segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O espetáculo reacionário

Uma postagem interessante do blog do Guilherme Scalzille:
O espetáculo reacionário

Publicado no Mundo Mundano.

A legislação antifumo é um ardil genial da campanha de José Serra a presidente. O amplo apoio midiático transformou-a em bandeira cívica, atraindo a simpatia do contribuinte desinformado. Assim ninguém reclama por financiar uma propaganda milionária, mistificadora e falsamente institucional, em meio a tantas carências que maltratam o Estado. Até militância gratuita o governador recrutou, com seus “carrascos voluntários” unidos em milícias de dedos-duros e fiscais de costumes.

O teatro dos expurgos saneadores é característico de contextos totalitários. Vazia de referências éticas, a classe média urbana apresenta-se como vanguarda do salvacionismo despótico. Quem ousa questionar o consenso estabelecido vê-se desmoralizado como agente de interesses obscuros, enquanto os defensores da lei parecem inocentes e desapegados. Afinal, defendem um fantasioso “bem coletivo”, com embasamento pretensamente científico, sob nauseante omissão do Judiciário.

Os proibicionistas têm suas razões para evitar uma discussão honesta sobre o tema. Em circunstâncias democráticas, a opinião pública saberia que há fumódromos permitidos e eficazes em quase todos os países europeus e sul-americanos. E seria convidada a entender por que o veto a áreas reservadas restringe-se aos poucos lugares que ainda sustentam a fracassada política antidrogas imposta pelos EUA.

Campanhas verdadeiramente educativas não tratariam o usuário como imbecil, sufocando-o com paranóias e mistificações implausíveis. Qualquer adolescente sabe que a ridícula demonização do cigarro baseia-se em critérios vagos e arbitrários, pois é impossível creditar mortes ao tabaco (ou a qualquer substância) isoladamente, sem considerar uma complexa rede de variáveis, inclusive genéticas e ambientais. Um único fumante longevo derruba todo preconceito. E, dependendo de como se utiliza as estatísticas, o colesterol, o álcool e a poluição viram genocidas a serem exterminados.

Mas é fácil (e perigoso) confundir ciência e moral. A histeria antifumo, com seus jargões infantis e o bom-mocismo hipócrita, usa a defesa da salubridade para blindar-se contra o verdadeiro debate. A louvável e necessária proteção de não-fumantes pode conviver com áreas reservadas ou mesmo estabelecimentos inteiros onde seja possível fumar, desde que o público disponha de informações para escolher. O que se pretende, no entanto, é banir o fumo através de sua gradativa criminalização.

A discutível melhoria da saúde pública será irrelevante perto do retrocesso que a lei impõe aos direitos individuais: a pessoa deixa de deliberar sobre seu corpo e sua propriedade, submetendo-os ao humor dos legisladores. O conceito de espaço coletivo foi desfigurado para permitir a ingerência estatal sobre a liberdade de trânsito e convivência dos cidadãos.

Por seu caráter dissimulado e intransigente, essa legislação representa uma decadência no atribulado processo da redemocratização brasileira. E não apenas ao instituir um recuo doutrinário na evolução histórica de descriminalização das drogas e respeito ao foro privado. Trata-se de medida flagrantemente inconstitucional porque, além das violações jurídicas pontuais, fere predicados básicos da cidadania. A tolerância generalizada a tamanha arbitrariedade revela muito do conservadorismo galopante que ameaça entrevar o milênio recém-iniciado.



http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com/

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Elke Maravilha será homenageada no Cinema Mundo

No mês de novembro, Itu será contemplada com a terceira edição do Festival Internacional de Cinema. O evento, promovido pelo Cinema Mundo, se estenderá entre os dias 26 e 29 de novembro, no Espaço Fábrica São Luiz (rua Paula Souza, 492, centro). A cerimônia de abertura está marcada para às 18 horas do dia 26 e contará com a presença da atriz Elke Maravilha, que será homenageada por sua atuação no cinema nacional.

Por meio do festival, a população poderá ter acesso a 35 filmes distribuídos em quatro mostras: Infantil, Panorama Nacional, Panorama Internacional – Ano da França no Brasil e a Competitiva Franco-Brasileira de curtas-metragens. Os organizadores divulgaram que foram mais de 300 inscritos, resultando no seleto número de 26 curtas para a mostra competitiva.

O júri será composto por Joel Yamaji (coordenador de curso de cinema da ECA–USP), Tito Ameijeiras (ex-diretor da Escola Internacional de Cine e TV de Santo Antonio de Los Baños), Lina Chamie (diretora do filme “Via Láctea”), Luiz Carlos Saldanha (cineasta do cinema novo), Sabina Anzuategui (roteirista), Filipe Salles (ex-professor da FAAP e coordenador do Departamento de Fotografia do Ceunsp), Marcos Luporini (Mestre em Multimeios da Unicamp).

Em virtude do Ano da França no Brasil, o evento engloba ainda outras atividades como a oficina sobre o doce Marrom Glacê, um recital de música francesa ao violão e uma exposição de fotografias.

O III Festival Internacional de Cinema ainda terá, durante os quatro dias do evento, o seminário “A Arte de Assistir Cinema” com Tito Ameijeiras. As inscrições para o seminário podem ser feitas pelo site www.cinemamundo.com. No mesmo site, pode ser conferida a programação completa do festival.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

psycho therapy - uma entrevista com os Skizoyds

E la se vão quase 20 anos, billy grilo e todos os Skizoyds são pessoas difíceis de se encontrar hoje em dia, abraçaram o psychobilly como estilo de vida, e estão até hoje indiferentes às modas e as mudanças que acontecem nos cenários musicais, sempre fiéis as suas raízes, eu os considero irmãos há muitos anos, desde que nos conhecemos no longínquo ano de 1993, sempre os vi como pessoas as quais deveriam ser exemplos a serem seguidos, em humildade e camaradagem.

Mesmo nas adversidades, em uma cidade Santa Isabel que eles chamam de Elo Perdido, onde vivem à margem da capital de São Paulo e também à margem do mainstream e da sociedade, são delinqüentes por definição, delinqüentes culturais, que se esforçam para trazer algo mais, desprezando a mesmice musical que aportou nas terras tupiniquins e não tem nenhuma perspectiva de ir embora, o seu novo trabalho TREPANAÇÃO, chega depois de oito anos de espera, mas veio na hora certa, desde a época dos MONGOLORDS e suas musicas instigantes, desde o agito causado para manter a cena viva no Brasil, em épocas que ninguém sabia o que era Psychobilly, os integrantes estão aqui, e agora com novas aquisições para enriquecer o trabalho, e continuam espalhando a insanidade do verdadeiro rock´n´roll sem frescura e sem melodias chorosas, a crueza e urgência que fazem uma banda ser necessária estão presentes nesses quase 20 anos, sem envelhecer, parecendo tão jovem quanto nos 16 anos atrás quando os conheci, todos ainda semi adolescentes mas com uma necessidade de trazer a raiva do rock´n´roll contra o tédio reinante.

Boa leitura



Cleiner Micceno - Gostaria que você falasse sobre o começo, como se conheceram e as bandas que tocavam antes dos mongolords, e como era a cena em Sta Isabel, o Elo Perdido?


Billy Grilo – O Alemão era meu vizinho, mas eu não trocava muita idéia porque era um Metal piolhento, o Morto era punk e vivia arrumando treta, o Luís ainda não era maloqueiro e eu tocava numa banda chamada Marmita Nuclear, que não passou de alguns ensaios pois era uma desgraça! ehehehehe. Em meados de 1986, uns camaradas de uma geração anterior à nossa organizaram um Festival que contou com o Sepultura e mais um monte de bandas, o João Gordo do RxDxPx apareceu por lá, foi o começo do Crossover e a partir daí resolvemos unir nossas forças para formar o Mongolords...


mongolords & planet hemp



CM - Quais eram as influências da banda nessa época e como veio o nome mongolords?


BG - As influências eram todo tipo de “lixo cultural” que devorávamos; HQs, filmes de terror, Cramps, Ramones, Iggy & Stooges, Motorhead, Kães Vadius, etc... O nome da banda surgiu de uma idéia coletiva, tinha a ver com o espírito sarcástico da banda.




CM - Como era o lance com as outras bandas de Sampa, havia contato e camaradagem? Aproveite e conte alguma história marcante dessa época com os mongolords.


BG - Nessa época o que rolava era o amadorismo e o que predominava era a “brodagem” entre as bandas. Fatos marcantes tiveram vários, dentre eles podemos citar quando fomos tocar numa cidade vizinha com um ônibus cedido pela Prefeitura, que foi entupido de toda a escória da cidade, a galera aterrorizou tanto que tivemos que sair da cidadezinha escoltados pela policia! (Risos)



CM - fale sobre os cotonetes na revista rock brigade da primeira demo?


BG - Esse lance foi engraçado, tínhamos mandado a demo de divulgação para a revista, um dos editores curtiu, e outro que era mais pra linha do Metal Melódico detonou o Morto, que teve a idéia da anti propaganda, enviando os cotonetes para a redação da revista, o que acabou rendendo uma matéria.

( Para quem não conhece a história, os mongolords indignados mandaram uma carta com vários cotonetes para a redação com um bilhete lacônico, onde dizia para eles limparem os ouvidos,) NdE


CM- Me fale do vinilzinho Sueños Terribles.

BG- Meu camarada, só nesse Ep ja dá uma puta história...mas o que vale ser ressaltado é que pegavamos o trem na luz e íamos p/ Sanca City p/ fazer contatos com a galera Psycho do ABC, lá frequentavamos a galeria que tinha a Rick n Roll....conhecemos o Fedo, o Marcio do New City Rockers, Douglinhas, Ricardinho etc)...A capinha foi desenhada pelo Fraile, também conhecido por HulkaBilly, que posteriormente fez toda a arte gráfica do Psychorrendo e do Assim Caminha a Insanidade....o Ep foi gravado num estúdio de 8 canais, que ficava no fundo de uma casa no bairro de Pinheiros.....vixxxx fica passando um filme classe z dessa nostalgia toda....foda.....até o Mortão já ficou baqueado....ehehehe



CM - E o caixão & cachaça, que inclusive é um dos shows com o joe coyote que eu mais gostei de tocar, exatamente pela singularidade do local ! (risos)


BG - Todos os locais que podíamos tocar tinham fechado as portas para nós, devido as constantes confusões, banda e público na verdade não passavam de um bando de delinqüentes, para as pessoas de bem da sociedade do Elo Perdido (risos)... A dona da casa funerária, que também tinha um bar ao lado, estava passando por dificuldades financeiras, daí unimos a sede com a vontade de beber e surgiu o festival “Caixão & Cachaça”, evento que contou com 2 edições e foi histórico para quem fez parte, tenho certeza que o Joe Coyote tem histórias marcantes para contar, por ter sido uma das bandas protagonistas desse grande evento (risos), lembro do guitarrista de vocês trocando idéia com um senhorzinho de topete engomado que estava curtindo tudo, encostado em um canto da funerária, daí eu só vi ele se despedindo dizendo: - Se precisar pode contar comigo, estarei aí fora esperando, e acabou fornecendo um cartão onde estava escrito seu nome e a profissão embaixo – “COVEIRO” (gargalhadas)! O VERDADEIRO ZELADOR DA CRIPTA DO TERROR!!!!

CM – Me lembro bem disso, e lembro que nesse dia ainda levamos você para dar um rolê de caixão, falando –eu sou o bela lugosi (risos) e mais de uma coisa bizarra aconteceu nesse dia, a policia colou do lado de fora e começou a descer a lenha na galera, e o Morto veio correndo para dentro gritando - Entrem atrás do palco e fiquem la, que o bicho ta pegando la fora! Sei que saímos ilesos, mas foi por pouco.(risos)

(joe coyote, foi a minha primeira banda de psychobilly, formada em 1992, e os MONGOLORDS eram nossa banda irmã por assim dizer, na cronologia psychobillistica do Brasil, o joe coyote e os Mongolords, fazemos parte da segunda geração do estilo no Brasil, entrarei em maiores detalhes futuramente em uma edição apenas com essa cronologia) NdE

psychorrendo

CM - Fale sobre as demos e depois a coletânea psychorrendo, que é um marco do psychobilly nacional. se não me engano a primeira coletânea em cd do estilo lançado no Brasil.


BG -Nós lançamos 3 demos, a “Estranho mundo dos Mongolords”, “A meia noite levarei a tua alma”, que era uma homenagem ao Zé do Caixão, e a que antecedeu a PsycHorrendo “Deusa Ufonauta”, que teve uma excelente repercussão, o que acabou rendendo uma participação na coletânea “Garimpo Underguide”, da Paradoxx Music, que teve a produção do Clemente dos Inocentes. A PsycHorrendo foi a 1ª coletânea do estilo em cd, idealizada pelo Morto como uma forma de cooperativa entre as bandas de São Paulo e Curitiba para dar uma injeção de ânimo na cena.


os mongolords invadem New York


CM - e como foi a mudança pra NY? Vocês chegaram a manter a formação da banda nos EUA?


BG - A mudança pra NY foi depois que ganhamos um concurso promovido pela revista ShowBizz e 89 FM, que deu direito a gravação de um cd single, produzido pelo Planet Hemp. Isso tudo gerou muita expectativa na banda, mas acabou não rolando nada, os integrantes do Planet Hemp tiveram problemas com a justiça e acabaram sendo presos, cancelaram shows... Nossa banda acabou entrando em crise e acabamos decidindo ir para NY para tentar levantar uma grana...

Quando estávamos lá percebemos que a banda não iria mais rolar, compramos alguns instrumentos (inclusive o rabecão) e voltamos. O Mortão é nosso brother, ficou e permanece lá até hoje. Está com uma nova banda, o Ironixx. Desde que o Morto foi desta pra uma outra... banda ... passaram-se 11 anos....



CM - Agora me fale sobre o começo dos skizoyds e como foram as mudanças?


BG - Eu e o Luis voltamos primeiro, começamos a ensaiar novas musicas e surgiu a vontade de montar uma banda diferente dos Mongolords, mais tenebrosa e com mais peso. O Luís sempre mandou bem no vocal, o Alemão chegou com o baixo acústico e decidimos tocar o puteiro como um Power trio mesmo. O nome “Skizoyds” vem da primeira frase da música Psycho Therapy dos Ramones....”I’m teenage schizoid ...”

no musikaos


CM - conte algumas histórias que marcaram a banda nesses anos.


Ainda continuamos batalhando, mas as coisas mudaram para melhor, o lance já é mais estruturado, participamos do programa Musikaos da TV Cultura, tocamos nos melhores festivais (Psycho Fest e Psycho Carnival em Curitiba), e abrimos alguns shows de bandas gringas, dentre elas destacamos os Cenobites da Holanda, que alem de grande banda são super camaradas.



CM - e sobre a cena ? como você vê a cena hoje em dia?


BG - Apesar de estar mais profissional, sinto a cena meio fechada, na minha opinião está faltando mais espaço para boas bandas que tem surgido pelo interior. È muito bom ter festivais próprios para o estilo, mas também vejo a necessidade da união do underground, senão o lance fica muito restrito e corre o risco de definhar. O importante é colocar o tesão de tocar na frente do dinheiro. A brodagem não pode ficar de lado, porque nem todas as bandas contam com uma estrutura boa para fazer “permutas de shows” com as bandas dos grandes centros.


capa do cd TREPANAÇÃO


CM - Agora fale sobre as novidades, principalmente sobre o cd trepanação, que acabou de sair do forno e esta muito bom por sinal!


BG - O cd Trepanação é o resultado de oito anos de estrada, dedicados não só ao estilo mais underground, como também a uma filosofia de vida. Demoramos a lançar porque queríamos que fosse um marco para banda, e conta com participações mais do que especiais do Hulk dos Kães Vadius, num dueto infernal com o Luicifer, Alex Valenzi detona no piano boogie woogie e vários amigos artistas da nossa cidade também participam de alguma forma, seja tocando, desenhando, fotografando ou como equipe de suporte para a realização de eventos, toda a gang de delinqüentes reunida para espalhar a insanidade...


com hulkabilly



CM - falem se vocês tem algum projeto paralelo aos skizoyds? E fale também sobre a entrada do novo batera para o Luícifer assumir de vez os vocais?


BG - Não temos tempo para nos dedicarmos a outros projetos, somos os Skizoyds nas poucas horas vagas. A idéia é seguir o que o Mad Sin fez, que passou de um Power trio para um quinteto, queremos mudar a dinâmica da banda tanto no palco quanto para futuras composições de estúdio. Já nos apresentamos com a nova formação no pré lançamento do cd Trepanação, que foi na IV Oktober Rock, e contou com Kabana, segurando as baquetas e Leandro Fiotão, na segunda guitarra, deixando o Luicifer livre para os vocais. Foi ducaralho!


CM – O que vocês ouvem hoje em dia o que os influencia atualmente?


BG - Continuamos sendo influenciados pelas mesmas coisas de 15 anos atrás, acima de tudo somos grandes fãs de Rock n’ Roll e tudo que está relacionado a este estilo de vida: Terror, quadrinhos, sacanagens, Choppers e Hot Rods envenenados da Cultura Custom, tattoos, pin ups e todo tipo de demência que exorcise nossos demônios interiores.



CM - Agora deixem um recado ai pra galera e obrigado pela entrevista.


BG - Nós é que agradecemos Mr. Reverend Stalker. A vida é curta, portanto, curtam a vida adoidado seus monstrengos! Nos vemos em algum boteco pela estrada, para juntos celebrarmos o verdadeiro Rock n’ Roll. O que não nos destrói, nos deixa mais Skizoyds. Keep Wrecking!

Billy grilo é o guitarrista da banda skizoyds.


visitem o my space dos SKIZOYDS


http://www.myspace.com/skizoyds




Fumaça - uma crônica tabagista de um tabagista crônico

Esse texto eu escrevi há uns dois anos, ainda não existiam as leis severas anti tabagismo, enfim eram dias melhores, mas mesmo assim o texto se tornou mais atual que nunca, nem aparenta a idade, parece até mais moço, como se tivesse feito uma lipoaspiração e uma correção de idade na cama do esteta.
Esse conto, inclusive, eu nem tinha publicado em lugar nenhum, mas o Trovão
uma das poucas pessoas que teve acesso ao texto, me ligou e falou" - já publiquei no meu site, só liguei pra pedir permissão mas já publiquei" ahahaha, e então resolvi mandar o texto pra frente achei que estava na hora, no site do Trovão, no Abacoros e no Bah caroço vocês terão a versão que escrevi há dois anos atrás, sem correções, era só um argumento, até prefiro assim, com os erros e as displicências verbais e textuais que só quem escreve pra manter a idéia e perder menos tempo faz,algo para revisar depois, mas mesmo assim, o texto se mantêm aqui da mesma forma, apenas mais burilado, com as devidas correções ortográficas e de pontuação e com uma ou outra modificação em algum termo, alguns parágrafos foram sumindo até que desapareceram dentro de uma mesma linha, quase como uma suruba de letras, mas ali estão e se mantiveram no mesmo contexto, sem essas pequenas orgias o que seriam dos textos? eheh
bem ai está a versão final de fumaça, um texto pró tabagista, e com bom humor, diferente dos textos que nos combatem , nós temos humor, afinal o cigarro te da calma e jovialidade, afinal quem não fuma fica com a cara linda e saudável do José Serra... e tenho dito...



Fumaça


Por que as pessoas fumam?
Não sei...
Só sei que fumam.

Onde há fumaça há fogo, e onde a há fogo há um cara querendo acender um cigarro.

Não sei nem porque, nem onde as pessoas começaram a fumar , ou melhor expelir fumaça dos pulmões depois de tragá-la.A história do tabaco é mais antiga que as constituições e leis anti tabagistas.
Pra falar a verdade, a história do mundo foi escrita à base de fumaça; seja ela de cigarros, charutos, cachimbos ou canhões, sem fumaça não haveria história.

A magia pode advir dos desenhos disformes, feitos pela fumaça que sai da boca quando você acaba de dar uma tragada, esses desenhos, que lembram nuvens, nos remetem a infância procurando formas e sentido nelas, ou talvez, apenas o simples prazer de acender o tabaco pra sentir o tempo parar por alguns instantes, entre uma tragada e outra...

A satisfação de uma baforada é algo que só quem já fumou pode saber, difícil descrever; o tabaco é o único prazer do indigente, que se contenta até com uma simples guimba de um cigarro achado na rua, é o amigo do solitário naquela noite sem maiores perspectivas, o acompanhamento perfeito no pós-coito sexual, e às vezes o cigarro é melhor que a transa em si...
O prazer e o cigarro andam juntos, é um momento quase ritualístico acender um cigarro, a chama bailando em frente ao rosto, o momento em que a brasa entra em ignição, a fumaça cria seus primeiros círculos , você se sente em um filme de Hollywood... Até os filmes perderam a graça depois que ninguém mais soltou fumaça, os detetives dos filmes eram verdadeiras chaminés, agora meros robôs sem graça e sem fumaça, quem vai torcer pra um detetive que nem fumaça solta? Prefiro o bandido que não é politicamente correto e ainda pode fumar...
...Sim...

Pois a maioria do pensamento humano foi acompanhado de muita fumaça; pensadores, poetas, artistas, cientistas...
O pensamento humano seria bem menos interessante sem o tabaco, sem a fumaça

Pra falar a verdade, temos muitas coisas obsoletas para a vida , como chuchus, jilós e ornitorrincos. Agora o tabaco é importante, está na nossa cultura, em nossa história,veja, até os nossos ancestrais, assim que descobriram o fogo, logo em seguida inventaram algo para fumar, os indígenas usam a fumaça para os rituais; o fumo coletivo é uma das tradições mais antigas entre todos os povos arcaicos, para aproximar os amigos e também para se aproximar de seus espíritos ancestrais ... que também fumavam...

... Mas isso ainda hoje é feito, ainda se fuma nas rodas de amigos, compartilha-se o cigarro com aquele amigo menos afortunado, que te pede encarecidamente um cigarrinho, ninguém no mundo, pede encarecidamente um chuchu ou um ornitorrinco a alguém !

Os cigarros são mais importantes socialmente que as socialites, os sociólogos e os partidos conservadores...

Na cadeia são moedas de troca, nos tempos de paz fuma-se por prazer, nas guerras por necessidade, nos locais proibidos por obstinação, sim porque os fumantes são seres obstinados, perseguidos como cães raivosos, limitados a espaços isolados como doentes terminais, e tudo por causa única e exclusiva da fumaça, que é apenas ... fumaça...

...O que seria dos camponeses sem o cigarrinho de palha, colhendo os chuchus que realmente não servem pra nada?

Nos escritórios isolaram quem fuma em ambientes minúsculos, longe de todos, ser visto fumando é algo constrangedor - Ah me desculpe! o cigarro é de outra pessoa eu só estou tomando conta enquanto ela foi se matar um pouquinho...

Mas mesmo assim continuamos!
Seguimos!
Incansáveis...
Bem ... Um pouco cansados, nosso fôlego é mais curto, mas mesmo assim é nosso fôlego e usamos o que temos, não roubamos o fôlego de ninguém...
Pagamos por nossa fumaça, e pagamos caro,

temos o direito e o dever de manter as tradições de nossos ancestrais,

vamos fumar,

tragar sem constrangimento nem medo de o fazer em público,

e que se fodam os ornitorrincos!





O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE , FUMAR É PREJUDICIAL À SAÚDE

SE FODA,
.

TO NEM AI !


por Cleiner Micceno

domingo, 15 de novembro de 2009

Filme Alma Corsária será exibido no Cineclube CEUNSP - dia 17

O Cineclube CEUNSP exibirá no próximo dia 17 (Terça-feira), o longa-metragem Alma Corsária. O filme integra a programação de Encontros com Diretores. Será apresentada uma sessão gratuita, às 19:30 horas, com a presença do diretor Carlos Reichenbach.

A produção cinematográfica trata da história de dois amigos que lançam um livro de poesia em prosa. Para espanto do editor, a dupla convida para a noite de autógrafos tipos estranhos, como um suicida salvo da morte por um deles. A irreverente festa leva às lembranças de como os amigos se conheceram, nos anos 1950. O filme questiona se ainda há espaço para a arte num mundo dominado pelo consumismo e pela competitividade vil. Os personagens principais são os poetas Torres (Bertrand Duarte) e Xavier (Jandir Ferrari) inspirados respectivamente em Augusto dos Anjos e Cesário Verde. Torres e Xavier lançam um livro de poesia numa pastelaria do centro da cidade. A região conhecida como "Boca do Lixo" exerce um fascínio irresistível sobre o diretor Carlos Reichenbach, que busca aproximar-se de espaços marginalizados, pois lá residiria a alma da cidade, apesar da degradação aparente. Reichenbach cria diversos cortes temporais durante o filme, retrata a infância dos personagens no início dos anos 1960, mostra os conflitos ideológicos durante o regime militar e critica tanto a violência dos donos do poder quanto a fé cega em discursos tirados das cartilhas de Karl Marx, Stalin, Mao e outros.

O Público terá a grande oportunidade de conhecer um dos trabalhos mais importantes e criativos do cineasta.



A exibição será no dia 17 de novembro, às 19h30, no FCA do bloco K do Campus V do CEUNSP, em Salto.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pale blue eyes

Pale blue eyes


No apartamento ao lado ele ouviu um barulho semelhante a uma furadeira, um som abafado e algumas marteladas, o vizinho tinha mudado a pouco e aparecia as vezes, era soturno e calado, um senhor idoso gordo e alto de olhos vividos e azuis muito frios, com poucos fios de cabelo branco que rodeavam sua cabeça calva. O barulho começara naquela manhã, muito cedo, péssima hora pra ele começar uma reforma ou seja la o que ele estivesse aprontando, depois de quatro horas insistentes de barulho ininterrupto tudo cessa, mas ainda era possível ouvir alguns murmúrios na parede contígua, como se duas pessoas conversassem, uma voz era muito baixa e contida, a outra não passava de um sussurrar abafado.

Walter só tentava cochilar um pouco, seu trabalho de vigia noturno em uma repartição pública havia terminado às seis horas da manhã e o barulho não o deixava dormir. Deu graças no momento que havia terminado.

Depois de conseguir dormir por uma hora, acordou sobressaltado com mais uma saraivada de barulhos, agora sons ocos, como pancadas em algo mole, e mais barulhos de furadeira - Maldito velho desgraçado!- Falou em voz baixa, cobriu a cabeça com um travesseiro. O martírio durou a tarde toda, perto das cinco horas cessou de vez, ouvia-se apenas umas poucas movimentações, o barulho de ferramentas e um farfalhar de algo sendo embrulhado. Após isso silêncio total.

Já era tarde, Walter teria que sair logo, para mais uma noite, que, sem ter dormido, seria muito longa.

Olhou-se no espelho do banheiro, suas olheiras estavam imensas, sentia seu corpo todo doendo, assim como sua cabeça. Comeu algo apressadamente e saiu para pegar seu ônibus.

No outro dia , às pressas, assim que deu seu horário, bateu seu ponto e correu porta a fora. Como havia previsto, foi uma noite terrível, cochilou varias vezes, tomou quase dois litros de café e tinha fumado dois maços de cigarro para manter-se acordado.

Depois de um longo percurso, chegou finalmente em casa, deitou-se na cama com roupa e tudo, apenas teve tempo de retirar os sapatos. Dormiu durante o dia todo, quase não acordou a tempo de sair outra vez para trabalhar. - Isso não é vida! – Disse em voz alta para si mesmo, sua situação era bastante frustrante, sua rotina era algo que se poderia chamar de monótona, muito monótona. Walter arrumou-se , pegou suas chaves e saiu, cruzou com o vizinho que o fez ficar o dia todo acordado no dia anterior na porta ao lado da sua, o velho estava carregando uma mala enorme que parecia ser feita de couro muito grosso. Ele olhou para o velho, pensou em dizer alguma coisa sobre os barulhos que o fizeram ficar desperto o dia todo, mas ao cruzar o olhar frio e pouco amistoso do velhote, se limitou a dar um aceno de cabeça, ao qual o velho apesar de seu olhar, respondeu com uma voz suave. – Boa noite. - com um carregado sotaque estrangeiro. Walter entrou no elevador e fez menção de segurar a porta até o homem se deslocar com sua mala, o velho fez um sinal para ele descer, assim que a porta do elevador foi se fechando, ele viu o sujeito começar a puxar sua mala em direção a escada, uma atitude estranha, já que ali era o nono andar e a mala parecia pesada. Saiu pensando sobre isso, mas durante a noite esqueceu completamente o assunto.

Duas semanas se passaram sem ouvir nenhum barulho do lado, nem reformas ou qualquer outra coisa, o velho nunca mais cruzou com ele em nenhum dia, melhor assim aqueles olhos azuis o deixaram amedrontado.

La pelas quatro da tarde, ouviu movimentação do outro lado da parede, de novo a furadeira, marteladas, e alguns gritos sufocados, que logo cessaram, isso chamou a atenção de Walter, que como seu trabalho era sempre estar alerta, achou aquilo estranho, os barulhos continuaram, mas agora eram apenas sons de serras e barulho de coisas caindo. Walter estava intrigado, alguma coisa não estava certa, foi assistir tv e tentou esquecer do caso. - Deve ter martelado os próprios dedos ou se ferido com uma serra, velho imbecil! – pensou isso enquanto comia um saco de salgadinhos sabor bacon e um copo de whisky sem gelo, deixou pra lá, afinal estava na véspera de seu dia de folga ele queria apenas descansar.

Os barulhos cessaram completamente por volta das nove horas da noite, e dessa vez eram baixos e já não incomodavam tanto quanto a primeira vez. Depois de assistir um filme ruim sobre um garoto em uma bolha, foi dormir, pensando no outro dia, que se tivesse sorte conseguiria sexo fácil com aquela amiga que vivia o convidando pra sair. Deitou-se por volta de uma da manhã. Algo caindo no chão, emitindo um som abafado , atravessou a parede, que o fez acordar de sobressalto. Ficou quieto, pra ver se era real ou algum sonho estranho, ouviu de novo, no apartamento ao lado, um som surdo de algo grande despencando, levantou-se e foi até a parede pra ouvir melhor, ouviu um sussurro provavelmente um xingamento, em uma língua que ele achou ser alemão. Pouco depois ouviu a porta da frente de seu vizinho se abrindo, foi até a entrada, tentou olhar pelo visor da porta, só conseguia ver um pedaço do terno escuro do velho que aparecia de relance, até que ele apareceu inteiro na porta e era possível ver a grande mala que ele tinha saído naquele dia fatídico, há duas semanas. Viu o velho olhar para os lados, puxar a grande mala em direção as escadas. Isso fez Walter correr até o quarto colocar uma calça e sair pela porta a fora, decidiu que iria saber o que estava acontecendo. Afastou-se do apartamento e desceu devagar pelas escadarias, não queria ser notado, viu o velho dois andares a baixo, puxando a grande mala com muito esforço, e parando para limpar o suor do rosto com um lenço.

Ele seguiu com a carga até o subsolo, onde ficava a garagem do edifício, o observou seguindo por uma parede, sempre atento se havia alguém, parou em frente de uma van preta, sem janelas na parte de trás, abriu a porta lateral e lançou sem nenhum cuidado, a mala no seu interior. Embarcou , acendeu um cigarro, saiu devagar pelo portão afora, Walter não dormiu aquela noite.

Agiu como se estivesse trabalhando, ficou a noite inteira próximo à porta esperando o regresso do velho. Caiu no sono la pelas sete da manha e nada, foi para a cama, cochilou mais umas duas horas, acordou e saiu, para encontrar a sua amiga.

Voltou para a casa não eram nem três da tarde, seu encontro tinha sido um desastre total, ficou pensando no velho e na mala durante todo encontro, e nem a transa ele tinha conseguido, não conseguia se concentrar e achou melhor voltar pra casa, mesmo com os protestos dela, mais duas semanas, no mínimo sem sexo, esse pensamento o deixou ainda mais irritado pela sua própria estupidez. Fez um lanche rápido comeu sem vontade, tomou café acendeu um cigarro e decidiu dar uma checada no apartamento do lado. Primeiro colou o ouvido na parede, nenhum barulho aparente – Filho da puta! – sussurrou , saiu e olhou para os lados ninguém no corredor, foi até a porta do velho, tentou olhar pelo visor e ver se conseguia divisar algo dentro do apartamento, ficou olhando, e só conseguia ver uma parede branca, ouviu a porta do elevador abrindo atrás de si, saiu rápido e fez que abria seu próprio apartamento, eram apenas os vizinhos da frente. Será que eles não ouviram nada?Entrou outra vez, tomou mais um copo de café, estava decidido a saber o que estava acontecendo. Passaram-se mais uns dias, nada do velho, sua rotina tinha voltado ao normal, mas o pensamento que estava acontecendo algo estranho ainda o assaltava durante a noite, enquanto estava entediado em suas rondas noturnas. - E se ele fosse algum psicopata?, um assassino? ou qualquer outra coisa? - Igual ao que ele havia visto num filme do Hitchcock, ele precisava saber e informar a polícia, mas tinha que ter alguma prova, algo palpável para denunciá-lo sem parecer um idiota caso não houvesse nada demais e o velho só fosse um cara esquisito.

Já fazia duas semanas depois do ocorrido, nenhum barulho e nem sinal do velho, Walter assistia todos noticiários e lia todos jornais para ver se havia alguma nota sobre desaparecimentos ou qualquer coisa que pudesse indicar o que estava acontecendo, e nada, literalmente nada fora do normal, nas noticias que viu.

Estava sentado na cozinha perdido em seus pensamentos, vendo um programa de esportes, quando ouve a porta se abrir no apartamento do velho, seu coração disparou, ele colou os ouvidos na parede e ouviu conversa do lado, como sempre ele só ouvia murmúrios, resolveu ir até a porta e pedir algo, e tentaria ver no interior dos aposentos. Saiu com passos largos , abriu a porta respirou fundo, tentou olhar pelo visor e não conseguia ver nada alem da parede, resolveu tocar a campainha. Passaram-se uns segundos, passos se aproximaram e abriram apenas uma fresta da porta, os olhos azuis apareceram e olharam Walter de cima a baixo, e sua voz suave perguntou – O que deseja ? – Com o forte sotaque aparente. – Ola sou seu vizinho, já nos cruzamos algumas vezes aqui...- sua fala foi cortada pelo velho – Ya , sei quem o senhor ser, meu nome é Udo, em que posso ajudar , senhor...- Walter – disse emendando rapidamente o vigia, - Só queria ver se o senhor tem pregos para emprestar, estou querendo colocar um quadro... Acabaram os pregos e como ouvi barulhos de reforma, imaginei que o senhor pudesse me emprestar alguns ... – O velho nem ouviu toda explicação e disse – Desculpe senhor Walter mas non tenho pregos, infelizmente... Passar bem que tenho muitas coisas para fazer, boa tarde. - E a porta se fechou sem maiores cerimônias.

Walter voltou ao seu apartamento – Pregos,onde eu estava com a cabeça, Pregos, que merda de idéia seu estúpido- Entrou falando para si mesmo em voz baixa.

Naquele dia os barulhos foram abafados e insistentes até muito tarde, cessaram de vez no meio da madrugada. O velho saiu com a mala, sozinho de novo, fez o mesmo percurso pelas escadas e tomava sua van preta, deixando um Walter escondido na penumbra do estacionamento cada vez mais curioso.

Ele acordou no outro dia e pensou sobre a freqüência das idas do velho ao apartamento que estavam se tornando cada vez mais esporádicas, o velhote não parecia que morava ali do lado, mas aparecia de vez em quando pra fazer alguma coisa, isso o deixou ainda mais intrigado e mais uma vez havia sido no dia de sua folga, sua amiga teria de esperar um pouco mais e ele um pouco mais por sexo, desistiu de ir vê-la naquela tarde, alegou que estava com febre e resolveu que iria entrar na casa do velho. - Ele não vai voltar tão cedo, então, irei acabar de vez com essa merda toda – Merda essa que estava fazendo ele virar um zumbi. Ele foi até a porta do lado, analisou a fechadura, era igual a sua, voltou até sua casa, pegou algumas ferramentas, tinha aprendido a abrir portas por causa da profissão. Repassou sua idéia varias vezes, iria entrar, e revistar a casa sem levantar suspeitas, e sairia de la tão depressa quanto fosse possível.

La pelas onze da noite, aproveitando a calmaria, resolveu por seu plano a prova, saiu sorrateiramente de seu apartamento, sem fazer barulho, colocou a ferramenta dentro da fechadura, abriu e entrou. Ainda na escuridão trancou a porta por precaução, caminhou pelo corredor, acendeu a luz da sala, entre os poucos moveis viu a janela coberta por cortinas grandes e grossas de plástico preto, na sala toda existia apenas uma cadeira de dentista, e plástico cobrindo todo o chão, uma imagem assustadora para uma sala, uma pequena mesa e uma pilha de jornais velhos.

Walter foi até o quarto que estava fechado ao abrir a porta, acendeu as luzes e viu dentro do aposento, uma prateleira com várias ferramentas, todas provavelmente usadas por dentistas e médicos, martelos cirúrgicos, serras e uma furadeira, uma cena horripilante para ele que sempre teve medo de dentistas. Procurou por sinais de sangue, não encontrou nada, simplesmente não havia nenhuma marca, nenhuma mancha, nada, só um lugar excessivamente limpo e organizado. Foi até o banheiro, tudo branco, extremamente limpo, sem sinal de algo estranho.

Fechou a porta e foi até a cozinha, onde havia apenas uma geladeira e um fogão, procurou por tudo, nada como no resto da casa, ao abrir a geladeira se depara com um pacote, um embrulho em plástico preto, como um saco de lixo, pegou e abriu com cuidado, assim que o desfez, Walter quase vomitou, na sacola estavam vários dentes, com pedaços de carne ainda grudados em suas raízes, devia ter pelo menos uma centena deles ali, horrorizado quase vomitando, fechou o pacote e colocou no mesmo lugar. Ele precisava sair dali e conversar com alguém sobre aquilo, saiu da cozinha atordoado, quando ouviu um virar de chaves na porta de entrada, seu coração quase parou de bater, desligou a luz e entrou no banheiro, ficou la encolhido, com respiração muito leve, tentando observar pela porta, estava petrificado de medo sem saber o que faria se fosse descoberto.

O velho entrou e com ele tinha alguém, parecia um bêbado de rua, já bastante alcoolizado, os olhos azuis tinham um brilho glacial. Udo ou seja la qual fosse seu nome, conversava com sua voz suave com o bêbado, falando que logo ele teria sua bebida, - Sente-se no cadeira ali – Disse apontando para a cadeira de dentista, o bêbado murmurou qualquer coisa e sentou-se – Isso é de dentista doutor – disse o bêbado – É que eu não ter muitos móveis aqui ainda, pode sentar-se ai, que já levo seu bebida- o bêbado não só sentou-se como se deitou de forma displicente.

Udo saiu da cozinha com um pano em uma mão e uma garrafa na outra, chegou por trás e colocou com força o pano no nariz do homem que se debateu por alguns segundos e logo ficou inconsciente, o velho colocou a garrafa do lado, de clorofórmio provavelmente, abriu a mala grande e de la tirou uma máscara, um par de luvas cirúrgicas, uma capa de chuva transparente foi até a cozinha, e voltou vestido com a capa e as luvas, passou pela porta do banheiro, Walter tentou se esconder, mas não foi preciso, ele passou sem olhar para o banheiro, foi direto até o quarto da prateleira de ferramentas, trouxe consigo algumas coisas metálicas, umas serras e umas faixas, que foram usadas pra prender os braços e pernas do homem na cadeira. Colocou uma trava que mantinha a boca do infeliz aberta, um fórceps ou algo assim que mantinha o maxilar horrivelmente escancarado. Udo com seu olhar quase entediado, começou a bater no rosto do bêbado agora todo imobilizado, fazendo-o acordar, os olhos do homem abriram e depois de uns instantes, foram tomados por terror, quando o velho começou a falar de forma bem pausada e sussurrante, - Agora você ter que ficar quietinho, que doutor ter que fazer uma pequena extraccion de algumas dentes ruins - O homem tentava gritar mas só saiam sons guturais, que foram abafados por um chumaço de algodão, fazendo o sujeito se debater e tentar se soltar. Walter queria salvar o homem, pensou no que poderia fazer, sair devagar do banheiro e golpeá-lo com alguma coisa, enquanto criava coragem o suposto Dr Udo, estava começando a arrancar um dente com uma espécie de alicate, o desespero e os gritos de dor excruciante entravam nos ouvidos de Walter como se perfurassem os tímpanos, estava enojado e horrorizado com aquela tortura que estava presenciando, imaginando como um ser humano poderia fazer uma coisa assim, viu o primeiro dente sair e ser colocado em uma vasilha de metal com um suspiro de satisfação do velho, que começava a arrancar outros dentes. Walter procurou algo no banheiro e viu apenas um rodo, lembrou-se de suas ferramentas para abrir a porta, serviriam se ele fosse pego de surpresa, poderia tentar feri-lo ou derrubá-lo, afinal ele era apenas um velho, devia ter trazido sua arma, mas agora era tarde, tinha que agir com o que tinha em mãos. Saiu do banheiro, com o objeto que parecia uma chave de fenda delgada nas mãos, ao sair fez barulho demais e o velho olhou em sua direção, o homem amarrado na cadeira tinha a boca toda ensangüentada, em seus olhos o desespero estampado, clamava ajuda.

Walter correu em direção do velho que sem perder o brilho frio de seus olhos apenas falou, - Eu já esperar você – E puxou uma arma que estava perto de suas mãos, ao lado da cadeira, com um silenciador o barulho não foi maior que um espirro, acertando o joelho de Walter que caiu gritando de dor, que foi logo cessada por um pano cheio de clorofórmio em seu rosto.

Alguns minutos depois Walter acorda, amarrado no chão, com seu joelho inutilizado, vê Udo terminando de arrancar os últimos dentes do homem já totalmente inerte de dor, só sabia que ele estava vivo por causa dos olhos que ainda estavam abrindo e fechando, é impossível saber, quanto de dor um homem pode agüentar antes de desmaiar ou morrer. Depois de terminada a tortura dos dentes, o velho de olhos azuis congelantes levanta e com voz macia diz, -Você se perguntar como eu desconfiar de seu visita, sr Walter, eu colocar tudo no devida ordem, ser meticuloso com detalhes, pena a senhor não ser tanto, enton foi fácil... - E enquanto falava ele pegava, uma serra afiada usada em ortopedia, e começou a cortar a perna do homem que estava na cadeira, enquanto o sangue escorria pelas bordas brancas da cadeira, o homem tentava gritar, e Udo apenas apertava mais o chumaço de algodão na boca impedindo os gritos, Walter horrorizado tentava se soltar tentava gritar mas estava amordaçado e também com algodão na boca, o velho apenas continuava sua ladainha - Agora sr Walter eu ter que fazer cortes precisos, meu mala ser grande, mas ter tamanho certo para caber tudo, eu ser um homem que gostar de tudo limpa e organizada... – A serra continuava seu trabalho os pedaços de carne e o sangue ia caindo no chão coberto com plásticos, o homem já tinha apagado, a dor fora demais para ele, e uma náusea enorme atingiu . – Eu non gostar de bisbilhoteiras, já estar aqui nessa prédio imunda exatamente por achar que non ter problemas, mas o senhor ser muito curiosa, já ouviu falar que curiosidadi matar o gato sr Walter?- Enquanto falava Udo serrava os ligamentos, ossos e nervos com uma precisão cirúrgica, com um prazer estampado em seu rosto doentio e na calma com que falava, com suas sobrancelhas crispadas enquanto virava-se para o vigia que estava fora de combate na parede do apartamento – O Senhor achar mesmo que eu non notar nada de diferenti em meu próprio casa? O senhor ser muito inocenti, e mais idiota ainda de ficar aqui, notei seu vulto na banheiro e me preparei para recebê-lo no hora apropriada, infelizmente non esperava o senhor e terei de fazer como vocês dizem... seron... mas non me importar, sempre bom ter mais clientes. Espero que gostar da tratamento e do hospitalidade senhor Walter. - o vigia já imaginava sua vida chegando ao fim naquela noite horrível, nas mãos de um psicopata de olhos frios e fala mansa, sua cabeça começo a rodar e ele desmaiou a vertigem foi levando as palavras pra longe até que veio a escuridão total.

Acordou sem saber que horas eram, ele estava agora no lugar onde o bêbado estivera momentos antes, sua boca estava travada com o fórceps e ele estava impossibilitado de se mexer e falar, Udo estava a seu lado, com a luz da cadeira direcionada para seus olhos ele só conseguia ver o rosto fantasmagórico do velho quando entrava na frente da luz, que o cegava. – Ainda bem que acordar, senhor Walter, você querer pregos, ter alguns aqui, poder emprestar para o senhor, non se preocupar em devolver, como disse eu ser metódica, hoje ser seu dia de sorte, abri um horário só para senhor e te dar uma tratamento especial. - E uma dor lancinante percorreu o corpo de Walter, o alicate forçava seus dentes, e em uma tração rápida um deles saltou, e tudo estava apenas começando a luz incidia em seus olhos marejados pela dor e pela claridade, ouviu o som de furadeira que o havia acordado tantas vezes, imaginou as pessoas antes dele, o sofrimento enquanto aquele lunático brincava com brocas e alicates. A furadeira perfurava seus dentes molares, com brocas finas, destruindo as gengivas, o sangue respingava em sua capa transparente, agora já cheia de manchas de sangue , seu sangue e da outra vítima, com uma coloração mais castanha, seu grito ficava sufocado na garganta, não podia respirar direito, a dor e a sufocação o estavam fazendo perder os sentidos, o barulho da furadeira era ensurdecedor, enquanto penetrava de forma violenta em seu palato, os olhos azuis foram se tornando cada vez mais embaçados, tudo foi ficando turvo e a voz do velho se tornava distante de novo, ele agora sabia o quanto de dor uma pessoa poderia agüentar, e tudo ficou escuro, a voz se perdeu na escuridão e seus olhos só abriram já inertes, com a vida se esvaindo quando uma serra cortava sua carne dilacerando seus braços, depois disso a escuridão se tornou eterna...

Já estava quase amanhecendo o velho fazia seu percurso pela escada, chegou ao subterrâneo, abriu a porta lateral da van, jogou a mala enorme la dentro, acendeu um cigarro, entrou na van, fechou a porta e disse - Maldito escadaria, devia ter comprado apartamenta mais embaixo, descer duas vezes na mesma dia está acabando com meus costas! - Colocou a chave na ignição e saiu calmamente pelo portão do prédio.

Pensou em passar no quiroprático mais tarde, depois de tomar um café na sua padaria preferida...


por Cleiner Micceno

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Loja dos sonhos traz colecionáveis raros para o Brasil

Loja dos sonhos traz colecionáveis raros para o Brasil

Comum lá fora, os colecionáveis eram, até pouco tempo atrás, raros no Brasil. Para obter as réplicas de personagens de filmes era necessário importar os itens de fora, com enorme tempo de espera. Aliando a paixão pelas peças com o empreendedorismo, os sócios Stevin, Rodolfo e Daniel fundaram a Limited Edition em abril deste ano.


Desde a festa de lançamento, que parou a rua da Consolação, nos Jardins – que contou com membros do fã-clube de Star Wars vestidos como Stormtroopers – até hoje, a expectativa dos três foi superada: as vendas estão além do previsto e o interese geral que a loja gerou foram uma boa surpresa. Prova da carência do mercado brasileiro no setor.


Os sócios, aliás, são uma demonstração de que o colecionador está muito longe de um estereótipo definido. Stevin é médico psiquiatra e louco pelos personagens da DC Comics. Daniel é publicitário e prefere as sagas de Senhor dos Anéis e Star Wars. Já Rodolfo é professor de educação física e mais ligado aos itens dos Cavaleiros do Zodíaco.


“A criação da loja surgiu da necessidade de ter um espaço em São Paulo, e no Brasil, onde pudéssemos encontrar uma grande variedade de itens dos nossos personagens e filmes favoritos. Desde miniaturas até estátuas em edição limitada. Antes ficávamos correndo atrás desses itens em diversos locais, especialmente nos EUA. Não existia um local exclusivo para a venda destes produtos. Também queríamos criar um espaço de encontro. Uma referência não só para colecionadores, mas para todos os apaixonados por cinema, quadrinhos e cultura pop”, comenta Stevin.


Além dos itens produzidos em série, a loja busca peças raras, pintadas à mão e de lançamento restrito, com no máximo 500 peças, por exemplo. O que, claro, coloca o Brasil na rota de produtos até então inéditos. A importação é feita muitas vezes por fornecedores exclusivos, que negociam diretamente com eles. As dificuldades, claro, passam pelos impostos abusivos e a burocracia do governo brasileiro. Para chegar até a vitrine, os produtos recebem 60% de taxa de importação, 18% de ICMS, mais taxas alfandegárias. O que faz com que as peças custem o dobro no país.


Personagens de cinema, quadrinhos, games, música e cultura pop em geral compõe as mais de 1.000 peças do acervo. De Batman, Watchmen, Star Wars, Senhor dos Anéis e X-Men até réplicas de John Lennon e Joey Ramone estão presentes. Procurando valorizar os itens, enxergando-os como obras de arte, a disposição das peças acompanha o conceito de uma joalheria. Expostas em redomas de vidro, com iluminação especial, as estátuas ganham um tratamento de acordo com o trabalho e cuidado com que são feitas.


Buscando aproximar o público dos autores das obras, a loja irá promover encontros entre escultores brasileiros que trabalham para empresas dos EUA, em tarde de autógrafos, até eventos relacionados ao universo que os produtos englobam. Na Fest Comix, maior feira de quadrinhos da América Latina, será feita a Expo Coleções, com workshop de esculturas, finalização de peças ao vivo durante os tres dias da feira e exibição de peças raras.


Além da loja física, que responde pelo maior número das vendas, a Limited Edition lançou sua loja online (www.limitededition.com.br), com informações e fotos de todos os itens, que podem ser enviados para todo Brasil. O site oferece também um fórum onde o público pode debater e saber de todos os lançamentos do mercado. Atualmente, a e-store já responde por 20% do faturamento da empresa.


De todo o acervo, 40% das vendas são de itens ligados ao cinema. Stevin conta, por fim, a dificuldade de equilibrar a paixão com o negócio. Muitas das peças raras precisam ser adquiridas em mais de uma cópia: para venda e para os donos, legítimos aficcionados.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Roteiristas ainda enfrentam herança do cinema autoral

Grandes nomes do roteiro nacional se reuniram na manhã desta segunda-feira, em uma coletiva de imprensa, para oferecer uma prévia do debate que acontecerá entre os dias 3 e 5 de novembro, no 2º Fórum de Produção de Cinema. O centro da discussão foram as dificuldades enfrentadas atualmente no exercício da profissão de roteirista, ainda pouco valorizada no país, e como esses problemas serão abordados no evento da próxima semana. “Sinto que nós [roteiristas] vivemos um momento de diálogo e de aproximação. Estamos longe do ideal, mas estamos evoluindo”, disse Marcos Lazarini, roteirista e membro da associação Autores de Cinema (AC).

Tendo sido por muito tempo relegado a um papel secundário, em favor do cinema autoral, o roteirista passou a receber maior atenção no Brasil após a chamada “retomada”, em meados dos anos 90. Hoje, a classe já se encontra mais bem organizada e consequentemente a luta pela valorização do roteiro também é maior. “O básico que se tem que ter para fazer um filme é um bom roteiro. Tendo isso, no mínimo um filme médio você consegue”, afirmou Newton Cannito, roteirista e membro da Associação de Roteiristas de Cinema, TV e Outras Mídias (AR). No entanto, o apoio governamental e de fontes privados a esse setor ainda é extremamente escasso, consistindo em um único concurso de apoio ao desenvolvimento de roteiros, oferecido pelo MinC. Em todos os outros editais e fontes de investimento, a verba depende da existência de um texto já concluído. “No Brasil ainda não temos essa cultura de desenvolvimento de roteiro”, completa Cannito.

Outro problema, identificado pelo roteirista Aleksei Abib, é o fato de que após a retomada, o cinema nacional passou a conviver com duas tradições distintas, a do cinema autoral, herança do Cinema Novo, e a do cinema “de indústria”, onde predomina o trabalho e a criação em equipe. Aleksei afirma que nenhum desses modelos é melhor do que o outro, mas ressalta que eles não podem ser confundidos e misturados. “Seria muito favorável ao nosso cinema se entendêssemos as regras de cada uma dessas tradições. O problema é que muitas vezes queremos trabalhar em uma delas usando as regras da outra”.

Já o presidente da AC, David França Mendes, adotou um discurso antagônico, defendendo que a culpa pela situação do roteiro no país não pode mais ser jogada nas costas do cinema autoral. “Já migramos há muito tempo de um modelo para outro. Hoje todo mundo entende que o roteiro é importante e que é preciso contratar roteiristas”. Segundo David, o grande entrave está no fato de que o modelo atual não funciona da forma como deveria, devido à falta de preparo dos diretores e produtores para lidar com os roteiros que recebem. Isso acaba, então, levando à danificação do trabalho dos autores ao longo da cadeia produtiva dos filmes. “Migramos do cinema autoral para o ignorante”, alfineta David. “Não dá nem para avaliar a qualidade dos roteiros, porque o vemos na tela passou antes por um liquidificador e um pente fino de mediocridade chocantes”.

Aos poucos, no entanto, a classe dos roteiristas, apoiada por suas associações, começa a se organizar na defesa de seus direitos e interesses. A criação de modelos de contrato pela AC, por exemplo, é um instrumento importante para garantir que o trabalho dos autores será respeitado na relação profissional com diretores e produtores. Os contratos servem inclusive para estabelecer acordos que assegurem ao roteirista os devidos créditos no produto final. “Estamos aos poucos tentando organizar um mundo que era caótico, onde não havia regras”, explica o roteirista Di Moretti, membro da AC. “Eventos como o Fórum de Produção e outros promovidos pela AC e pela AR acabam também fazendo parte desse processo”.

O Fórum de Produção de Cinema é organizado pela Revista de CINEMA, em parceria com o Senac. O evento contará com quatro mesas de debate, onde serão abordados temas relacionados ao roteiro de cinema, televisão e novas mídias. As inscrições podem ser feitas através do site http://www1.sp.senac.br/hotsites/gd1/forumcinema/



Por Eduardo Hiraoka

Mostra de Woody Allen no Rio de Janeiro e em Sao Paulo

Mostra de Woody Allen no Rio de Janeiro

Mostra de Woody Allen no Rio de Janeiro e em Sao Paulo


por Francisco Russo


Atenção, fãs de Woody Allen! A partir de amanhã começará, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, a mostra A Elegância de Woody Allen. Nela serão exibidos todos os filmes do diretor em película, inclusive seu trabalho mais recente, Tudo Pode Dar Certo. O filme permanece inédito no circuito brasileiro e tem previsão de lançamento apenas para março de 2010.

Serão também exibidos filmes em que Allen participa como ator, como a animação FormiguinhaZ; o mediametragem Meetin WA, de Jean-Luc Godard; e o documentário Wild Man Blues, sobre a turnê de sua banda de jazz pela Europa.

No Rio de Janeiro a mostra ocorrerá até o dia 29 deste mês. Já em São Paulo ela acontecerá entre 18 de novembro e 13 de dezembro. A programação está disponível no site oficial do CCBB.

sábado, 31 de outubro de 2009

Ministério da Cultura lança curso gratuito de desenho animado

Oportunidade para galera que quer virar animador, cursos gratuitos de desenho animado
se informem e corram atras, que é uma função que no nosso mercado de vídeo e cinema, está cada vez sendo mais valorizada.


Ministério da Cultura lança curso gratuito de desenho animado

Publicado em 28.10.2009, às 15h43Jovens de todo o país já podem se inscrever, via internet, a partir desta quarta-feira (28), para participar de um curso de ensino a distância que dará oportunidade de atuar no mercado profissional de animação.O projeto, intitulado AnimaEdu, é resultado de parceria entre o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Audiovisual, Infraero e a produtora OTTO Desenhos Animados.
O programa foi lançado hoje, quando é comemorado o Dia Internacional da Animação, com eventos em 400 cidades do Brasil e 30 países.
Para participar da iniciativa não precisa entender de animação. Basta ter idade mínima de 16 anos, computador com acesso à internet, scanner e noções de desenho.
As atividades, que abrangem 18 módulos, vão começar em novembro e serão concluídas em janeiro de 2010. Para ser incluído na primeira turma é preciso fazer a inscrição no site www.animaedu.com.br.O curso é gratuito e tem duração de nove a 16 semanas, com aulas com duração de uma hora, acompanhadas por tutores, duas vezes por semana.
O material didático, contendo textos, exercícios e manuais, será disponibilizado no site do AnimaEdu e só poderá ser acessado por jovens matriculados no curso. Ao final, cada aluno ganhará um certificado de participação. A primeira turma será formada em caráter experimental, mas a idéia é que depois o projeto passe por ajustes para atender a um público mais diversificado.
Segundo os organizadores do projeto, os formandos poderão trabalhar na realização de curtas metragens para publicidade, material destinado à internet e a empresas da área de desenho animado.Fonte: Agência Brasil

Quarto Cinefantasy, e o programa sobre HQs Além dos Balões

divulgação de eventos amigos, pra quem gosta de Hqs, Filmes de Terror e Ficção quase de graça, muitas opções pra todos

4° Cinefantasy - Festival Curta Fantástico está no ar!São mais de 160 filmes é horror indonésio, italiano, espanhol, scifi francês, zumbis sérvios, espanhois, canadenses, belgas (e bebados), brasileiros, fãs de tv, nos shoppings, homenagens ao terror anos 70, anos 80, Gore tupiniquim, japones, iataliano, americano, vampiros que gostam de sexo e não são vegetarianos, camera em primeira pessoa, criaturas das mais diversas formas, cores e línguas, é gato, é porco-homem, é mulher-enguia, é palhaço, é do espaço, é do mar, é bonito, é feio.... nessa programação, quem é fã de horror, ficção científica e fantasia, vai curtir e de graça (ou quase: R$1,00 no Olido)Divulguem para os amigos e inimigos, vamos lotar essas 3 salas e mostrar que no Brasil somos mais que o país do samba e futebol! Contamos com vocês!http://www.cinefantasy.com.br/prog.html


Além dos balões - Programas sobre Hq


já está no ar mais um programa HQ, além do balões. O programa foi homenageado com o Troféu Bigorna na categoria “Grande Contribuição à HQ Nacional” e foi indicado ao 21º Troféu HQMix na categoria “Mídia sobre Quadrinhos”.Nesta edição fomos conferir a “Exposição Picha - Mostra Internacional de Quadrinhos Africanos e Afro Descendentes”, que tem como curadores no Brasil a Profa. Dra. Sonia Luyten e o cartunista e publicitário Maurício Pestana. Esta exposição é uma mostra da produção da nona arte em vários países do continente africano e tem dois painéis especiais com a produção de afro descendentes, o Maurício Pestana representando o Brasil e o David Brown os EUA. Mostramos também a exposição sobre o “Saci” que mostra várias obras baseadas neste personagem do folclore nacional, além de livros e um painel criado pelo Ziraldo.Veiculamos mais uma animação do "Tulípio", personagem desenvolvido por Eduardo Rodrigues e Paulo Stocker. Divulgamos também os ganhadores, a data e o local de entrega do “Troféu Bigorna 2009”. Comentamos sobre os lançamentos da “Humor em Quadrinhos especial #3” e da Revista “Mundo dos Super-Heróis #18”. No quadro “Notícias do 4º Mundo”, comentamos os projetos de lançamentos para 2010 do Coletivo Quarto Mundo: continuação da série “Depois da Meia-Noite” e “Defensores da Pátria Solo”. Continuamos com a campanha “Via Lettera Presenteia” na qual nossos convidados e participantes são presenteados com obras da editora.Para acessar o HQ, além dos balões é só digitar e entrar no endereço http://www.hqalemdosbaloes.com/ ou www.tvtatuape.com.br/hq (caso o link não funcione, é só digitar os endereços em seu navegador). Confira também o quadro HQ, além dos balões no programa Mask (http://www.tvtatuape.com.br/mask.htm.O programa HQ, além dos balões tem o apoio do site especializado em quadrinhos http://www.bigorna.net/.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

PROGRAMA SEMINÁRIO " A ARTE DE ASSISTIR CINEMA"


Programa:

26/11/ 2009 20:00 hs
Bloco 1 - Visão Geral
Introdução ao curso.
A apreciação cinematográfica. Guia para o melhor desfrute do cinema.
Palestra Nº 1: “A APRECIAÇÃO DA ARTE CINEMATOGRÁFICA”.
Apresentação do curso, explicação do planejamento, programa curricular em formas e conteúdos.
Dissertação: A apreciação cinematográfica ao longo da história do cinema. O cinema brasileiro desde suas origens. O Cinema como fenômeno na comunicação de massas. A crítica. Os diversos sistemas de exibição. Guia para o melhor desfrute do cinema.
Exibição e audição:
Debate.
Breack 20:50 hs
Bloco 2 - Roteiro / 21:10 hs
O roteiro cinematográfico.
Palestra Nº 2: “O ROTEIRO CINEMATOGRÁFICO”.
Dissertação: O roteiro de cinema e a literatura. O roteiro cinematográfico. O Abc do roteirista. A respeito da dramaturgia.
Debate.

27/11/2009 20:00 hs
Bloco 3 - Produção
Breve resenha histórica.
A produção Cinematográfica.
A estrutura industrial cinematográfica.
Palestra Nº 3: “A PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA”.
Dissertação: A produção cinematográfica: objetivos e formas de organização. O produtor. Planejamento. Orçamentos. Cronogramas. Administração de projetos. Formas de financiamentos. As co-produções. O produto cinematográfico.
Debate.
Breack 20:50 hs
Bloco 4 - Direção 21:10 hs
Presença de um Diretor Cinematográfico. Debate generalizado.

28/11/2009 09:00 hs
Bloco 5 - Fotografia Cinematográfica
A fotografia. A câmera.
Elétrica e maquinaria
Palestra Nº 5: “A FOTOGRAFIA CINEMATOGRÁFICA”. “ A CÂMERA”.
Dissertação: A propósito da cinematografia cinematográfica. A linguagem da luz. A insuportável luminosidade. O mistério da luz. Estilos de iluminação cinematográfica. A origem da câmera de cinema. Diversos tipos de enquadramentos e posições de câmera. Os formatos. Breve resenha sobre tipos de filmes, suportes de vídeo e digitais, “transfers”.
Debate.
Breack 09h50min hs
Bloco 6 - Direção de Arte 10:10 hs
A Direção de Arte. Cenografia. Figurinos. Contraregra.
Palestra Nº 6: “A DIREÇÃO DE ARTE”.
Dissertação: A direção de arte: cenografia, figurinos, maquilagem, efeitos especiais, contra-regra, a produção de arte. A pesquisa na direção de arte. A apreciação estética da direção de arte num filme.
Debate.

29/11/2009 09h00min
Bloco 07 Montagem/ Edição de Som
PALESTRA Nº 7 : “ MONTAGEM, EDIÇÃO E SOM”
Dissertação: A montagem cinematográfica, a “arte do movimento”. Montagem de imagem e som. A edição por meios digitais.
Debate.
Dissertação: O som no espírito do filme. Som direto, som de estúdio, som de repertório e arquivos. O Microfonista. Os diálogos. A música. Edição de som. A mixagem. Retranscrição ótica, o negativo ótico. Diferentes sistemas de reprodução. Relatos de histórias com o som. O desenho de som.
BREACK 09h50min
Bloco 8 - Exibição / Cineclubismo/ Formas de cinema social 10h10min
PALESTRA Nº 8 “CINEMA DOCUMENTÁRIO”. “CINECLUBISMO”.
Dissertação: O cinema documentário e sua importância no Terceiro Mundo. O cinema documentário no Brasil. O documentário político. Formas de filmes documentários.
Debate.
Dissertação O cineclubismo. Como formar um cineclube. O debate cinematográfico.

Materiais didáticos: distribuição de apostilas.
Emissão de certificado.

Estrutura formal:
Dirigido a um grupo numeroso de pessoas, preferentemente “cinéfilos”, profissionais tele cineastas e estudiosos interessados na compreensão da linguagem audiovisual e suas diferentes formas de aplicação. A proposta docente e de “imersão”, com uma intensa atividade de apreciação de imagem e som que será oferecida durante toda a permanência dos participantes no ambiente do seminário. Serão projetados os mesmos trechos de produtos audiovisuais nas quatro palestras, simultaneamente a ocorrência das dissertações e debates e propiciada a audição de sons e músicas de cinema durante os breack entre as palestras.

Distribuição de apostilas: textos teóricos de complemento a informação oferecida nas exposições dos conteúdos do currículo, listas bibliográficas, resenhas biográficas, comentários sobre os filmes.
Certificado: será emitido um Certificado aos alunos que cumpram com os critérios a serem estabelecidos, tal como 75% de assistência e outros.
Dias e horários: duas horas/aula por dia, com um “breack” de 20 minutos,

Conteúdos:
- Apreciação da Arte Cinematográfica;
- Conhecimentos básicos da história do Audiovisual de América Latina e brasileiro,
- Incentivo à participação no movimento cineclubista. Como formar um cineclube;
- Noções básicas de produção e realização cinematográfica;
- Exibição em sala de aula de imagem audiovisual temática e audição de música incidental referida aos conteúdos em desenvolvimento nas respectivas palestras;
-Incentivo à leitura de materiais teóricos, artísticos e técnicos e fornecimento de listas bibliográficas básicas;
- Noções para apreciação das artes musical e plásticas;
- Proposta permanente de incentivo a leitura de materiais temáticos;
- O audiovisual como ferramenta de inclusão social;
- Conceitualização a respeito dos 95% dos brasileiros “sem tela” e as perspectivas de inclusão audiovisual;
- Pela construção de uma arte descolonizada;
- A cultura independente como arma para melhorar a qualidade de vida.

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