sexta-feira, 30 de julho de 2010

o Sofá Vermelho - um conto BDSM



Tem dias que nada da certo, pensou Silveira naquela tarde escura de agosto, logo depois de uma borrasca que atingiu seu carro ainda há pouco, quando voltava em alta velocidade para sua antiga casa e sua antiga esposa, ele estava mais sombrio que de costume, as nuvens em sua cabeça e em seus pensamentos estavam mais tempestuosas que o aguaceiro que o atingiu.
Tudo tinha começado há menos de um ano, era um executivo medíocre de uma empresa de etiquetas, nada muito emocionante para um cara com as ambições dele.


Ele tinha ideias, varias delas, todas muito viáveis no mercado, só precisava achar alguém que investisse nelas e acreditasse em seu potencial lucrativo. Na empresa onde trabalhava todos seus chefes e proprietários eram toupeiras velhas de outra geração, não queriam investir em nada novo, afinal suas fortunas já estavam garantidas, por que se arriscar em besteiras de um novato, que apesar de ambicioso, nunca mostrou nenhum grande talento? Ele tinha a pior praga que pode acarretar a um ser humano, ser apenas mediano, um ser qualquer, sem maiores virtudes, com uma pacata vida classe média, ou seja, pior que ser ninguém era ser apenas um ninguém mediano, que nem reclamar podia, afinal bem ou mal tinha uma vida confortável e inútil, tinha uma família bonita, não tão bonita como uma família de propaganda de margarina, com sorrisos brancos e reluzentes, mas era uma família que como ele era mediana.


Ele já tinha pensado em jogar tudo para o alto mais de uma vez, mas a mulher, que era mãe impoluta de seus filhos, sempre tirava dele essas ideias revoltosas afinal, ele tinha que sustentar a casa.
Mas Silveira como todo ser medíocre da classe media entediada, tinha um lado negro, obscuro, que ele escondia de todos á sete chaves, ele gostava de sadomasoquismo, BDSM médio como ele, nada muito hardcore, gostava de mostrar quem manda, mas sempre era chamado de delicado por suas supostas escravas, que não tinham nele nenhum respeito, e realmente ser desrespeitado pelas próprias escravas era o cumulo, mas tudo bem, a vida continuava assim, mas ele sabia que um dia isso mudaria.
Bem mudaram de certa forma, tudo aconteceu de forma quase simultânea, ele tinha mandado os projetos dele para um manager profissional, para tentar vender alguma de suas ideias no mercado, já tinha quase desistido quando em uma segunda feira chuvosa como o dia que ele se encontrava em alta velocidade indo para casa um ano depois, recebeu um telefonema de seu manager, que solta à queima roupa:
- Vendi um grande projeto para investidores alemães, só precisamos acertar os detalhes, marquei uma reunião para amanhã as dez, seja pontual que eles são rigorosos; se tudo der certo já imagine uma conta com mais de seis dígitos. Disse isso como quem estava com pressa e algo mais importante para fazer e desligou sem nem esperar resposta. Silveira por outro lado estava estático, segurando o telefone em uma das mãos, com a boca aberta de forma idiota, e o barulho de ocupado soando em seu ouvido.


Nessa mesma tarde tinha marcado uma saída com uma mestiça japonesa belíssima, seria mais uma saída como outra qualquer, que provavelmente nunca mais veria a cara, saiu as quatro e foi direto para o local marcado, a casa dela em um bairro classe media da cidade, ao entrar deu de cara com a japa linda em cima de saltos agulha de quinze centímetros, vestida em vinil vermelho e um chicote de sete caudas nas mãos. Parecia uma cena de um filme pornô-trash-kitsch- decadente, ela era uma dominatrix chamada Elektra, seus olhos rasgados e penetrantes eram profundos, viam a alma medíocre de Silveira, uma figura patética, mortiça e sem maiores atributos, ela o puxou pelo colarinho, jogou-o em um sofá vermelho de vinil reluzente, igual a roupa que compunha o visual decadente cyberpunk da oriental, dominou-o com violência e já foi algemando as mãos do infeliz com força atrás das costas, como um porco indo ao abate, Silveira urrava de dor e gritava ensandecido
- Caralho! Deve haver algum engano! Moça eu...
Ela puxa com força os braços algemados dele pra trás, desce o chicote na coxa do infeliz e diz
-Moça? Só se refira à mim como SENHORA, e só quando eu disser que pode, e agora você não pode!
Que situação ridícula e triste se encontrava Silveira, imaginando em sua cabeça de siri, que iria apenas ter mais um sessão sado-maso onde ele era o mestre, como sempre meia boca, mas mestre. Caiu em uma armadilha do destino, agora estava algemado em um sofá vermelho de costas para uma japa doida que já tinha sacado uma gag-ball e uns dez metros de corda trançada ao lado do sofá, ele suava frio, aquilo era um engano, tudo na vida dele era um engano naquele momento. Ela o tinha feito até esquecer o nervosismo da reunião que teria na outra manhã, sua prioridade agora era sua própria pele na mão de Elektra.

 - Senhora, preciso falar, - Ele sabia que precisava da convenção antes de abrir a boca- Por favor, é tudo um grande engano, podemos deixar para outro dia eu pago o que for necessário...
Ela apenas olha de cima com seus olhos frios para aquele leitão prestes a ser embrulhado e diz rispidamente:
- Eu não dei permissão e você falou bem mais do que devia, tentando comprar sua senhora com dinheiro? Está tentando me rebaixar ao seu nível, seu verme desprezível? Vamos ver se você ficará educado ou não. - Puxou a gag-ball e debaixo de protestos, foi amordaçado com uma espécie de focinheira, estava literalmente fodido.
Elektra conhecia profundamente seu oficio, amarrou com maestria Silveira que se debatia de forma inútil, - Quanto mais rebelde maior será sua punição... - Dizia ela de forma quase infantil.
Depois de embalado de costas, com todos os membros presos aos pés e braços do sofá vermelho, provavelmente projetado para aquilo, nu da cintura para baixo, a Senhora começou seu oficio, começou de leve com gotas de cera quente, que gotejavam de uma vela de sete dias, sessão de chicotes na bunda branca e virgem, pequenos choques nos testículos ou seja serviço completo. Para finalizar a sessão ela pega a vela que tinha utilizado para o gotejamento, e com um sorriso safado mostra para um absorto Silveira de olhos arregalados e com baba escorrendo abundantemente de sua boca magra, ele começa a se debater quase se sufocando com a baba e os gritos abafados.
 Ela introduz a vela na bunda salpicada de cera e vergões vermelhos de Silveira, ele tentava urrar, mas só conseguia babar com mais intensidade, as lagrimas caiam de seus olhos e a japonesa impávida , introduzia mais alguns centímetros daquela vela que fora feita originalmente para louvar alguém, ela olhava até com certo tédio, afinal, aquilo era apenas rotina.
Meia hora depois já recomposto Silveira pagou a japa, estava todo marcado, não conseguia sentar, mas estava feliz como nunca se sentira, seus pensamentos estavam em choque profundo com o que tinha sentido e passado. Seu sentimento era de satisfação, seu corpo dolorido queria mais, por anos ele foi um senhor medíocre, mas agora era um escravo acima da media, saiu de lá confiante, teria de dormir com um pijama azul que cobria todo seu corpo para disfarçar o martírio, mas sentia que ali começava uma nova etapa de sua vida.

No outro dia foi para a reunião com os investidores, já estava recomposto, jovial como não se sentia há anos, ao entrar no saguão onde seria a reunião, se depara com um móvel que lhe chama a atenção, um grande sofá vermelho de vinil, ao ver aquilo se sentiu ainda mais confiante, aquilo só poderia ser um sinal, sua sorte mudara.
Três horas depois ele saiu de lá com um sorriso largo no rosto, tinha se tornado um homem rico, agora ao invés de um executivo de uma empresinha de merda ele seria um dos diretores do novo empreendimento que ele tinha imaginado, ligou para Elektra antes de ligar para sua própria mulher, e já marcou mais um encontro para aquela mesma tarde.
Os dias passaram, ele para comemorar as boas novas, comprou um grande sofá vermelho para decorar a sua sala sob protestos da mulher, que achava aquilo com cara de bordel barato, mas ele era simbológico, aquilo representava a vida dele depois das mudanças, representava ELEKTRA.


Ele já estava nessa havia quase um ano, suas visitas para Elektra eram primeiro semanais, depois duas vezes por semana, comprou um carro para ela, um flat de vista para o mar, tudo no nome dela, passado no papel, as visitas eram quase diárias aquela altura, ela atendia exclusivamente ele.
Ele já estava farto de viver com a mulher e os filhos ia dar um pé em tudo naquele dia fatídico de agosto, afinal estava com grana, os negócios estavam meio parados mais a tendência era a melhora se nada desse errado, já tinha montado o apartamento para sua japa deliciosa, nada mais podia dar errado ele poderia enfim se sentir livre e fazer o que lhe aprouvesse. Saiu mais cedo do escritório, passou em casa, encontrou sua mulher na cozinha tomando um café e despejou tudo, falou sobre seu caso, sobre suas vontades e sobre o tédio que era sua vida até então, debaixo de gritos, arroubos, e pratos quebrados ele pegou algumas peças de roupa, ajeitou como pode e foi para a casa da Japa sem avisar, chegou lá e a encontrou de quatro, sendo enrabada por um rapaz de pele tostada pelo sol, ela nem se deu ao trabalho de parar os movimentos de vai e vem. Ele de boca aberta sentado no sofá vermelho, com lágrimas queimando nos olhos, as roupas que trouxera em uma sacola de um supermercado caída de forma displicente perto das roupas intimas do casal, e entre um gemido e outro ele dizia que achava que eles tinham algo especial, dos porquês de ter montado a casa para os dois morarem juntos, do quanto ele imaginou que ela estava apaixonada por ele e toda ladainha possível de um cara que nem nessa hora conseguia ter uma atitude de mínima dignidade. Ele falava e ela tacitamente mudava de posição para ter uma melhor penetração. Depois de ouvir tudo de forma indiferente, ela sorriu com prazer estampado no rosto e disse:
- não seja idiota, uma mulher quer um homem de verdade, agora vá embora, que eu quero gozar!



Ele saiu desolado, fechando de forma bem suave a porta atrás de si. Seguiu de volta ao escritório, estava arrasado sem saber como voltar para casa e o que dizer para sua agora ex-mulher. Mas o dia ainda reservava mais algumas surpresas para Silveira ele foi chamado para uma reunião urgente no saguão, onde ele desceu e se sentou no sofá vermelho de vinil, ali ele recebe mais um golpe, sendo avisado que os investimentos na empresa haviam despencado pelo alto risco e em tempos de crise o melhor era ser previdente, que a empresa como milhares de outras mundo á fora tinham que encolher muito e diversificar se quisessem sobreviver, a solução encontrada por eles foi reduzir pessoal, e fechar o setor que desenvolvia o projeto idealizado por ele que era muito dispendioso, e talvez em um futuro mais promissor reativa-lo. Por enquanto produzir selos seria mais seguro, já que a empresa sabia que ele tinha experiência nesse tipo de mercado e poderiam reaproveita-lo nessa nova etapa onde ele seria um dos executivos, com salário reduzido, mas o bastante para uma vida confortável e feliz...
Saindo do saguão acelerou seu carro e uma tempestade assomou no horizonte e o pegou em cheio, naquela tarde de agosto.
Chegou em casa viu sua mulher com raiva nos olhos sentada no sofá vermelho, ele a olhou, sem dizer uma palavra, ele sentou-se como um cão arrependido, pegou o talão de cheques, que tinha em sua pasta assinou todas as folhas e entregou para a sua mulher, sacou o cartão de credito deu também em suas mãos e disse:
- Gaste como quiser e em que quiser, é tudo seu, troque as roupas, os aparelhos, os móveis, compre tudo novo, só deixe esse sofá vermelho.

2 comentários:

  1. huahuahau de meu cérebro doentio, eu tenho uma visão bem linda do mundo ahauahaahauahauaahauahau

    ResponderExcluir

allefuckinglluiah