário" (curta-metragem) (1980)
"Sonhos de Vida" (curta-metragem) (1980)
"O Paraíso Proibido" (1981)
"O Império do Desejo" (1981)
"As Safadas" (episódio: A Rainha do Fliperama) (1982)
"Extremos do Prazer" (1984)
"Filme Demência" (1985)
"Anjos do Arrabalde" (1986)
"City Life" (episódio: Desordem em Progresso) (1990)
"Alma Corsária" (1993)
"Olhar e Sensação" (curta-metragem) (1994)
"Dois Córregos" (1999)
"Equilíbrio & Graça" (curta-metragem) (2003)
"Garotas do ABC" (2003)
"Bens Confiscados" (2005)
"Falsa Loura" (2007)

anno zero - solilóquio

Solilóquio 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Anno Zero - Desassossego


Anno Zero - Desassossego

Sentimentos confusos flutuam em suspensão, vagando pelo espaço aberto entre o céu e todo abismo de meus pensamentos. Serpentes rasteiras esgueiram entre meus pés com sua peçonha guardada para momentos como esse. Indizível como a dor é fugaz e massacrante. Um sonho assustador tão ruim quanto a vida. Pequenas doses de esquecimento são trotadas goela a baixo, as veias estufam como cães raivosos, as dores matam mais um pouco de mim.
A atroz arte de se manter vivo poderia ser seguida da emancipação da consciência, do embrutecimento constante e da ignorância para tudo que nos cerca, talvez um pouco desse doce alento não seja tão ruim, seria feliz se tivesse a percepção dos tacanhos.
Café, cigarro, fumaça, pulmões negros, latidos ao longe, frio, impaciência, anestesia passageira, não estou morto, mas estou sem vida, o pulso falha, a voz morre na garganta, espasmos musculares, não peço clemência nem redenção, a dor aguda já se tornou tão constante como um fiel amigo. Na lama acostuma-se com a imundície e torna-se parte dela.
Sinto uma tempestade que embrutece dentro do quarto frio, nuvens negras escalam meu leito e empesteiam o ar com uma lembrança fugaz de minha fraqueza, de meu despreparo , de minha covardia. Como uma doença terminal, os olhos marejam, expiro o ar gélido com um resmungo abafado.
Lembro-me dos dias melhores, da inocência perdida, dos meus desamparos pueris, de quando tudo era mais fácil; ou menos complicado. Agora sobrou só a noite, grave, sem lua, no coração de uma tempestade...